Os padrinhos em Davos – por Auran Derien

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Os padrinhos em Davos

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Auran Derien, Revista Metamag

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Os padrinhos em Davos

A barbárie mostra-se sem nenhuma vergonha desde que se apropriou do poder global. Em Davos, os padrinhos da alta finança apresentam as suas pretensões, pelo menos as que são destinadas a ludibriar.

Temas a dormir de pé

Desde o século XVIII, o tema principal utiliza o conceito de progresso. Os padrinhos, que querem aparecer como bons servidores da família humana retomam a velha astúcia, sob um nome diferente, o futuro brilhante graças à quarta revolução industrial. No goulag intelectual que os defensores de Davos instalam, pode-se apenas algaraviar uma ou outra das duas perspectivas do progresso como eles o entendem:

ou seja, acompanha-se a evolução, a mesma para todos, uma vez que a marcha que assumem as sociedades é a mesma. Proclamaram o resultado final muitas vezes: o mundo deve ser administrado pela raça superior dos banqueiros com a ajuda da casta sacerdotal dos pregadores mediáticos. A política, actividade superior de pessoas civilizadas deve ser banida e privilegiar a pedagogia e a ideologia. Os vadios divinos dão-nos a conhecer a luz através da gestão financeira, e lutam contra as forças obscurantistas através dos meios de comunicação social de propaganda e de distracção.

A segunda variante do seu progressismo coloca a tónica directamente sobre o objectivo determinado que eles pretendem atingir. Este objectivo pode ser atingido por um salto qualitativo, a revolução da interpenetração homem-máquina, o apocalipse pela finança e o genocídio, intenção quase divina para dar origem à nova ordem mundial destinada a perdurar eternamente.

Tais lucubrações escondem a tirania diária reforçada pela centralização mediática, pelo assassinato dos povos e das culturas através do embrutecimento generalizado, do parasitismo sistemático permitido pelas máquinas, por exemplo o trading de alta frequência. Tudo isto é feio e ordinário em Davos. Os lacaios que vão chegando, convocados, sabem que poderão comer as migalhas que cairão do regaço dos parasitas.

 

Os lambe-botas da América Latina

Os países da América Latina que passaram a estar sob o controlo dos padrinhos enviam representantes para aí receberam as ordens. Naturalmente, estes países já estão enfiados na prisão do tratado transpacífico. O Brasil, o Chile, a Colômbia, o México estarão já como prisoneiros à vista. A Colômbia já delegou em Santos e num punhado de ministros que têm a seu cargo os sectores onde tudo está à venda. O Brasil ajoelha-se propondo dois dirigentes financeiros dos centros mais importantes. O Chile está presente com o ministro das finanças, e o México vai beijar as mãos aos seus carrascos, ao mesmo tempo que lhes entrega o que lhes resta das riquezas do país, nomeadamente a petrolífera Pemex. O Presidente Peña Neto aí estará pela terceira vez, acompanhado pelo responsável do Banco de México, antigo doméstico do FMI, e pelos responsáveis pela energia, pela economia e os impostos. Vender Pemex é o momento ideal, o preço do barril tem estado a cair e já está abaixo do custo de extracção do petróleo. Afirmando que Pemex não vale nada, a empresa será dada aos comparsas de acordo com o cenário regularmente posto em cena.

Ilusões perigosas

Os temas que promovem os padrinhos vão sempre acabar na degradação da pessoa humana, na morte e na destruição. Quanto mais poder estes mafiosos conquistem, mais a humanidade sofre de degradações, excepto para eles naturalmente. A segurança global (nunca omitir o termo global porque a máfia quer-se omnipotente) é uma astúcia, cada um pode tornar-se conta que o caos é organizado, tal como o exemplo da invasão da Europa pelo Terceiro Mundo. Desde há dois séculos que os banqueiros financiam todas as guerras. São criminosos contra a humanidade. Discursam sempre em Davos…

Para terminar o panorama, não esquecer de citar a procura de soluções para administrar os bens comuns da humanidade. Uma outra falsidade que esconde a vontade de favorecer a ditadura dos funcionários internacionais, cuja capacidade de servilismo e de dizerem sim aos senhores são proporcionais aos seus emolumentos. Falar-se-á da simbiose público-privado, sobre o divino modelo anglo-saxónico onde os oligarcas se passeiam entre um posto privado e um posto público porque não há nenhuma diferença entre os dois. Pensar em lucro dispensa que se venha a pensar em qualquer outra coisa. Assim se espalha a sujidade e o obscurantismo, o ódio e a mentira, a superstição e o primitivismo.

Quando chega DAVOS chega o tempo dos assassinos….

Auran Derien, Revista Metamag, Les parrains à Davos. Texto disponível em : http://metamag.fr/2016/01/20/les-parrains-a-davos/

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