DO MEDO À CULPA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Como se andam a relacionar os portugueses e as portuguesas?

Segundo um estudo, revelado este sábado, a violência entre os namorados está a aumentar.

Não só enquanto namoravam como também depois de terem cortado as relações amorosas.  E mais uma vez o maior número de vítimas são as mulheres, apesar de alguns homens terem já feito queixa como agredidos pelas namoradas.

Não, as pessoas não estão a ficar más. As pessoas são fruto do ambiente em que vivem e da sua personalidade.

As pessoas cresceram em ambientes em que os vínculos afectivos eram muito ténuos, em ambientes familiares de discussão , e quantas vezes, de agressões verbais ou físicas.

Algumas destas pessoas, enquanto crianças ou jovens, sentiram-se, alguma vez, desiludidas com a confiança que tinham depositado em alguém que lhes era afectivamente importante.

Crescer no vazio afectivo ou no embalo da agressividade faz com que cada um tenha uma grande probabilidade de ser também agressivo ou violento.

A Agressividade aprende-se em contexto social, por imitação, por reprodução cultural.

Fiz um estudo sobre a maneira como as crianças sentiam a violência e a agressividade, e verifiquei qua as meninas aceitavam melhor as razões porque os pais, ou outros, lhes batiam enquanto os meninos aceitam com muita dificuldade. Afinal os meninos batem para serem homens.

As meninas, ainda no nosso século, são educadas para obedecer e, porque têm medo sentem-se culpadas, tal como as suas mães, tias ou vizinhas.

Este viver está em casa, assiste-se entre eles na escola, e entra pela casa dentro com as notícias dos telejornais, com exemplos semelhantes em telenovelas, nos anúncios… no horrível concurso “A quinta”.

Implicitamente a sociedade emite sinais de agressividade física ou verbal que são captados pelas crianças e pelos jovens.

Assiste-se agora a um mediático divórcio em que a violência e a agressividade era vivida dentro da família que queria fazer da felicidade o seu lema. Alguém estava a ceder…

Quebrar o ciclo da violência doméstica não é fácil, é por em causa toda uma vida que foi vivida com medo e o medo facilmente leva ao sentimento de culpa.

E agora? Eu não devia…a culpa é minha, tenho vergonha…mas enquanto ando neste balançar entre razão e culpa os meus filhos vão assimilando os sinais de Agressividade. O que farão quando forem mais velhos?

O meu pai batia e a minha mãe não dizia nada…

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