A cada novo avanço das tecnologias da comunicação, o mundo vai encolhendo. Uma mensagem chega hoje mais depressa a Vladivostoque ou a Sidney do que há cinquenta anos demorava a estabelecer ligação entre Lisboa e Coimbra. A invenção da palavra foi a grande conquista, porventura a maior de todas e a que permitiu que todas as outras invenções ocorressem.
Entre os seres vivos, o mais próximo do homo sapiens, o nosso primo chimpanzé, consegue planificar uma tarefa – demonstra-o, talhando um escopro com o qual depois executa diversas tarefas ou seja, tem a capacidade de construir um utensílio.
Não chegou à palavra, exprimindo-se através de gestos, guinchos, expressões faciais – «dá-me isso, é meu!», «é teu, o tanas! Tira-mo se fores capaz!» – convites ao sexo, aceitação, negativa… Todo o dicionário destes primatas, os segundos da classificação, caberia numa folha de papel. Vivem em grupos de cerca de 20 indivíduos e protegem acima de tudo as crias, grávidas e os jovens. O futuro.
Nós complicamos. É complicando que vamos avançando.E temos a palavra, o sublime invento que nos permite falar de amor enquanto olhamos as estrelas.E inventámos a maneira de comunicar por signos e aí complicámos tudo – a nossa capacidade de inventar soluções devia conduzir-nos a um só idioma. Temos de aprender a língua dos primatas mais fortes – e neste campo não evoluímos – passámos do latim para o inglês. A seguir, pode vir o mandarim, o castelhano ou uma língua que ecoou na Galiza, atravessou oceanos e dado o índice de crescimento demográfico de países africanos onde se diz que é falado, poderá vir a ser o idioma com maior número de falantes.
Ontem passaram 115 anos sobre a assinatura do primeiro acordo ortográfico.