Nas fronteiras norte da Grécia estão-se a acumular (a palavra não é muito feliz, mas é expressiva do que se passa) dezenas de milhares de refugiados, que pretendem chegar a países do centro da Europa, onde esperam encontrar melhores condições para a sua vida. São sírios, afegãos, iraquianos e de outras nacionalidades. Como a fronteira terrestre com a Turquia (no seu lado europeu este país liga com a Grécia e com a Bulgária) está encerrada desde 2012, as ilhas gregas são neste momento a principal via de passagem de quem foge do Próximo e do Médio Oriente. A sua dispersão dificulta extraordinariamente qualquer tipo de medidas de defesa contra esta vaga humana de tão grandes dimensões. Por outro lado, usar medidas drásticas contra tanta gente em fuga será próprio de um país, ou de uma união de países, que defendem valores de solidariedade?
Os restantes país do Balcãs têm sido unânimes em criar dificuldades à passagem de refugiados. E países como a Alemanha e a Áustria que, há um ano atrás pareciam muito receptivos a receber muitos refugiados, estão a mudar completamente de posição. Outros países, como é caso da Hungria, parecem mesmo inclinar-se para a rejeição completa, isto é, para não receberem refugiados.
Wolfgang Münchau, num artigo publicado hoje no Diário de Notícias, refere os perigos que a situação acarreta para a unidade europeia. Embora considere que se trata apenas de um cenário possível, leva a sua análise até dizer que poderá pôr em perigo a União Europeia (UE). Que influirá mesmo no referendo sobre o Brexit que se vai realizar em Junho no Reino Unido. Reconhece que a UE poderia perfeitamente integrar um milhão de refugiados por ano, mas que os estados que a integram perderam a vontade de elaborar uma política conjunta (ver último link abaixo).
Nós perguntamos: será que alguma vez a tiveram? Angela Merkel parece ter arrepiado caminho sobre as suas (aparentemente) generosas palavras do Verão passado sobre o acolhimento aos refugiados. Na altura, fez-se o reparo de que essa generosidade verbal se destinava sobretudo a amenizar o tratamento brutal dado à Grécia e ao seu primeiro ministro em 13 de Julho passado. Agora parece que a tendência é cada vez mais deixar a Grécia isolada. Se esperam que a Turquia dê uma ajuda significativa, em parâmetros aceitáveis, podem desenganar-se. Nem mesmo Erdogan poderá ser convencido a participar num morticínio generalizado de tantos fugitivos. Mas se tamanha desgraça acontecer, Angela Merkel e os restantes líderes europeus não poderão lavar daí as mãos, nem mesmo com a comunicação social que temos.
Propomos que acedam aos links seguintes:
http://www.infogrecia.net/2016/02/nao-seremos-o-libano-da-europa-diz-ministro-grego-em-bruxelas/

