A COLUNA DE OCTOPUS – A Síria: um obstáculo na geopolítica mundial

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Porque é que a Síria, um pequeno país do Médio-Oriente, se tornou num palco de conflitos nos últimos anos? Esqueçam as divisões internas, que existem, e as revoltas contra o poder central de Bachar Al-Assad, que também existem. O que está em causa é a estratégia americana para asfixiar a Rússia, através da limitação das suas exportações de petróleo e gás natural para a Europa. Em alternativa as essas matérias primas propõem os  produtos de países “amigos” dominados pelos Estados Unidos. Temos aqui, neste mapa, uma ideia do abastecimento da Europa, através dos vários oleodutos e gasodutos:

Confuso? Sem dúvida, mas mostra quanto a Europa está dependente do petróleo e do gás natural proveniente da Rússia.

No mapa abaixo, temos apenas as alternativas ao petróleo e gás russo:

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– Temos o oleoduto Nabucco, que transporta o petróleo e gás desde Baku, Azerbaijão, antigo país da URSS, actualmente sob controle americano e que passa pela Turquia.

– Depois temos o contestado oleoduto islâmico com origem no Irão, que passa pelo destruído Iraque e depois pela Síria.

– Finalmente, o mais importante, a aposta americana: oleoduto e gasoduto com proveniência no Catar, que passa pela Arábia Saudita (amigo americano) e que também deverá passar pela Síria para abastecer a Europa.

Exceptuado o oleoduto de Nabucco, as soluções passam por atravessar a Síria, daí a sua importância e fonte dos actuais conflitos. Agora as coisas ficam mais claras, a saber porque é que este pequeno país se tornou subitamente fonte de tantas guerras.

O pecado de Bachar Al-Assad…

Em 2002, a Turquia e o Catar chegaram a um acordo para o transporte de gás e petróleo para abastecer a Europa, mas esse transporte deveria obrigatoriamente de passar pela Síria.

Quando foi colocada a questão do consentimento a Bachar Al-Assad da passagem desses oleodutos e gasodutos, este recusou para proteger os interesses do seu aliado Russo.

Progressivamente foram instigados e armados “rebeldes” anti Bachar Al-Assad para o eliminar do poder e instalar uma marioneta conivente com os Estados Unidos para depois dar o seu “ámen” ao projeto. e um lado temos os países ocidentais, a Turquia e as monarquias do Golfo, do outro, temos a Rússia, o Irão e a Síria.

Um conflito com cheiro a gás e petróleo… 

De um lado temos os países ocidentais, a Turquia e as monarquias do Golfo, do outro, temos a Rússia, o Irão e a Síria.

No meio deste conflito, a cidade de Homs, tão badalada nos últimos meses, que representa um ponto de passagem obrigatório, isto para além de ter sido descoberto nesta zona de uma importante reserva de gás natural.

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Retirada inesperada da Rússia…

Após cinco meses de bombardeamentos, a Rússia conseguiu derrotar muitas das posições do Daesh e dos rebeldes.  Por esta via, conseguiu voltar a dominar a geopolítica mundial. Mas retira-se sem que a questão da Síria e do seu líder esteja resolvida pode parecer um mistério.

É de supor que esta retirada tenha sido negociada com os Estados Unidos para assegurar a manutenção de Bachar Al-Assad no poder como contrapartida da aceitação do “pipeline islâmico”.

Vamos portanto ter um Status quo entre os interesses americanos e russos na região, tendo os Estados Unidos e seus aliados desde já perdido “esta guerra”.

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