Tem-se falado num ambiente político mais distendido em Portugal. Até o presidente da república (já é o Marcelo, como todos com certeza têm presente) entende que “… há um clima mais descrispado, mais sereno, e este viver de uma forma habitual, em estabilidade, é bom para o país. Até no plano político há menos crispação…”, como podemos ler no Público, clicando no primeiro link abaixo, para aceder a uma notícia sobre contactos que desenvolveu com o sector da saúde. Todos gostamos de serenidade, desde que não se aproveitem disso para abusarem de nós, como infelizmente tem acontecido bastante. Entretanto convém alertar para que alguns (muitos…) abusos, que ultimamente pareciam um pouco afastados, parecem querer voltar a galope.
Graças ao Wikileaks ficamos a saber de uma conversa telefónica entre dois altos responsáveis do FMI sobre a situação na Grécia. Um deles é Poul M. Thomsen, um veterano destas andanças. O tom e o conteúdo da conversa deixam prever que preparam um novo ataque àquele país, talvez para competirem com o feito pelos líderes da Zona Euro, em Julho do ano passado. Parece que há umas divergências entre as duas entidades sobre a maneira de pôr a corda ao pescoço de Tsipras e dos seus apoiantes, que parecem continuar a ser pouco apreciados naquelas altas instâncias, apesar de todas as concessões, e das enormes dificuldades por que passa a Grécia, com os refugiados e não só. O FMI parece querer cortar na dívida, mas reforçar a austeridade. Os da Zona Euro nem querem ouvir falar em cortes na dívida, e procuram manter a austeridade, com muitos alertas e ameaças ao governo grego. Mas isso não detém estes grandes senhores. Refira-se que no telefonema há referências ao Brexit e ao referendo em Junho próximo, e ao temor que parece reinar nas altas esferas sobre as consequências de uma eventual saída da Grã-Bretanha da UE. Em baixo podem encontrar links de acesso a várias notícias sobre este telefonema, sendo de registar o interesse que revela a imprensa de vários quadrantes. Nem todos terão a mesma opinião sobre o assunto, claro.
Há dias, o FMI também fez umas previsões sombrias sobre Portugal. Não há notícias sobre conversas ao telefone ou por outro processo qualquer, a tecer ameaças. O Wikileaks não chega a todo o lado. Mas pela notícia a que podem aceder pelo último link abaixo consegue-se perceber que a boa vontade não abunda por aqueles lados. Não é difícil perceber que estamos perante uma nova ofensiva contra os países onde temem que a autoridade destes organismos supranacionais possa vir a ser posta em causa. As dívidas dos países afectados todos sabem que são impagáveis, e que a austeridade serviu sobretudo para impedir os países onde foi imposta de alcançar a independência económica. Os principais responsáveis por esta situação, salvo raras excepções, têm conseguido, sem grandes problemas, escapar às consequências. Veja-se o caso dos responsáveis do FMI, quanto aos efeitos da austeridade orçamental, sobre o qual propomos que cliquem no último link abaixo para lerem o artigo Desde há muito tempo que o FMI sabia e melhor que toda a gente, de Fabian Linder, publicado originalmente em Social Europe.
https://www.publico.pt/politica/noticia/presidente-apela-a-consensos-na-saude-1727441
https://wikileaks.org/imf-internal-20160319/
http://www.infogrecia.net/2016/04/wikileaks-fmi-apanhado-planear-nova-bancarrota-na-grecia/

