BREXIT: UM EXEMPLO DA ENORME NUVEM DE FUMO A PAIRAR SOBRE A REALIDADE EUROPEIA – 6. OS CORTES DO ESTADO SOCIAL FEITOS PELOS CONSERVADORES PODERÃO ATINGIR UM TERÇO DAS FAMÍLIAS MAIS POBRES DA GRÃ-BRETANHA, DIZ-NOS UM ESTUDO RECENTE – por PATRICK WINTOUR (1)

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota. Revisão de Maria Cardigos.

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Os cortes do Estado Social feitos pelos Conservadores poderão atingir um terço das famílias mais pobres da Grã-Bretanha, diz-nos um estudo recente[1]

Patrick Wintour

Patrick Wintour editor politico, Tory welfare cuts would hit poorest third of UK families, research shows

The Guardian, 14 de Junho de 2016

Resolution Foundation coloca um ponto de interrogação sobre a viabilidade política dos cortes no valor de £12 mil milhões de libras no Bem-Estar Social , incluindo a possível redução de £ 5 mil milhões em crédito de imposto das crianças.

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George Osborne, o Chanceler, visita um berçário em Londres. A Resolution Foundation disse: ‘Se o governo decidiu retirar £ 5 mil milhões de créditos de imposto às crianças, concentraria a dor da consolidação fiscal sobre as famílias mais pobres.’ ’ Photograph: Oli Scarff/PA

 

O pacote de cortes a anunciar pelo governo no próximo mês e a constarem do orçamento incluem um corte de 5 mil milhões de libras em créditos fiscais para crianças poderá atingir esmagadoramente um terço das famílias de mais baixos rendimentos no Reino Unido, mostra um novo estudo.

O relatório, apresentado pelo grupo de reflexão, um think tank, Resolução Foundation, uma instituição especializada em estudar padrões de vida, coloca um ponto de interrogação sobre a viabilidade política do governo em avançar com £ 12 mil milhões em cortes sobre benefícios sociais previstos no orçamento para 2017-18.

David Cameron decidiu cortes sobre os abono de família e sobre os £ 85 mil milhões do projecto de lei sobre pensões, deixando a Iain Duncan Smith, o Secretário para o Trabalho e as Pensões o estudo os cortes de créditos fiscais, sobre subsídios de habitação (onde 10% dos cortes poderiam poupar £ 2,5 mil milhões) e alguns benefícios por incapacidade.

David Gauke, o secretário financeiro do Tesouro, reiterou na semana passada que o novo mandato fiscal proposto pelo chanceler, George Osborne, não significa dizer que o calendário dos cortes propostos aquando das eleições , compreendendo uma economia de 12 mil milhões de libras de cortes na Segurança Social esteja a derrapar.

Osborne, que deverá ter de enfrentar as questões postas ao primeiro-ministro pela primeira vez nesta quarta-feira, dada a ausência de Cameron, recusou durante a campanha eleitoral apresentar detalhes sobre os referidos cortes. .

Os ministros procuram colocar o crédito de imposto para as crianças (CTC) aos níveis de 2003-2004, terá sido dito.

A organização Resolution Foundation diz que, se a medida for em frente, serão atingidas mais de dois terços das famílias,  gente com trabalho e em que as famílias com dois filhos vão perder até £ 1.690 por ano.

Além disso, quase dois terços dos cortes seriam vinculados a 30% das famílias mais pobres; quase nenhum dos cortes cairiam sobre os 40% das famílias mais ricas.

O crédito de imposto da criança é pago a um total de 4 milhões de famílias (com 5 milhões de crianças). Mais de dois terços destas famílias (2,7 milhões) são gente que trabalha .

O valor anual para cada criança numa família foi de £ 2.780 em 2015-16. Reduzindo -o para o nível de 2003-04 nível em termos reais significa aceitar um corte de £ 845 por ano por criança – um corte de 30%.

As famílias que trabalham e que têm duas crianças iriam , portanto, perder até £ 1.690 por ano como resultado de uma redução na CTC como acima assinalado. Nem todas as famílias perderiam tanto – cerca de 800.000 famílias que trabalham recebem menos do que o valor limite total do CTC, porque algumas de entre elas os subsídios afunilam naquelas famílias que não são as de rendimentos mais baixos .

Para além de se estar a atingir os mais pobres, ir-se-á suprimir para certas famílias de rendimentos modestos a admissibilidade aos créditos fiscais para crianças, os CTC, não parcial mas simplesmente totalmente. Actualmente, o direito à CTC para as famílias com uma a três crianças é totalmente esgotado quando os rendimentos domésticos brutos atingem cerca de £ 26.000 e £ 40.000 por ano respectivamente. Um corte de 5 mil milhões de libras em CTC seria possível reduzindo estes valores em cerca de £ 2.000 e £ 6.000.

Os ministros poderão, no entanto, dizer que os cortes poderiam melhorar os incentivos ao trabalho porque iriam tornar as vantagens de estar fora do trabalho bem menos generosas em parte porque a reduzida generosidade significaria que iriam ser excluídos do direito a CTC a um nível mais baixo de rendimentos do agregado familiar, cortando-se assim nas taxas marginais de imposto efectivas que enfrentam algumas famílias. .

Gavin Kelly, executivo-chefe da Resolution Foundation, disse: “O governo está a debater-se  claramente com o seu compromisso pré-eleitoral de cortar £ 12 mil milhões no orçamento da Segurança Social. Se for decidido ir buscar £ 5 mil milhões aos créditos fiscais para crianças como uma parte central deste esforço, tal decisão significaria concentrar o sofrimento da consolidação orçamental sobre as famílias mais pobres – tanto as que trabalham como as que não-trabalham – no Reino Unido. A pobreza infantil e a pobreza no trabalho subiriam de forma muito acentuada em resultado desta decisão.”

“A redução na quantidade do apoio por criança que isto implica é grave – isso significaria que uma família de baixos rendimentos já duramente pressionada com dois filhos iria perder £ 1.700.”

“Inevitavelmente haverá muita especulação sobre todos os tipos de medidas possíveis que podem ser introduzidas no orçamento de Julho. Vamos apenas esperar que, em relação a esta proposta continue apenas a ser especulação. “

Os problemas políticos do Partido Trabalhista na oposição quanto aos cortes na Segurança Social foram sublinhados por uma sondagem organizada pelo think tank Policy Exchange de centro-direita em que se mostra que os eleitores-chave C1 / C2 em círculos eleitorais decisivos olham para o Labour como o partido que representa todos os precisam do Estado Providência assim como representa os sindicatos. O Labour não é visto como como o partido da populacao da classe média apertada. Os conservadores são vistos como o partido dos ricos.

O relatório Overlooked But Decisive: Connecting with England’s Just about Managing classes, examina as atitudes políticas e os valores de eleitores C1 / C2 em 119  lugares de batalha “permanente” na Inglaterra que provavelmente ir-se-ão manter críticos em futuras eleições.

Quando é dada uma lista de prioridades, divididas em cinco categorias – financeiras, saúde, educação, “família amigável” e crime e justiça – os grupos C1s/C2s defendem o aumento dos subsídios pessoais, o não financiamento do turismo de saúde, que se introduza uma disciplina mais rigorosa  nas escolas, que se aumente o número de horas livres para se receberem as crianças e que alterem as leis de direitos humanos para garantir a deportação mais célere dos criminosos não britânicos.

James Frayne, autor do relatório, disse que: ” A política de Westminster tem-se desligado da opinião dominante. Vastas áreas de classe média, aqueles sobre quem cai praticamente a gestão, são negligenciadas com os partidos a centrarem cada vez mais a sua atenção sobre aqueles as pessoas do topo ou então do mais baixo da escala. O facto é que são esses eleitores que decidem as eleições e os partidos que querem maiorias viáveis a longo prazo precisam de priorizar as suas preocupações.”

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[1] Tradução de Júlio Marques Mota, revisão de Maria Cardigos.

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Texto disponível em: http://www.theguardian.com/politics/2015/jun/14/tory-welfare-cuts-would-hit-poorest-third-of-uk-families-research-shows

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