É preciso não desviar as atenções do essencial.
Ainda antes de acabar este ano escolar a sociedade viu-se envolvida numa discussão sobre escola pública versus escola privada.
Agora reparo que a questão está mal colocada, não é escola pública versus escola privada, isso foi o que a oposição parlamentar e alguns directores de certos colégios quiseram fazer passar como mensagem política.
Grande parte dos cidadãos pensava que o governo ia fechar colégios, que não deixaria que os alunos, que já os frequentam, se matriculassem novamente no mesmo estabelecimento de ensino.
Que fácil foi fazer com que tantas, tantas pessoas fossem contra a medida anunciada pelo governo, que é tão simples quanto isto: colégios subsidiados pelo Estado não podem abrir novas turmas de início de ciclo, quem lá está continua até ao final do ciclo em que se encontra!
E isto porquê? Porque os dinheiros públicos estavam a ser gastos, e bem, com a Escola Pública, e mal com a Escola Privada.
As verbas que foram gastas com a Escola Privada deveriam tê-lo sido com a Escola Pública que pela Constituição é obrigatória e gratuita.
Não me vou alongar mais neste esclarecimento, se assim se pode chamar ao que acima ficou escrito, porque já muita tinta amarela correu sobre este assunto…
É visível que através dos tempos a Escola se foi adaptando às transformações sociais e tecnológicas: a Escola é democrática, inclusiva e para todos; os computadores, os quadros interactivos já fazem parte da mobília das escolas.
Hoje em dia há muito mais jovens qualificados com resultados profissionais espantosos, veja-se o número de cientistas que recebem bolsas e prémios nacionais, europeus e internacionais, veja-se a qualidade de atendimento ao público feito nos hospitais, nas finanças, nas escolas….são todos jovens mais escolarizados do que há 40 anos!
No entanto, há sempre um grilo falante que gosta de dizer que a Escola, e é claro que a Pública, apresenta maus resultados a nível da aquisição de novos conhecimentos…que os rankings revelam que os primeiros lugares pertencem a escolas privadas! Será preciso usar estes argumentos? A Escola Privada não é obrigatória, por isso só recebe os alunos que quer: os alunos já com insucessos vários onde estão? alunos de determinadas origens culturais onde estão? Não vale a pena responder porque é demasiado evidente. Como cidadã e professora congratulo-me com uma Escola que recebe e investe em todos os alunos, que antes de o serem são cidadãos, crianças defendidas pela Convenção dos Direitos da Criança e pela Convenção de Salamanca.

