Enquanto se prepara a campanha final para a eleição do presidente norte-americano, que promete ser renhida, entre dois candidat@s, que del@s @ pior, e Portugal parece bem encaminhado para não ser sancionado pelo incumprimento da chamada regra do défice, pelo menos para já (vejam as declarações do presidente do eurogrupo, no primeiro link abaixo, que não parece nada contente com a decisão da comissão), a situação dos refugiados que procuram atravessar o Mediterrâneo está cada vez mais agravada. O número de mortos este ano, mais de 3000, já ultrapassa largamente o do ano passado, como podem confirmar clicando no terceiro link abaixo. E os acontecimentos na Turquia, desde o famigerado acordo com a UE precisamente sobre os refugiados até ao recente golpe de estado fantasma e às purgas de Erdogan, não auguram nada de bom para quem procura vida melhor na Europa.
Os factores que motivam este movimento humano maciço estão cada vez mais actuantes. Os países e regiões do Próximo e Médio Oriente estão cada vez mais longe da paz, a afirmação das potências regionais apoiadas pelo Ocidente, Israel e a Arábia Saudita, em conjunto com as pretensões turcas de regresso a um passado imperial, prometem um futuro agitado àquela parte do mundo, tão afectada pela política do petróleo e pelo conflito geoestratégico entre as grandes potências. No continente africano, o efeito conjugado das alterações climáticas, manutenção de regimes políticos ditatoriais, situações de banditismo generalizado e de guerra permanente, exploração desenfreada de riquezas alternando com estagnação económica em vários países, fazem com a instabilidade e a insegurança se generalizem, daí também se encontrarem muitos africanos a procurarem países onde esperam encontrar. A crise política e económica que afecta a América Latina vai também sem dúvida fazer engrossar o caudal de refugiados oriundos daquela parte do globo, que já foi muito grande no tempo das ditaduras militares, e agora vai provavelmente conhecer um novo aumento.
O problema dos refugiados, os que procuram atravessar o Mediterrâneo e deixar outras partes do mundo, é sem dúvida o maior da actualidade. Deriva em primeiro lugar da incapacidade e do desinteresse, sobretudo das grandes potências, em manter a paz e criar condições para o desenvolvimento nas várias partes do mundo. Isto já foi dito muitas vezes. Contudo parece cada vez mais longe de ser levado à prática.