A CANETA MÁGICA – OS PORTUGUESES SÃO ESPANHÓIS? – por Carlos Loures*/3

caneta1

*Com a colaboração de Moisés Cayetano Rosado

Nos dois posts anteriores abordei a questão dos adjectivos pátrios, de uma forma geral derivados de substantivos referentes a continentes, países. regiões e geralmente relacionados com períodos históricos remotos, e cheguei à conclusão de que aquele que usamos para nos definir – lusitanos, constitui historicamente uma aberração. Motivado o equívoco por uma liberdade poética que  André de Resende criou e Camões consagrou, o erro parece ser, decorridos mais de quatro séculos, irreparável.  A Lusitânia, divisão administrativa criada pelos romanos na Península que coabitamos com castelhanos, galegos,  catalães, bascos… estava longe de coincidir com o território de Portugal – um exemplo: situadas a Norte do rio Douro, fronteira da Lusitânia com  a Galaecia, cidades portuguesíssimas como o Porto, Braga, Vila Real ou Chaves, nunca foram lusitanas. Em contrapartida, Badajoz, estava em plena região lusitana, cuja capital era Mérida – Emerita Augusta. No entanto, enquanto um portuense, um  minhoto ou um transmontano se sentem lusitanos, será que os «extremeños» do Estado vizinho  albergam esse sentido de lusitanidade? Perguntei-o ao nosso querido Amigo Moisés Cayetano Rosado, argonauta, extremenho e Doutor em História. Eis a sua esclarecedora resposta, que nos revela que a História oficial dos nossos vizinhos também enferma de erros. Erros que o decorrer dos séculos transformou em «verdades»:

«La cuestión de la Lusitania romana es muy interesante, como también lo sería en la Edad Media el Reino Aftasí de Badajoz, pues ambos territorialmente abarcaban gran parte de Extremadura y del centro y sur de Portugal. Es curioso además que a los habitantes de Badajoz se les llame aún “pacenses”, por la equivocada creencia de que Badajoz fue la romana “Civitas Pacensis”, que en realidad fue la alentejana Beja.[…]Con el tiempo, fuimos desprendiéndonos de nuestras raíces lusitanas en Extremadura, quedando el nombre, como dices, para Portugal, Sin embargo, del Duero hacia el norte no pertenecía el territorio portugués a la Lusitania sino a la Gallaecia.[…] Hay un personaje emblemático común, cuyo nacimiento se especula pudo ser en la Serra da Estrela o Alentejo (también lo reclaman en la región fronteriza de león y en Extremadura), Viriato, que representa valores comunes de lealtad, sencillez, arrojo y amor a la libertad, emblemas lusitanos que entrelazan a portugueses y extremeños de los campos duros del interior, siempre sojuzgados por el poder central de los conquistadores exteriores y los opresores interiores».

Um dado  curioso e muito interessante é o facto de um humilde pastor com Viriato ser um herói nacional comum e reivindicado por todos os peninsulares – na verdade lutou contra os ocupantes romanos e constitui um símbolo da resistência contra poderes exteriores, estejam eles centralizados em Roma, em Madrid ou em Lisboa. Continuamos no próximo artigo a tentativa de encontrar uma resposta coerente à pergunta que faz o título desta série.

 

Leave a Reply