Sempre tive uma grande dificuldade em compreender como podem os crentes de qualquer religião acreditar na miserecórdia do seu deus e compatibilizar essa crença numa bondade infinita com os crimes, massacres, guerras, holocaustos…Os astecas tinham deuses cruéis, tais como Huitzpochtli, deus da guerra e das tempestades. Acreditavam que para sobreviver o deus precisava de se alimentar do coração e como sangue dos homens, sendo assim lhe eram ofertados prisioneiros de guerra.
No Massacre de Lisboa de 1506, também conhecido como o
Pogrom de Lisboa ou Matança da Páscoa de 1506, uma multidão perseguiu, violou, torturou e matou centenas de judeus (mais de 4000, segundo o relato contemporâneo de Garcia de Resende ), acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país. Isto sucedeu antes do início do funcionamento da Inquisição e nove anos depois da conversão forçada dos judeus em Portugal, em 149, durante o reinado de D. Manuel I. No entanto, quando do grande terramoto de Lisboa em 1531. frades de Santarém relacionaram os danos verificados na cidade pela presença de judeus, ou melhor, de «cristãos novos», visto que os judeus haviam sido expulsos no reinado de D. Manuel, Gil Vicente combateu esta tentativa de culpabilizar os hebreus, numa carta que leu perante os próprios frades, atacou as prédicas dos clérigos que aterrorizavam os fiéis anunciando-lhes que os cataclismos eram resultado da ira divina contra os pecados dos homens.
Com o mesmo esclarecedor objectivo, escreveu uma carta a D. João III condenando a perseguição aos judeus. Curioso o facto de, em 1755, uma das tais «explicações» encontradas para o sismo, tenha sido a das perseguições feitas aos judeus, a par com hábitos debochados importados de França e de Itália e com a proibição de os crentes lerem a Bíblia. Mas aí, o Marquês de Pombal decretou que o sismo tinha tido causas naturais, ciando sob o braço da Justiça quem o atribuísse à ira de Deus.
*
Matança da Noite de São Bartolomeu
A intolerância tem sido, ao longo dos tempos, a causa principal de guerras, genocídios, massacres, holocaustos. As religiões têm assumido um trágico protagonismo neste aspecto específico da ignorância humana. A convicção de que a nossa crença se deve sobrepor à dos outros, porque só ela é verdadeira, o chamado integrismo, é criminosa . Não raro, esta deformidade tem sido usada por políticos para melhor manipularem massas.
O aproveitamento político de convicções religiosas e, sobretudo, do fanatismo, tem sido e continua a ser feito nos nossos dias. Em todo o caso, a intolerância não se restringe ao campo das religiões. Quando se impõe a ferro e fogo, em nome de valores éticos, um sistema politico e se desencadeiam guerras para favorecer interesses económicos, está a dar-se provas de uma intolerância que, do ponto de vista moral, é ainda mais criminosa do que o integrismo religioso.
Em França, em 24 de Agosto de 1572, e foi desencadeada em Paris uma matança de protestantes (huguenotes) que se prolongou por meses. As estimativas do número de mortos oscilam entre os 30 mil e os 100 mil huguenotes assassinados. Aparentemente tratou-se de um fenómeno religioso, mas por detrás destas perseguições houve motivos políticos. Vejamos.
Em 1572, o casamento real de Margarida de Valois, irmã do rei católico de França, com o huguenote Henrique de Navarra, parecia preanunciar uma aliança que poria fim à crispação entre protestantes e católicos, e legitimar a pretensão de Henrique ao trono de França. Porém, em 22 de Agosto verificou-se a tentativa de assassínio do almirante Gaspard de Coligny, chefe espiritual dos huguenotes parisienses. Um acto isolado de um fanático católico?
Não. O criminoso, um tal Maurevert, era um consabido agente de Catarina de Médicis, mãe do rei Carlos IX. Era ela, aliás, que detinha o controlo político do Estado. O almirante ficou apenas ferido, mas os huguenotes ficaram enfurecidos com esta provocação e protestaram de forma veemente. Na madrugada de 24 de agosto, o dia de São Bartolomeu, de acordo com listas elaboradas pela família real começaram a ser assassinados em Paris destacados huguenotes. Depois, o massacre generalizou-se. Entre 24 de Agosto e Outubro, os protestantes foram sendo massacrados, já não só em Paris, mas também em Toulouse, Bordéus, Lyon, Bruges, e Orleães. Uma das mais trágicas e feias páginas da história de França.
Regredindo um milénio, hoje são fanáticos muçulmanos que matam indiscriminadamente, desmentindo a tolerância religiosa que os caracterizava. Como podem seres humanos matar em nome de Deus? Será que Huitzpochtli invadiu o território do Deus de Abraão?
Judeus e protestantes vítimas da fé católica – por Carlos Lloures
Sempre tive uma grande dificuldade em compreender como podem os crentes de qualquer religião acreditar na miserecórdia do seu deus e compatibilizar essa crença numa bondade infinita com os crimes, massacres, guerras, holocaustos…Os astecas tinham deuses cruéis, tais como Huitzpochtli, deus da guerra e das tempestades. Acreditavam que para sobreviver o deus precisava de se alimentar do coração e como sangue dos homens, sendo assim lhe eram ofertados prisioneiros de guerra.
No Massacre de Lisboa de 1506, também conhecido como o
Pogrom de Lisboa ou Matança da Páscoa de 1506, uma multidão perseguiu, violou, torturou e matou centenas de judeus (mais de 4000, segundo o relato contemporâneo de Garcia de Resende ), acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país. Isto sucedeu antes do início do funcionamento da Inquisição e nove anos depois da conversão forçada dos judeus em Portugal, em 149, durante o reinado de D. Manuel I. No entanto, quando do grande terramoto de Lisboa em 1531. frades de Santarém relacionaram os danos verificados na cidade pela presença de judeus, ou melhor, de «cristãos novos», visto que os judeus haviam sido expulsos no reinado de D. Manuel, Gil Vicente combateu esta tentativa de culpabilizar os hebreus, numa carta que leu perante os próprios frades, atacou as prédicas dos clérigos que aterrorizavam os fiéis anunciando-lhes que os cataclismos eram resultado da ira divina contra os pecados dos homens.
Com o mesmo esclarecedor objectivo, escreveu uma carta a D. João III condenando a perseguição aos judeus. Curioso o facto de, em 1755, uma das tais «explicações» encontradas para o sismo, tenha sido a das perseguições feitas aos judeus, a par com hábitos debochados importados de França e de Itália e com a proibição de os crentes lerem a Bíblia. Mas aí, o Marquês de Pombal decretou que o sismo tinha tido causas naturais, ciando sob o braço da Justiça quem o atribuísse à ira de Deus.
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Matança da Noite de São Bartolomeu
A intolerância tem sido, ao longo dos tempos, a causa principal de guerras, genocídios, massacres, holocaustos. As religiões têm assumido um trágico protagonismo neste aspecto específico da ignorância humana. A convicção de que a nossa crença se deve sobrepor à dos outros, porque só ela é verdadeira, o chamado integrismo, é criminosa . Não raro, esta deformidade tem sido usada por políticos para melhor manipularem massas.
O aproveitamento político de convicções religiosas e, sobretudo, do fanatismo, tem sido e continua a ser feito nos nossos dias. Em todo o caso, a intolerância não se restringe ao campo das religiões. Quando se impõe a ferro e fogo, em nome de valores éticos, um sistema politico e se desencadeiam guerras para favorecer interesses económicos, está a dar-se provas de uma intolerância que, do ponto de vista moral, é ainda mais criminosa do que o integrismo religioso.
Em França, em 24 de Agosto de 1572, e foi desencadeada em Paris uma matança de protestantes (huguenotes) que se prolongou por meses. As estimativas do número de mortos oscilam entre os 30 mil e os 100 mil huguenotes assassinados. Aparentemente tratou-se de um fenómeno religioso, mas por detrás destas perseguições houve motivos políticos. Vejamos.
Em 1572, o casamento real de Margarida de Valois, irmã do rei católico de França, com o huguenote Henrique de Navarra, parecia preanunciar uma aliança que poria fim à crispação entre protestantes e católicos, e legitimar a pretensão de Henrique ao trono de França. Porém, em 22 de Agosto verificou-se a tentativa de assassínio do almirante Gaspard de Coligny, chefe espiritual dos huguenotes parisienses. Um acto isolado de um fanático católico?
Não. O criminoso, um tal Maurevert, era um consabido agente de Catarina de Médicis, mãe do rei Carlos IX. Era ela, aliás, que detinha o controlo político do Estado. O almirante ficou apenas ferido, mas os huguenotes ficaram enfurecidos com esta provocação e protestaram de forma veemente. Na madrugada de 24 de agosto, o dia de São Bartolomeu, de acordo com listas elaboradas pela família real começaram a ser assassinados em Paris destacados huguenotes. Depois, o massacre generalizou-se. Entre 24 de Agosto e Outubro, os protestantes foram sendo massacrados, já não só em Paris, mas também em Toulouse, Bordéus, Lyon, Bruges, e Orleães. Uma das mais trágicas e feias páginas da história de França.
Regredindo um milénio, hoje são fanáticos muçulmanos que matam indiscriminadamente, desmentindo a tolerância religiosa que os caracterizava. Como podem seres humanos matar em nome de Deus? Será que Huitzpochtli invadiu o território do Deus de Abraão?
Judeus e protestantes vítimas da fé católica – por Carlos Lloures
Sempre tive uma grande dificuldade em compreender como podem os crentes de qualquer religião acreditar na miserecórdia do seu deus e compatibilizar essa crença numa bondade infinita com os crimes, massacres, guerras, holocaustos…Os astecas tinham deuses cruéis, tais como Huitzpochtli, deus da guerra e das tempestades. Acreditavam que para sobreviver o deus precisava de se alimentar do coração e como sangue dos homens, sendo assim lhe eram ofertados prisioneiros de guerra.
No Massacre de Lisboa de 1506, também conhecido como o Pogrom de Lisboa ou Matança da Páscoa de 1506, uma multidão perseguiu, violou, torturou e matou centenas de judeus (mais de 4000, segundo o relato contemporâneo de Garcia de Resende ), acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país. Isto sucedeu antes do início do funcionamento da Inquisição e nove anos depois da conversão forçada dos judeus em Portugal, em 149, durante o reinado de D. Manuel I. No entanto, quando do grande terramoto de Lisboa em 1531. frades de Santarém relacionaram os danos verificados na cidade pela presença de judeus, ou melhor, de «cristãos novos», visto que os judeus haviam sido expulsos no reinado de D. Manuel, Gil Vicente combateu esta tentativa de culpabilizar os hebreus, numa carta que leu perante os próprios frades, atacou as prédicas dos clérigos que aterrorizavam os fiéis anunciando-lhes que os cataclismos eram resultado da ira divina contra os pecados dos homens.
Com o mesmo esclarecedor objectivo, escreveu uma carta a D. João III condenando a perseguição aos judeus. Curioso o facto de, em 1755, uma das tais «explicações» encontradas para o sismo, tenha sido a das perseguições feitas aos judeus, a par com hábitos debochados importados de França e de Itália e com a proibição de os crentes lerem a Bíblia. Mas aí, o Marquês de Pombal decretou que o sismo tinha tido causas naturais, ciando sob o braço da Justiça quem o atribuísse à ira de Deus.
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Matança da Noite de São Bartolomeu
A intolerância tem sido, ao longo dos tempos, a causa principal de guerras, genocídios, massacres, holocaustos. As religiões têm assumido um trágico protagonismo neste aspecto específico da ignorância humana. A convicção de que a nossa crença se deve sobrepor à dos outros, porque só ela é verdadeira, o chamado integrismo, é criminosa . Não raro, esta deformidade tem sido usada por políticos para melhor manipularem massas.
O aproveitamento político de convicções religiosas e, sobretudo, do fanatismo, tem sido e continua a ser feito nos nossos dias. Em todo o caso, a intolerância não se restringe ao campo das religiões. Quando se impõe a ferro e fogo, em nome de valores éticos, um sistema politico e se desencadeiam guerras para favorecer interesses económicos, está a dar-se provas de uma intolerância que, do ponto de vista moral, é ainda mais criminosa do que o integrismo religioso.
Em França, em 24 de Agosto de 1572, e foi desencadeada em Paris uma matança de protestantes (huguenotes) que se prolongou por meses. As estimativas do número de mortos oscilam entre os 30 mil e os 100 mil huguenotes assassinados. Aparentemente tratou-se de um fenómeno religioso, mas por detrás destas perseguições houve motivos políticos. Vejamos.
Em 1572, o casamento real de Margarida de Valois, irmã do rei católico de França, com o huguenote Henrique de Navarra, parecia preanunciar uma aliança que poria fim à crispação entre protestantes e católicos, e legitimar a pretensão de Henrique ao trono de França. Porém, em 22 de Agosto verificou-se a tentativa de assassínio do almirante Gaspard de Coligny, chefe espiritual dos huguenotes parisienses. Um acto isolado de um fanático católico?
Não. O criminoso, um tal Maurevert, era um consabido agente de Catarina de Médicis, mãe do rei Carlos IX. Era ela, aliás, que detinha o controlo político do Estado. O almirante ficou apenas ferido, mas os huguenotes ficaram enfurecidos com esta provocação e protestaram de forma veemente. Na madrugada de 24 de agosto, o dia de São Bartolomeu, de acordo com listas elaboradas pela família real começaram a ser assassinados em Paris destacados huguenotes. Depois, o massacre generalizou-se. Entre 24 de Agosto e Outubro, os protestantes foram sendo massacrados, já não só em Paris, mas também em Toulouse, Bordéus, Lyon, Bruges, e Orleães. Uma das mais trágicas e feias páginas da história de França.
Regredindo um milénio, hoje são fanáticos muçulmanos que matam indiscriminadamente, desmentindo a tolerância religiosa que os caracterizava. Como podem seres humanos matar em nome de Deus? Será que Huitzpochtli invadiu o território do Deus de Abraão?
