A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – Num email divulgado por Wikileaks, Hillary Clinton assegura que a Arábia Saudita financia o Estado Islâmico I

Selecção  e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – Num email divulgado por Wikileaks, Hillary Clinton assegura que a Arábia Saudita financia o Estado Islâmico I

Texto disponível em:

http://www.itele.fr/monde/video/dans-un-mail-divulgue-par-wikileaks-hillary-clinton-assure-que-larabie-saoudite-finance-letat-islamique-171430

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O sítio “WikiLeaks” publicou milhares de emails atribuídos ao diretor de campanha de Hillary Clinton. Num deles, datado de 2014, a candidata à Casa Branco escreve preto no branco que a Arábia Saudita e o Catar financiam o grupo Estado islâmico.

Os “Podesta Emails” vão acabar por atingir Hillary Clinton? Após uma primeira rajada de revelações, no mínimo, embaraçosas para a candidata democrata à Presidência dos EUA, o sítio “WikiLeaks” reincidiu com a publicação, segunda-feira 10 de outubro, de quase 2.000 novos correios eletrónicos atribuídos ao diretor de campanha de Hillary Clinton, John Podesta.

Num destes correios eletrónicos, intitulado “Congrats”, Hillary Clinton (“H” nesta mensagem) envia a John Podesta, então conselheiro de Barack Obama, um plano em oito partes considerado como a definição de uma estratégia para combater o grupo Estado islâmico. A acreditar nesta mensagem escrita a 17 de agosto de 2014, o seu plano baseia-se nomeadamente em informações recolhidas junto dos serviços de informações europeus e americanos.

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Capture d’écran du site “WikiLeaks”

Esta reprodução do ecrã de “WikiLeaks” mostra que Hillary Clinton faz referência “à ISIL”. Trata-se da antiga denominação do grupo Estado islâmico: “Islamic State of Iraq and the Levant”.

Pôr sob pressão os governos do Catar e a Arábia Saudita”

Hillary Clinton, que tinha ocupado desde janeiro de 2009 até fevereiro de 2013 o posto chave de Secretária de Estado, começa por explicar que é necessário, no Iraque, apoiar-se sobre os combatentes curdos para enfrentar um inimigo então no máximo da sua capacidade ofensiva. Os peshmergas são elogiados pelas suas relações estreitas e duradouras com os agentes da CIA.

Mas sobretudo, a atual candidata à Casa-Branca escreve preto sobre branco, tal a evidência, que a Arábia Saudita e o Catar, não obstante aliados dos Estados Unidos, financiam o grupo Estado islâmico:

Paralelamente às nossas operações militares e paramilitares, devemos utilizar a nossa diplomacia e aproveitar das vantagens dos nossos serviços de informação para pôr sob pressão os governos do Catar e da Arábia Saudita, que fornecem um apoio financeiro e logístico à Daech e a outros grupos radicais na região.”

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De assinalar que quando Hillary Clinton envia esta mensagem [em 17/08/2014], os Estados Unidos, a Arábia Saudita e o Catar acabam de se envolver numa coligação contra o grupo Estado islâmico. As primeiras operações tinham sido efetuadas apenas escassos dias antes, a 8 de Agosto.

A Arábia Saudita sempre negou

Que consequências vão ter estas divulgações “de WikiLeaks” sobre a campanha da candidata democrata? De momento, é impossível sabê-lo, como é impossível adivinhar se as relações entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita irão ser atingidas. O que é certo, é que os Sauditas sempre negaram estarem a financiar o grupo Estado islâmico.

No final de 2015, o ministro saudita dos Negócios estrangeiros, Adel al-Joubeir, tinha-se insurgido contra estas acusações:

É incrível dizer que a Arábia Saudita financia os movimentos djihadistas numa altura em que Daech está envolvido em luta contra a Arábia Saudita e deseja apropriar-se de Mecca e Medina para restaurar o seu califado. “

Em fevereiro de 2016, Adel al-Toraifi, ministro da Informação e a Cultura, assegurava numa entrevista dada ao Figaro que “a abordagem saudita na Síria é clara: combatemos Daech”:

Os organismos internacionais especializados na luta anti terrorismo reconheceram que a Arábia era um dos países mais empenhados em matéria de contraterrorismo, de luta contra o financiamento deste terrorismo mas também em matéria de des-radicalização. “

Estes desmentidos sauditas deixaram sempre céticos diversos observadores.

A Fundação Clinton na mira dos Republicanos

Nem Hillary Clinton nem John Podesta reagiram à publicação deste email. Não é o caso dos meios de comunicação social conservadores, que rapidamente escreveram sobre estas novas fugas, à imagem do “Fox News”, do “Daily Fixar” ou do “Russia Today”, muito mais rápidos que os seus colegas pró Clinton.

Durante todo o dia, a equipa de campanha de Donald Trump, através da sua conta oficial Twitter, não cessou de atacar Hillary Clinton a propósito destes “Podesta Emails”. Mas foi necessário esperar por terça-feira à noite para que a equipa Trump descobrisse o valor desta escaldante divulgação. A equipa de Trump surpreendeu-se ainda pelo facto de que a Fundação Clinton “continuasse a receber milhões de dólares” por parte da Arábia Saudita e do Catar enquanto que “Hillary Clinton sabia que estes dois países estavam ligados ao grupo Estado islâmico”.

Trata-se de mais uma pedra no sapato da candidata democrata, já posta em dificuldade exatamente por “WikiLeaks” antes do segundo debate das presidenciais. A primeira remessa dos “Podesta Emails” traçava com efeito o retrato de uma Hillary Clinton atraída pelo dinheiro, falsa, mais liberal que nunca e completamente afastada dos seus concidadãos. Distante, muito distante da imagem que tenta projetar.

 

(continua)

 

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