A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – Hillary e Bill Clinton: O casal «Bonnie e Clyde» da política americana

Selecção  e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro

Hillary e Bill Clinton: O casal «Bonnie e Clyde» da política americana

WAYNE MADSEN

Se a informação veio dos e-mails pirateados e dos arquivos de computador ou ainda dos pedidos feitos na base de Freedom of Information Act requests, as revelações sobre as políticas e as actividades empresariais de Hillary e Bill Clinton com os seus compadrios fazem-nos regressar a uma outra época, à Grande Depressão da década de 1930 e a uma onda de crimes de um outro casal sem escrúpulos: salteadores de bancos no limite do desespero, Bonnie e Clyde.

Além de Hillary Clinton executar a sua própria política estrangeira bem lucrativa «off-the-books» através dos seus servidores de e-mail privados e da cadeia de e-mails dos associados e dos seus valetes de serviço, era ela e o seu marido juntos na Fundação Clinton e com as suas operações conjuntas através de Teneo Capital que põem bem em evidência a palavra “corrupção”. Os servidores foram simplesmente um mecanismo pelo qual os Clintons faziam funcionar a sua própria operação de extorsão «pay-to-play», algo que teria feito a inveja de um contemporâneo de Bonnie e Clyde, o chefe do crime de Chicago, Al Capone.

Teneo, que executa operações como hedge fund, fundo especulativo, e um serviço de «inteligência privada» completamente cheio de antigos agentes da CIA, é onde a «amiga» e assessora de Hillary Clinton, Huma Abedin, trabalhava simultaneamente no seu emprego de governo com o Departamento de estado. A investigação do Federal Bureau of Investigation sobre 650.000 e-mails encontrados no computador portátil de Anthony Weiner, deputado democrático por New York, ex-marido de Abedin, é apenas a ponta do iceberg. Enquanto os agentes do FBI vasculham os e-mails de Abedin que foram descobertos no laptop e olham para os emails de Hillary Clinton que também não foram destruídos pelos seus assessores, ou que nunca foram registados, a verdadeira história é a investigação do FBI que está a ser feita sobre a Fundação Clinton e o Hedge Fund Teneo.

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Legenda: Huma Abedin e o ex-marido

Cinco gabinetes de campo do FBI estão a investigar o crime organizado da Fundação e as conexões estrangeiras de Teneo. Os gabinetes incluem Nova Iorque; Los Angeles; Washington, D.C.; Little Rock, Arkansas; e Miami. Little Rock é a casa da Fundação Clinton, enquanto Nova York é a base da Teneo. A participação do gabinete de Miami na investigação sobre Clinton é significativa. Um dos muitos escritórios globais da Teneo está localizado em Bogotá, Colômbia. Trata-se de um secreto fundo de investimento colombiano privado , «Fondo Acceso», financiado pela megabilionário mexicano Carlos Slim e pelo magnata canadiano da indústria mineira Frank Giustra, e é feito a partir do escritório de Bogotá da Fundação Clinton. Seguindo o rasto do dinheiro que alimenta a Fundação Clinton pode-se possivelmente incluir receitas do tráfego de narcóticos ilegais na Colômbia e de outros países próximos. As atividades de Bogotá da Fundação Clinton, «Fondo Acceso», que ironicamente significa «Fundo de acesso» e Teneo parecem concentrar-se no parque empresarial de Chico na capital colombiana. Portanto, o envolvimento do escritório de Miami, na investigação do financiamento da Fundação Clinton, incluindo as grandes doações de Slim e Anastásia, faz muto sentido.

Teneo foi co-fundada desde longa data pelo associado de Bill Clinton, Doug Band, que serviu no gabinete dos conselheiros da Casa Branca de Clinton e depois como assessor de Clinton na Fundação Clinton e seu associado na Clinton Global Initiative. O irmão de Band é o médico de Clinton que acompanha o ex presidente em viagens ao exterior. Doug Band foi a personagem central que pressionou a nova administração de Barack Obama em 2008 para nomear Hillary Clinton como Secretária de Estado.

Com a sua nomeação para a Secretaria de Estado Hillary Clinton mostrou que havia muito pouca diferença entre o seu Departamento de Estado, a Fundação Clinton com a Global Initiative e o Hedge Fund Teneo. Abedan serviu como diretora da equipa de transição bo Departamento de Eastado que deixou depois para lançar a sua candidatura presidencial após a eleição de Novembro de 2012. A partir desse momento, Hillary Clinton, Abedin, Doug Band, e o chefe da campanha de Clinton John Podesta assim como outros aparecem envolvidos numa enxurrada de emails com a finalidade de 1) assegurarem que que os arquivos nos servidores privados foram apagados ou higienizados; 2) oficialmente cortarem todas as ligações entre eles e a Fundação Clinton e Teneo; e 3) para pintar um quadro para o público em que tudo era bom e legal no que diz respeito a Hillary Clinton como principal responsável pela política externa dos EUA. Infelizmente, toda a equipa de Clinton foi exposta com a publicação de e-mails de Sra. Clinton a partir da tomada de posse como Secretária de Estado em 2009 até ter lançado a sua campanha à Casa Branca em 2013.

O retrato pintado pelos e-mails mostra um dos bandidos modernos de hoje capaz de espremer tudo o que possivelmente poderia ser obtido a partir do suposto serviço público.

O gabinete do FBI de Nova York estará também provavelmente a olhar para as relações de Teneo com outros aliados de Clinton. Foi Teneo que aconselhou a empresa de investimentos MF Global do antigo governador democrático de New Jersey Jon Corzine quando MF Global estava a entrar em colapso no meio de acusações de grande fraude de Corzine, um homem leal a Clinton. É também conhecido como Hillary Clinton comunicou com o Presidente Obama sobre o seu servidor privado e em que Obama usou um pseudónimo. Obama mentiu ao povo americano, quando afirmou que soube primeiro da existência de servidor da Sra. Clinton pelas notícias dadas pelos media. Há pouco para nos espantarmos porque é que Obama se recusou a condenar o diretor do FBI, James Comey, pelo re-lançamento da investigação dos e-mails de Clinton, baseado na descoberta do tráfego adicional no laptop do Weiner. Houve Presidentes que se afundaram profundamente em escândalos, deitando-se sobre «o que sabiam, e quando sabiam» e foi isto que ajudou a afundar a administração de Richard Nixon e quase custava a de Ronald Reagan e Bill Clinton nas suas respetivas presidências. Obama foi inteligente em não interferir em muitos casos de crime que são da alçada do FBI que agora acumulados geram uma onda gigantesca contra Hillary Clinton.

Os muitos escândalos de Clinton também envolvem a transferência ilegal de armas fabricadas nos EUA – e no estrangeiro- para os djihadistas rebeldes na Líbia e na Síria contra a lei dos EUA. Quando Clinton e Abedin supervisionaram as rebeliões da Jihad em ambos os países, os EUA foram sujeitos à imposição de um embargo de armas da ONU dirigido contra os dois teatros de guerra civil. A decisão repentina em 5 de outubro de 2016, tomada pelo Departamento de Justiça para retirar todas as acusações contra o grupo de defesa de Turi sob licença do Estado de Arizona e contra o seu proprietário Marc Turi, por violar a lei dos EUA pelo envio de armas não registadas aos rebeldes líbios, algumas das quais foram transferidas aos rebeldes sírios pela “antena” da CIA em Benghazi, mostra que o procurador-geral Loretta Lynch queria que o caso de Turi desaparecesse antes da elçeição do dia 8 de novembro .

O julgamento federal de Turi e da sua companhia deve começar no dia 8 de novembro. A acusação contra Turi foi levada ao tribunal dos Estados Unidos pelo distrito do Arizona em Phoenix. O aeroporto Internacional de Phoenix Sky Harbor foi palco de um improviso e altamente questionável encontro entre Bill Clinton e o procurador-geral Lynch em 27 de Junho de 2016. Turi defende que a aprovação para os carregamentos de armas secretas fornecidas à Líbia e à Síria foram pessoalmente aprovadas por Hillary Clinton e tinha a luz verde da CIA. Qualquer novo email ou outra prova de que a Sra. Clinton autorizou os carregamentos de armas ilegais para os terroristas jihadistas teria exigido que o FBI ampliasse a sua investigação quer sobre Hillary e Bill Clinton como sobre Lynch. Hillary Clinton pode ter violado a lei federal, permitindo o carregamento de armas para as partes beligerantes na Líbia e na Síria; Bill Clinton pode ter obstruido a justiça ao ir falar com o procurador-geral; e Lynch pode ter violado o juramento do cargo em ter abusado da sua posição como representante da lei do país em vista de uma conspiração criminosa para obstruir a justiça.

O escândalo de Clinton, em muitos aspectos, assemelha-se ao episódio do Irão-Contras mais do que com o caso Watergate. Em Watergate, o encobrimento feito por Nixon e pelos seus comparsas, em muitos aspectos, foi pior do que os primeiros crimes. No Irã-Contras, os crimes de contrabando de armas e de tráfico de drogas são taão graves quanto o seu encobrimento feito pelo então Vice Presidente George Bush de W. H. em toda esta questão. Com o caso “E-mailgate” do casal Clinton, o transporte de armas dos EUA para os terroristas e o facto de ter aceite donativos externos para a campanha vindos de regimes desonestos da Arábia Saudita, Marrocos e Qatar é tão mau quanto o evidente encobrimento que se lhe seguiu feito por Hillary Clinton relativamente ao seu marido e aos seus comparsas.

Se estes muitos casos são aqueles em que possivelmente o FBI e os seus gabinetes em Washington, New York, Little Rock, Los Angeles e possivelmente Phoenix, estão a olhar, então o diretor do FBI tem todo o direito e a responsabilidade constitucional de informar o Congresso e os eleitores americanos. E o diretor do FBI Comey tem todo o direito de não entregar ao bando de Clinton o que ele, FBI, tem sobre a mesa nesta investigação sobre eles, entrega de provas agora exigidas pela Sra. Clinton e os seus partidários. Estes factos podem tornar-se material para o impeachment de Clinton do cargo de Presidente dos Estados Unidos se esta for eleita em 8 de novembro.

WAYNE MADSEN, Hillary and Bill Clinton: The «Bonnie and Clyde» of American Politics. Texto publicado em 3 de Novembro de 2016 por: On Line Journal Strategic Culture Foundation. Texto disponível em:

http://www.strategic-culture.org/news/2016/11/03/hillary-bill-clinton-bonnie-and-clyde-american-politics.html

Nota sobre o autor do texto:

WAYNE MADSEN: Investigative journalist, author and syndicated columnist. A member of the Society of Professional Journalists (SPJ) and the National Press Club

 

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