TUDO ISTO DÁ QUE PENSAR por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Vivemos abafados  por uma manta tecida de violência e de agressividade.

Quando falamos em violência estamos a falar do artigo nº 1 da Declaração dos Direitos Humanos  “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”, a qual exclui qualquer tipo de violência.

A violência pode ser contra os outros, contra um grupo ou comunidade e ainda contra si próprio.

Ao longo da História da humanidade, diversos acontecimentos foram alterando o entendimento da violência entre humanos. Muitos estudos têm sido feitos relativamente à Violência Doméstica, à Violência na Escola e na rua para uma melhor compreensão dos comportamentos agressivos e violentos.

A violência e a agressividade não são exclusivas de nenhuma classe social, estatuto, género ou idade.

 A família sempre foi entendida como uma instituição segura e protectora. Mas a sociedade foi mudando e os comportamentos também. Porquê?

A violência e a agressividade têm sido analisadas sobre várias vertentes: social, filosófica, psicológica, pedagógica. Muita violência se poderia evitar se as sociedades fossem mais justas e se regessem de acordo com a Declaração dos Direitos Humanos que foi assinada também por Portugal.

Ultimamente têm aparecido nos meios de informação a violência, não doméstica, mas em casa, ou seja, no seio familiar.

A coesão social e familiar estão frágeis. Vêem-se notícias de terror familiar na televisão, a toda a hora, entre homens e mulheres e entre filhos e pais, independentemente das idades.

Toda a gente que é entrevistada na rua fala pelo senso comum: ficou sem emprego, estava bêbado, tem ciúmes!

A violência no seio da família é multidisciplinar e, por isso, também, de difícil acompanhamento dos agressores e dos agredidos.

Quanto mais a sociedade é tolerante em relação à violência, mais actos de violência, no seio da família, são motivo de notícia. Os agressores não têm uma sanção social, familiar equilibrada e justa por parte dos Tribunais

Há provérbios que fazem chacota ou tentam minimizar o acto em si. Por exemplo quem nunca ouviu dizer:

Entre marido e mulher não metas a colher; O amor é cego.

.Lá em casa manda ela, mas sou eu que mando nela.

Enquanto escrevo, quantas mulheres foram agredidas ou mortas, quantas crianças e idosos foram vítimas de violência. Quantos homens recorreram às instituições de apoio à vítima?

 Segundo os dados da APAV aparecem cada vez mais queixas de homens que se sentem vítimas da violência em seio familiar.

Toda a violência no seio familiar é crime público. Começamos agora a ouvir falar de mulheres que maltratam os homens, como há tempos ouvimos falar de violência contra os idosos.

Tudo isto dá que pensar. Porque é que em vez de estarmos a viver uma época com menos violência, estamos a “descobrir” mais comportamentos violentos ou agressivos?

 

 

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