ZECA (4) – A «matança da Páscoa»

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Desde a ridícula manifestação da «maioria silenciosa», em Setembro de 1974, que se esperava uma grande ofensiva da direita. Entre os 20 e os 40 anos, Portugal dispunha de cerca de um milhão de homens com treino militar, pois desde 1961 a política colonialista de Salazar e Caetano provocara uma guerra que se desenvolvia em três frentes.

A Revolução de Abril possibilitara a paz e a soberania nacional aos povos das colónias, mas a realidade era essa – centenas de milhares de portugueses haviam-se habituado aos horrores da guerra. Uma guerra civil produziria uma situação de pesadelo. Diga-se que havia também homens válidos, mas que tinham prestado serviço militar antes da espingarda G-3 ter substituído a velha Mauser, que ainda não tinham sido incorporados. Para não falar nos numerosos refractários que começaram a chegar do  estrangeiro.

Em Fevereiro de 1975, fui preso com outros companheiros por estar numa sessão de treino de manuseamento desse armamento em uso e seriamos julgados em tribunal militar se uma vinda a Portugal do papa não nos tivesse concedido uma amnistia.

O 11 de Março provou que as nossas preocupações faziam sentido. Um inspector da Judiciária que me interrogara e encontrou depois a ler o jornal no  café Limo Verde da Parede, pediu licença para se sentar à minha mesa e declarou-se banzado com a o acerto da previsão que fizéramos.

Pois foi no dia 11 de Março que tive oportunidade de conhecer pessoalmente José Afonso.

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