EDITORIAL – A NOSSA CUBA

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Fidel Castro foi a enterrar no passado dia 4 de Dezembro. Uns dizem que, com a sua morte, Cuba vai entrar em grandes mudanças, com uma orientação política diferente. Outros, acham que Cuba continuará o seu caminho e procurará mesmo consolidar os avanços que terá conseguido em campos como a saúde e a educação. Claro que, entre os adeptos de cada uma destas hipóteses há diferentes opiniões sobre a pessoa de Fidel Castro e o que foi o seu papel, internamente e no resto do mundo. As manifestações que ocorreram na altura da sua morte demonstram essa divisão. Mas um exame atento do que se tem passado permite concluir que a simpatia excede a condenação, pelo menos, se olharmos ao número e à diversidade de pessoas que exprimiram mais claramente a sua simpatia ou antipatia. É claro que Cuba hoje em dia tem a atenção de todo o mundo, e que, de uma maneira ou outra, os cubanos gozam de simpatia generalizada, e que só minorias pouco esclarecidas ou mal orientadas acham que deve voltar a uma situação de sujeição ao seu poderoso vizinho do norte.

O que marcou profundamente a vida de Cuba nas últimas décadas foi sem dúvida o bloqueio norte-americano, que continua hoje em dia, apesar de todas as boas intenções declaradas ultimamente. Há quem pretenda que o bloqueio não tem consequências assim tão graves como as invocadas pelo governo cubano; o que é indesmentível é que impõe restrições gravíssimas a um país de cerca de 11 milhões de habitantes e que foi desenhado para levar Cuba à rendição, tal como no século XIX foi feito com o Haiti, outro país das Caraíbas, situado mesmo ao lado. O governo de Cuba teve e tem com certeza muitos defeitos (todos os governos os têm), que têm de ser corrigidos, mas não é por causa deles que existe o bloqueio. Sobre este assunto propomos que cliquem nos links abaixo.

O mundo deve respeito ao regime cubano, até por ter demonstrado que mesmo em condições difíceis é possível introduzir melhorias na vida de um povo. Desdenhar de se ter conseguido introduzir melhorias tão grandes na saúde e na educação de um país que vive com tantas dificuldades é atentar contra a justiça e a inteligência das pessoas. E tem a agradecer-se-lhe a intervenção em Angola, sem a qual o regime do apartheid sul-africano ainda hoje subsistiria, provavelmente alargado a toda a África Austral. Precisa o regime cubano de mudanças com certeza. Respeitá-lo não é querer que seja imutável ou imune a críticas. Não há regime político que delas não precise, e tem de continuar a tentar servir o seu povo melhor ainda. Também o regime vigente nos Estados Unidos necessita de mudanças e urgentemente, assim como o que procura ser imposto em toda a Europa, só para citarmos os países que pretendem apresentar-se a todo o mundo como democracias exemplares.

 

http://www.huffingtonpost.com/daniel-r-depetris/turns-out-henry-kissinger_b_5922858.html

http://www.salon.com/2014/10/02/henry_kissingers_dark_secret_why_the_warmongers_even_worse_than_we_thought/

http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2016/12/09/fidel-e-a-encazinacao-da-direita/

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