DO FILME “EU, DANIEL BLAKE” À MENTIRA INSTITUCIONALIZADA QUE NOS É IMPINGIDA A PARTIR DAS INSTITUIÇÕES QUE (DES) GOVERNAM O MUNDO – UMA SÉRIE DE TRÊS ARTIGOS por JÚLIO MARQUES MOTA – 1. REFLEXÕES EM TORNO DE DANIEL BLAKE.

júlio marques mota

Revisão de Francisco Tavares

Artigo Primeiro. Reflexões em torno de Daniel Blake

Hoje estou triste, muito triste. Fui ver o filme de Ken Loach, Eu Daniel Blake, com a minha neta, filha de alguém que desempregada e com dois filhos não tem sequer direito ao rendimento mínimo de inserção social, porque não é, porque não são pedintes, e que há quase dois anos espera que lhe seja revisto em alta o abono de família. Ficou-se a perceber e bem, sobretudo a minha neta, que afinal lá fora, na Inglaterra ou algures, é a mesma coisa, o mesmo desprezo pelas pessoas com dificuldades que aqui encontrámos em Portugal com Passos Coelho e com a Troika, assim como encontramos a mesma dureza nessa mecânica de destruição que é característica das políticas de austeridade severas e prolongadas.

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No caso presente, não falo à minha neta do caso dela e da mãe, sou mais simples, falo-lhe da empregada de uma grande cadeia de venda a retalho com quem falei hoje e de que já tinha falado com a minha neta à hora do almoço. Uma história simples, como há muitas por esse país fora. Há uns dois meses enquanto procurava os produtos que me interessavam, naquele mesmo estabelecimento, entre várias empregadas vi-a a arrastar os pés. Perguntei-lhe, o que se passa consigo? Estou à espera de ser operada a uma hérnia discal. Disse-lhe que não era médico mas que se precisasse de ajuda poderia procurar ajudá-la. Agradeceu, mas que não seria preciso. Semanas depois, passo pela caixa, vejo-a e pergunto-lhe pela operação. Diz-me que as dores mais intensas não têm nada a ver com a hérnia mas com um problema de uma queda dada no local de trabalho. Espera-se por uma junta médica da Seguradora. E o tempo passou, as chuvas vieram e o frio assolou-nos a alma. Ontem, precisamente hoje, passo pela caixa e lá temos a nossa mulher sofrida, muito sofrida. Agora o seu arrastar era penoso, a sua cara era de profunda dor, tangível diria mesmo, forçando um pouco a nota. Então, questiono eu… Sabe, a companhia de seguros nunca mais diz nada. Não estou em condições de trabalhar, se for ao médico de família dá-me baixa imediatamente e depois… Preciso do dinheiro, do que ganho, não aguento ter cortes por baixa, é isto que me responde à meia pergunta formulada. Respondi-lhe apenas: irei descobrir alguém de peso nessa seguradora. Esteja descansada que irei descobrir. Encerrei o assunto mas a cara dela não me saía da cabeça. Saio, chego a casa, procuro a minha lista de contactos e depois telefono a cada um dos meus amigos que, de imediato ou remotamente, poderão conhecer alguém com poder de decisão na referida seguradora. Entre várias chamadas a ter como resposta em mensagem que estamos em reuniões de Conselho e mensagens orais deixadas no telemóvel recebo na tarde do dia seguinte, por dos meus amigos A que contactou um seu amigo B que contactou um seu amigo C, lá se descobriu que havia um contacto que poderia ser utilizado e dizer-lhe que vinha da parte de C. Para quê, para pedir que fizesse avançar o processo para a decisão uma vez que cada dia de espera se traduzia em enorme sofrimento. No final da tarde desse dia, dirigi-me então ao estabelecimento comercial onde trabalhava a empregada e dirigi-me à caixa registadora onde estava a trabalhar, para a informar do contacto conseguido e então precisarmos o discurso para o contacto que eu iria utilizar. Logo que me viu disse-me: não se esteja a ralar comigo, a seguradora respondeu hoje e diz que não considera o caso como acidente de trabalho. Não devo protestar, tenho o meu emprego a segurar, obrigado na mesma, disse-me.

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“Eu,  Daniel Blake”: Ken Loach, sempre em protesto.

Viro-me para a minha neta e digo-lhe: nada a fazer. Eis aqui uma mulher que vai ser uma outra versão de Daniel Blake. Este arrastava-se com um problema grave do coração mas era considerado apto para o trabalho. Tem de procurar trabalho ou fica sem subsídio de desemprego e sem condições para viver. Esta mulher, no fundo, encontra-se numa situação equivalente. Esta, arrastar-se-á com um problema grave de coluna até que, no limite, venha a ser operada e sofra os cortes na baixa na sua magra conta bancária, possa ou não suportá-los. Depois, tudo se verá, sendo certo que, haja o que houver, não haverá aqui nenhuma cobertura do seguro. Seguir-se-ão cortes de ordenado pelas baixas de saúde no emprego e no limite, depois, haverá o desemprego por desajustamento pessoal para com o posto de trabalho. Nada disto é considerado resultado das condições penosas em que trabalhou. Uma “Daniela” Blake em potência, acrescentei à conversa.

Relembro uma amiga minha de um outro estabelecimento por onde frequentemente passava, que um dia destes me disse: hoje não me diga nada, que é daqueles dias que até me apetecia fazer uma asneira. Que se passa, questiono. Ah, professor, hoje é dia 9 e ainda não paguei a renda de casa. Pela primeira vez na vida! Porque… volto eu a questionar, não tendo acabado a pergunta. E a resposta é rápida e sibilina. Porque o meu patrão diz que não tem dinheiro para me pagar. Calo-me. Venho-me embora. Chego a casa e digo à minha mulher o que se passa, questionando-a se ela via algum problema em emprestar-lhe o dinheiro para pagar a renda. Claro que não, diz-me. Telefono à minha amiga em dificuldade a dizer-lhe que estivesse descansada que lhe emprestaríamos o dinheiro e a resposta foi ainda mais clara: agradeço-lhe do fundo da minha alma, mas obrigado, não quero. O meu senhorio conhece-me há muito tempo, vou-lhe explicar a situação e, de certeza, que irá compreender e esperar que eu lhe possa pagar. E assim foi.

Falo à minha neta de tudo isto, das equivalências destas situações quando comparadas com as situações mostradas no filme. Falo-lhe das causas de tudo isto e resumi a situação num exemplo muito simples: no filme contratam-se empresas, contratam-se seguranças não para se prestar um melhor serviço mas sim para se garantir que em segurança se pode não prestar nenhum serviço. Dei-lhe o exemplo das centenas de pessoas que morreram num inverno de muito frio, em Portugal, por falta de cuidados médicos, de serviços de apoio. Dei-lhe o exemplo da pressão do governo Passos Coelho para fazer cortes e mais cortes na saúde, dei-lhe o exemplo na precarização dos cuidados médicos, do encerramento de serviços médicos no interior do país, dei-lhe o exemplo do estrangulamento das urgências hospitalares, dei-lhe o exemplo dos cortes nos subsídios de desemprego, nas indemnizações para ir para o emprego, dei-lhe o exemplo das facilidades acrescidas para despedimentos, dei-lhe o exemplo da lei da ministra Cristas para facilitar os despejos, tal como no filme acabado de ver.

Avô, mas porque é o Passos Coelho ganhou as eleições, porque é que as pessoas não entendem isso? No filme, quando Blake pintava de protesto a parede externa dos serviços sociais, as pessoas lá fora, do outro lado da rua, gozavam com o que Daniel estava a escrever. Como é isto possível, avô? Sabes, a tua pergunta “como foi isto possível”, foi a pergunta feita pela rainha Isabel II numa das maiores e melhores Universidades britânicas, a London School of Economics, lembrei-lhe. Disse-lhe, sabes, as pessoas são sucessivamente enganadas, enganadas nos jornais, nos debates com pessoas escolhidas, praticamente em todos os jornais, nas revistas de grande público. São pura e simplesmente manipuladas. E o filme mostra isso: gente jovem, vestidas de carnaval, mascaradas com orelhas de bestas a gozarem com a atitude de Daniel Blake e com o seu protesto. Os jovens por seu lado são enganados, porque lhes é inculcado que a culpa não é do sistema, não é dos políticos, não, não é. Os culpados são aqueles velhos que já deveriam ter morrido e que ineficientes ocupam um posto de trabalho ou nele estão desadaptados e que as leis de proteção ao trabalhador não permitem despedir para dar lugar aos mais novos; os culpados são aqueles velhos, aqueles como Daniel, doentes que são um encargo para o contribuinte; os culpados são aquelas como Katia, acusadas de não quererem trabalhar e de só quererem viver à conta de subsídios quando há muito poucos empregos e para os poucos que há não lhes foi dada formação para os ocupar. São atiradas gerações contra gerações. Foi a prática do governo de Passos Coelho para desmotivar os processos de contestação social. Lembraste-te de ter falado nisso? Avô, então este filme podia ter sido feito Portugal? Claro que podia, tudo o que viste no filme, podes ver aqui bem perto de ti. Os exemplos de que te falei são uma boa prova de tudo isto, foi o que lhe respondi. Tens razão, continuei eu, trata-se de um filme que bem poderia ter sido rodado em Portugal. Apenas não temos por aqui nenhum realizador como Ken Loach e é pena. Olha, lembraste-te do Flávio, daquele estudante que te ofereceu um cachecol da seleção de futebol de Portugal? A cena da procura de emprego de Daniel Blake parecia um retrato do que foi a vida dele, de sítio em sítio, à procura de emprego e o trabalho que arranjou foi numa das empresas vinícolas em vinhos do Porto e vinhos tintos,  nas vinhas onde, para além do salário mínimo pelas 8 horas, era pago por hora extraordinária a 2,30 euros a hora apenas. Avô, mas isso é mais ou menos o que ganhava o rapaz que no filme se levantava às 5 da manhã para trabalhar duas ou três horas a guiar e descarregar um camião e voltar depois para casa sem mais nada para fazer, refere a minha neta.

Olho para ela e lembro-me de dois textos lidos na semana passada onde se dizia:

  1. Os bancos alimentares tornaram-se tragicamente uma forma normal de vida para 3,8 milhões de trabalhadores na Inglaterra que vivem na pobreza.

  1. Os contratos Zero horas estão a forçar os britânicos a irem aos bancos alimentares em todo o país porque não têm outros pontos de que possam socorrer-se.”

Um outro artigo:

  1. São quatro milhões de famílias com vidas destruídas as que vivem em casas frias e húmidas – os verdadeiros perigos da pobreza energética

  2. O problema da pobreza energética não será resolvido durante a vida de uma criança nascida hoje – mas está a destruir as vidas de milhões de britânicos”

E uma ilustração política de apoio a esta gente desfavorecida:

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Com um texto onde se pode ler:

“Parlamentares do Partido Trabalhista, incluindo o líder Jeremy Corbyn, vieram participar no banco alimentar e como donativos deram alimentos, dinheiro e apoio. Nenhum sinal das gentes do Partido Conservador, que como maus samaritanos, passaram pelo outro lado da estrada.”

Cumprir ou morrer de fome. Cumprir e morrer, como aconteceu em vários casos, durante um período de dois anos, em que 2.400 pessoas depois de procurarem apoio estatal, acabaram, cada um deles, por serem considerados “apto para o trabalho” pelo organismo responsável, o Departamento para o Trabalho e Pensões.

Se alguém não ficar furioso com o que aconteceu com Stephanie Bottrill, gente não será certamente. Stephanie Bottrill tinha caminhado deliberadamente para a morte na M6 contra um camião com atrelado, depois de lhe retirarem os seus subsídios, porque ou suportava as taxas sobre a sua habitação ou teria de sair[1] da casa onde vivia. A sua saída foi então o suicídio.

Se alguém não ficar furioso com o que aconteceu a Linda Wootton, que morreu no espaço de semanas depois de ser considerada apta para o trabalho, quando as cartas enviadas pelo Departamento de Trabalho e Pensões eram-lhe entregues numa cama de hospital, gente não será certamente.

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A dívida, a austeridade e o desemprego têm sido citados como fatores significativos no crescente número de homens britânicos que se suicidaram desde 2008, de acordo com um novo estudo recentemente publicado.

Académicos das universidades de Bristol, Manchester e Oxford estimam que 1.000 mortes adicionais por suicídio e 30-40.000 tentativas de suicídio adicionais podem ter ocorrido entre 2008-2010 depois de rebentar a crise económica, invertendo tendências anteriores na Grã-Bretanha, onde as taxas de suicídio entre os homens estavam em baixa.

A dívida e o impacto das medidas de austeridade são provavelmente outros importantes fatores neste aumento, de acordo com a investigação feita pelas universidades citadas, investigação esta que foi financiada pelo Instituto Nacional de Investigação em Saúde [National Institute for Health Research (NIHR)]. A análise sintetiza os resultados de um estudo mais amplo que terá custado 1,8 milhões de libras destinadas a prevenir o suicídio e a melhorar os cuidados aos que se autodestroem.”

“Numa recessão, todos os tipos de coisas acontecem”, disse David Gunnell, professor de epidemiologia da Universidade de Bristol. “As pessoas perdem os seus empregos, o governo toma decisões sobre onde e de quanto e como fazer cortes. Houve uma série de mudanças nos últimos três ou quatro anos, como o imposto sobre os quartos ou ainda mudanças sobre a concessão de subsídios. As medidas de austeridade estão a ser aplicadas e entretanto decorre um debate em torno dos créditos fiscais. O desemprego não é toda a história “.

Os números compilados pela Associação de Caridade da Saúde Mental Campaign Against Living Miserably (Calm) mostram que 4.623 homens de todas as idades ceifaram as suas próprias vidas na Grã-Bretanha em 2014, o equivalente a mais de 12 mortes por dia e respondendo por 76% do total de suicídios no Reino Unido naquele ano.”

Tens razão, disse-lhe e depois expliquei-lhe que o que no filme se mostrava com essa cena tem a ver com os contratos de trabalho ditos de zero horas, em que podes não trabalhar uma hora sequer mas tens de estar sempre disponível ao mínimo sinal de necessidade da empresa e ao salário que tu viste. É como se cada um deles enfiasse no corpo uma farpela com as letras Eu Daniel Blake, eu sou a precariedade em carne e osso. Mas o nosso Flávio não teve ele um contrato tipo zero horas? Disponibilidade total, salário de miséria e por fim, humilhação das humilhações, quando lhe é dito que não há mais vindimas a fazer e que lhe vão fazer o último pagamento, dão-lhe um papel para assinar em que era ele que se despedia da empresa? Achas que há muita diferença entre o mundo de Daniel Blake e o do nosso amigo Flávio, pergunto. Olha-me e interroga-me: avô, como é possível?

E lembro-lhe um caso entre muitos outros que poderia citar:

A irmã de um diabético que morreu depois de ter os seus subsídios cortados chorou depois de ouvir o ministro dizer que não há apoios do Estado para as pessoas vulneráveis.

A Esther McVey, Ministra do trabalho, foi entregue uma imagem de David Clapson – o homem encontrado morto no seu apartamento por cetoacidose diabética, duas semanas depois dos seus subsídios terem sido suspensos – na sequência de um inquérito feito por um restrito comitê sobre sanções a aplicar.

No confronto emocional, a irmã mais nova de Clapson, Gill Thomspon, apresentava a imagem a McVey e disse-lhe: ” um diabético não pode esperar duas semanas.” Uma referência ao tempo que alguém desempregado e com direito a subsídio de desemprego, quando sancionado, tem que esperar para receber um pagamento por estar em situação de dificuldades.

Quando Thompson descobriu o corpo do seu irmão, em julho de 2013, ela verificou que a sua eletricidade estava cortada, significando que o frigorífico onde guardava a insulina não estava a trabalhar. Falando ao Guardian em 2014, Thompson disse: “Eu acho que ninguém deveria morrer assim neste país, sozinho, com fome e sem dinheiro… Eles devem saber que punir as pessoas com diabetes é muito perigoso. Estou muito zangada contra o sistema; Eles estão a tratar-nos a todos nós como estatísticas, como números.”

Do que sabia disto tudo fiz-lhe uma síntese. Chegados aqui pergunto-lhe: quanta gente de trabalho ou que já trabalhou toda uma vida recusaria assinar o manifesto de Daniel Blake que tu ouviste no final do filme e que aqui reproduzo:

I am not a client, a customer, nor a service user.

I am not a shirker, a scrounger, a beggar, nor a thief.

I am not a national insurance number, nor a blip on a screen.

I paid my dues, never a penny short and proud to do so.

I don’t tug the forelock, but look my neighbour in the eye.

I don’t accept or seek charity.

My name is Daniel Blake, I am a man, not a dog.

As such, I demand my rights. I demand you treat me with respect.

I, Daniel Blake, am a citizen, nothing more, nothing less. Thank you.

Falo-lhe até de um grave incidente que aconteceu em França numa repartição do Rendimento Mínimo de Inserção Social, subsídio este que em Portugal foi recusado, no organismo correspondente,  à minha filha desempregada e com duas filhas a viver sozinha.

Este homem curiosa e tragicamente repete as mesmas palavras que Daniel Blake.  Conforme publica o jornal Est Republicain em 8 de Dezembro de 2016 cansou-se de esperar pelo que tinha direito: o pagamento da sua pensão de reforma. Dois anos à espera! Em frente ao balcão onde foi mais uma vez reclamar a sua pensão de reforma cortou os pulsos, o que se pressente   na fotografia abaixo e declarou à imprensa:

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“Eu planeei o meu ato. Se eu morresse, paciência. Mas é necessário que isto marque  as pessoas.  Agora, as pessoas do Rendimento Mínimo de Inserção sabem que existem pessoas que sofrem por trás dos seus registos, dos seus dossiers.

Quis provar que sou um ser humano, com os nervos já  todos esfrangalhados,  que espera o pagamento da sua reforma desde há dois anos.”

Eu sou um ser humano. O mesmo grito, em França,  que em Daniel Blake, na Inglaterra..

Ora nada do que acima foi dito e de que falámos é diferente do que se passa no filme, um filme em que se conta a vida de Daniel Blake e de Katia, em que esta por ter exigido reparações urgentes quanto a infiltrações de águas, foi pura e simplesmente despejada de casa em Londres e a quem é arranjado um apartamento em Newcastle. E isto com dois filhos na escola! A nossa lei Cristas em força, no Reino Unido. A cambada dos irresponsáveis políticos é igual por todo o lado, em Espanha com Rajoy à frente, em França com Hollande ou mais tarde com Fillon, em Itália com o caos que se irá gerar depois de falhado, para já, o golpe de Estado tentado por Renzi, em Inglaterra com os conservadores a gerirem dois processos, o da austeridade e o Brexit. E assim sucessivamente. Face a tudo isto direi, como o disse o ativista Jack Monroe na Inglaterra: Eu sou também Daniel Blake eu sou também a Katia Morgan daquele filme, como muitos milhares de homens e mulheres deste nosso país, ou de um qualquer país da União Europeia, se poderão igualmente sentir.

Tudo isto vem a propósito do filme de Ken Loach, tudo isto vem também a propósito de uma série de textos recentemente produzidos pelas Instituições Internacionais ou Regionais onde a mentira e a desonestidade assumem força de lei, face à crise económica que foi gerada e que como crise foi mantida. Os seus efeitos são semelhantes aos que se retratam no filme Eu, Daniel Blake.

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[1] Nota de tradutor. Imposto criado em 2013 chamado Bedroom Tax.

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