EDITORIAL – A POLÍCIA NA INTEGRAÇÃO EUROPEIA

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Foi abatido em Itália o indivíduo que terá sido responsável pelo atentado em Berlim do passado dia 19 de Dezembro, que causou pelo menos doze mortes e dezenas de feridos. Teve o destino da maior parte senão da totalidade dos executores deste tipo de actos: uma morte rápida, após resistir à polícia. Porque terá ele cometido o atentado (se foi mesmo ele)? Por dinheiro? Por vingança? Quem foram os seus mandantes? Os seus cúmplices? Saber-se-á um dia a resposta para ao menos parte destas perguntas?

Entretanto, na televisão ouvem-se frases como: a Europa não sabe defender-se, que, entre outras coisas, deveria ter serviços secretos únicos, centralizados. Acusam-se mesmo os países europeus de não querem abdicar dos seus próprios serviços secretos em favor de serviços centralizados, de não centralizarem a informação. A existência da Europol é considerada como insuficiente.

É extremamente duvidoso, para não lhe chamar um disparate, que alguma vez uma polícia política (pois é de isso que se trata) europeia centralizada contribuísse minimamente para um combate eficaz ao terrorismo. Para além das questões já várias vezes levantadas sobre quais serão as verdadeiras motivações dos indivíduos que praticam estes actos, quem os recruta, quem os comanda, outras se põem. Tendo em conta o que tem sido a acção da União Europeia, não será descabido pensar que a tal polícia supranacional (responderia perante quem? perante a comissão europeia que foi de Barroso e agora é de Juncker?) serviria sobretudo para reduzir as competências das polícias nacionais e desmotivar a acção destas. Sem falar da prevenção, que tem de ser feita em primeiro lugar no terreno. E também para velar sobre a aplicação e cumprimento das políticas emanadas das instituições europeia, a começar pelas políticas de austeridade.

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