Há um percentagem enorme de gente no mundo que vive razoavelmente mal. E uma percentagem ainda maior que vive abaixo de todos os limites da fome e da pobreza e disso morre, em grande parte e consequência.
Há uma percentagem (assaz bastantemente inferior àquela, diga-se) de gente no mundo, que vive acima de qualquer inimaginável quantidade de dinheiro, por entre um obsceno poder económico, numa eterna, sequencial e sempre exponencial acumulação de capital.
Para lá do Capital e do Trabalho, das mais valias, da exploração laboral e de todas as teorias económicas, a minha anunciada perplexidade tem a ver com o facto de haver gajos desses, que detendo alguns 60 mil milhões – estou a lembrar um John Grayken, da “Lone Star Funds” (espécie de monstruosa casa de prego à escala universal) a quem querem vender por tuta e meia o Novo Banco, em vez de o nacionalizar – não descansam enquanto não conseguirem chegar aos 61 milhões, estes gajos.
Ou seja, estes tais gajos continuarão arduamente a lutar, possivelmente até à morte, por uma (ainda) maior acumulação de capital.
Como se um milhão a mais ou a menos os tornasse mais ricos ou mais pobres.
Será aquele facínora mais feliz por possuir 61 mil milhões em vez de 60 mil?
Claro que não.
Donde se vê e logo se prova de como o dinheiro não dá felicidade, diz o povo e com razão.