EDITORIAL: para quando um tiro no pé?

 

Imagem2A velha metáfora do elefante na loja de louças, assenta como uma luva a Donald Trump. Dispara em todas as direcções e a todo o momento se arrisca a dar um tiro num pé. Até porque sem o passado «impoluto» que costuma ser exigido aos presidentes nem sequer é um «gigante com pés de barro». É um Pantaleão vulnerável.  As  agressões, apenas verbais, por enquanto, parecem querer desmantelar tudo o que as anteriores administrações fizeram. Não que esteja a destruir coisas valiosas, mas está a dinamitar pontes, a pôr em causa acordos e sempre com um pressuposto – os Estados Unidos podem fazer o que quiserem. Embora seja quase verdade, não é bem assim e parece-nos que os primeiros grandes problemas os vai ter dentro do próprio estado americano. E, como se sabe e o episódio Kennedy provou, os presidentes também se abatem.

 

O tiroteio desordenado vai lesar interesses e embora pareça que tudo o que promete e ameaçavai no sentido de afirmar a omnipotência ianque, há pormenores que lhe podem ser fatais – a guerra diplomática que está a desencadear com o México fere um negócio que floresce de ambos os lados da fronteira e que lesa alguns interesses americanos.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto viu-se forçado  a suspender  a sua visita de Estado a Washington, após ter sido publicado o decreto de construção do muro. A assinatura de Donald Trump, desviando fundos  federais para o começo imediato  das obras de construção do muro na fronteira com o México,  abriu uma guerra diplomática entre os dois países – o México não está  disposto a pagar as obras do muro e pareceu preferível cancelar a reunião. A humilhação a que Trump submeteu o Governo mexicano, não deixa margem para encontros. O episódio de anteontem abre uma crise diplomática entre os dois países. Declarações de Trump durante uma Conferência do Partido Republicano realizada ontem em Filadélfia, em nada contribuem para melhorar a situação: «:O presidente  e eu acordámos em cancelar a reunião –  A não ser que o México comece a tratar  os Estados Unidos de forma justa e respeitosa, este acordo será estéril e eu tomarei outro caminho. Não tenho alternativa».

Temos defendido o princípio de que um ogre representa melhor os EUA do que um cavalheiro, educado e polido. Trump chegará até onde puder.

As coisas nestes primeiros dias têm-lhe corrido bem. Mas abriu várias frentes e inimigos não lhe vão faltar. Pelos vistos, arranjar amizades não foi o seu objectivo, Está a fazer um jogo perigoso – para ele, para os Estados Unidos, para a Humanidade, Vamos ver como lhe correm as coisas.

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