

O mais notável e espantoso (e nojento, criminoso, degradante e vil) talvez nem sejam só aquelas queridas e sofredoras famílias – assim tão indecentemente ameaçadas, as pobres, pela reles populaça, comunistas e outras andrajosas personagens do género e da época, logo após o golpe de Abril – a fugirem, transidas de medo e horror para o acolhedor Brasil da altura, algo que quase nem passou à História e a regressarem pouco depois, já apaziguadas e prontas a encher-se de novo, mais e melhor ainda que no antigamente.
O mais notável e espantoso (e nojento, criminoso, degradante e vil) talvez sejam as responsáveis e políticas personagens (algumas já desaparecidas, poucas, infelizmente e até não há muito tempo, algumas delas) que nos fartamos hoje de ler, ver e ouvir – honestas, felizes, ricas e ponderadas, a cagar doutas opiniões, postas e comentários nos diversos canais televisivos de que dispomos, incluindo os do Estado e a ajudarem assim ao crescente acumular de cera e ramela, respectivamente, no zouvidos e no zolhos da populaça restante.
Que já vai na terceira geração pós-abrilada e juntamente com os seus antecessores os bebe e os degluta, encantada, deslaçada e mole. Notável a cobertura (ou o desinteresse, alheamento, imbecilidade, ignorância – é favor escolher) com que essa mesma e imensa mole humana, cada vez mais mole e menos humana, os acaricia e aceita.
Porque será que estes documentos – já absolutamente inodoros, inúteis, serôdios e inofensivos – passam às duas das manhãs?
É pra gozar?
Carlos
A História de Portugal às duas da madrugada…
Para os que não sabem ou ainda acreditam em Fátima e respectivo milagre…
carlos
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O filme Donos de Portugal passou às duas da manhã.
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Antes disso estreou em 22 de Junho de 2012, às 23.00. E foi exibido pela segunda vez em 5 de Novembro de 2014 às 23.00.
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Não consegui ver todo o vídeo pois já estava farto de ouvir o tal Prof. Rosas. A Universidade tem feito das suas!!! Depois do Mouzinho da Silveira, com o fim dos morgadios acabou, em Portugal, a acumulação primitiva do capital. Assim, em três gerações, delapidadas as heranças, acabaram os verdadeiramente ricos e com tradição de riqueza – riqueza fundiária – para serem substituído por patos-bravos que serão os protagonistas mostrados no filme. São homens ricos – enriquecidos à última hora – mas, jamais, capitalistas. Falta- lhes o necessário “pedigree”, pois para ser-se capitalista não basta ter fortuna. São meros patos-bravos que em três gerações desapareceram do horizonte social e económico, exactamente, como, nos dias que correm, pode estar a ver-se. Todas aquelas famílias mencionadas no filme ou estão falidas ou em vias de ir para a cadeia. Com as malfadas consequências políticas do 25 de Novembro abrir um novo ciclo de roubalheira e os seus protagonistas – tal é a decadência – já nem podem chamar-se de patos-bravos mas, apenas, de carteiristas. Onde estão a Democratização, a Descolonização e o Desenvolvimento? Temos a ditadura dos partidos, somos colonizados pela Germânia e desenvolvemos o consumismo.CLV