MAIS UMA… por Luísa Lobão Moniz

Não há um dia em que não haja uma notícia de feminicídio, cada vez mais violento e cruel.

O homem já não se satisfaz com assassinar a mulher ou a companheira, cada vez mais estes assassinatos são acompanhados por assassinatos de pessoas que se relacionam com a vítima.

Os assassinos são-nos apresentados como homens pacatos, com uma vida “normal”, simpáticos, de quem ninguém pode dizer que era capaz de “fazer isto à mulher”.

No meio da descrição de tanta pacatez lá sai, um pouco a medo, “bem ele às vezes maltratava a mulher, mas mais nada”

Bem, é do senso comum que maltratar uma mulher, a sua, uma vez ou outra não é nada para assinalar.

Esta semana um “bom” homem matou a mulher com uma faca, outro matou pessoas da relação da mulher independentemente da idade, do estado de gravidez de outra. Todas foram assassinadas com uma faca nas carótidas e na jugular.

O que este homem pacato sabe!

Há tempos um homem matou a mulher, pasme-se, por esta deixar queimar o arroz e por ir para o café falar das telenovelas.

Os maus tratos às mulheres, os assassinatos não são novidade na história da humanidade, perdem-se no tempo…

Quase toda a gente gosta de justificar este comportamento com o amor que ele tinha por ela, pelo ciúme, para quase toda a gente a mulher “ fez alguma, mas também não era preciso tanto”, é evidente que neste não era preciso tanto estarão os maltratos que também tem sempre uma justificação para muita gente.

A cultura da culpabilidade da mulher, sob qualquer forma, descansa a sociedade: temos tribunal e leis para decidir por nós.

A cultura da culpabilidade da mulher deve ser combatida e reflectida por todos. Os cidadãos devem crescer a saber que a vida é um bem que ninguém está autorizado a tirar.

Foram as mulheres maltratadas que fizeram com a sua luta contra a violência em casa desse origem a uma diferente representação da criança, no caminho para o seu reconhecimento.

Quem está disposto a lutar contra a violência das mulheres? Já foi demonstrado que a prisão não transforma mentalidades. Esta infundamentada superioridade do homem (força física e nem sempre) tem de ser desmontada.

Estes homens não são malucos, são pessoas perturbadas, sim, que assentam a sua agressividade, a sua violência sobre os mais próximos.

Esta questão não diz respeito só ao outro, é uma questão de todos, é uma questão civilizacional. A mulher e o homem não são iguais em termos de aparência física, mas os homens teimam em ser diferentes pelos piores motivos, querem ter o poder, o poder de quê? Querem ser valentes porque têm uma faca na mão?

A grandeza de um homem ou de uma mulher está nos seus valores de solidariedade, de respeito pelos outros.

1 Comment

  1. *Efectivamente arrepia esta forma de “amenizar ” actos de violência doméstica *

    *Este e outros não passam de psicopatas merecedores de prisão perpétua .*

    *Entretanto ,fala-se de “tratamento psiquiátrico”como se ,alguma vez haja hipótese de os tratar e serem recuperáveis como seres humanos?!*

    *As leis têm de ser revisionadas com mão pesada .Chega de paparicar homens doentes” incuráveis” .Sentem apenas que estão a ser ultrapassados no ” quero”,posso”e “mando”.*

    *”Mas :* Querem ser valentes porque têm uma faca na mão? A grandeza de um homem ou de uma mulher está nos seus valores de solidariedade, de respeito pelos outros.”

    *Maria *

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