OS CHINESES NÃO IRÃO INVADIR A POLÓNIA – NÃO À NOVA ROTA DA SEDA, por PAULINA DALMAYER

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Os chineses não irão invadir a Polónia – Não, à nova rota da seda

Paulina DalmayerLes Chinois n’envahiront pas la Pologne – Non à la nouvelle route de la soie

Revista Causeur.fr, 27 de Fevereiro de 2017

 

Era uma vez um país nem muito rico nem muito pobre que se prevalecia do título “de potência regional”. A região em questão, chamada Europa central, não era nem particularmente rica nem particularmente pobre. O valor deste país, ou mesmo a sua única riqueza, depois de as siderurgias terem fechado as portas e das minas se terem transformado  em museus, residia na sua posição geográfica, “central” como o nome da região indica.

Por sorte,  o país em questão, chamado Polónia, beneficiava da situação mais central na região central. Olhando para o mapa-mundo, os dirigentes polacos dos primeiros anos deste século constataram que isto era uma boa e  bonita oportunidade, na  condição de que as mercadorias enviadas desde a China para países mais ricos e mais importantes que o seu  viajassem  por  aqui de comboio e não por barco.

Uma delegação polaca por conseguinte foi recebida em Pequim a fim de se  iniciarem  importantes negociações, que duraram   muito tempo porque os Chineses tornam-se difíceis quando se trata de negócios. Acontece que estes são igualmente muito manhosos e  efetivamente compreenderam muito bem o interesse da proposta polaca cuja realização lhes faria   ganhar muito dinheiro.

O projeto de uma nova estrada da seda viu assim a luz do dia. Os Chineses prometeram investir 100 mil milhões de dólares para comprar baldios perto de Lodz e aí construírem as infraestruturas adaptadas. Os Polacos só teriam que lançar um concurso, uma história  de proceder de acordo com as regras.

Mas eis que, entretanto, se instalou um novo governo ultraconservador em  Varsóvia com, o que é normal,  com um novo ministro da Defesa, mais patriótico que os  mais patrióticos de todos os seus antecessores. Antoni Macierewicz – é o seu nome – e este, pura e simplesmente,  não apreciou estas negociações com os chineses que não levavam a lado nenhum, o que  não demorou tempo dizê-lo oficialmente. A acreditar na intuição estratégica do ministro, a suposta nova rota da seda  seria realmente apenas “uma tentativa de expansão chinesa e faria parte de uma conceção de estreita articulação entre a Europa ocidental, a Rússia e a China, no objetivo de eliminar a influência dos Estados Unidos do espaço eurasiático e liquidar a independência da Polónia”.

Conclusão, os Chineses, com os seus 100 mil milhões de dólares, foram discutir a futura estrada da seda com as autoridades romenas, que lhes deram melhor acolhimento. E o ministro Macierewicz, herói nacional, foi então decorado da medalha de embaixador da Economia polaca!

 

Paulina Dalmayer

Les Chinois n’envahiront pas la Pologne- Non à la nouvelle route de la soie.

 

Texto publicado pela revista Causeur. Publicação autorizada em português

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Ler o original clicando em:

http://www.causeur.fr/macierewicz-pologne-chine-conservatisme-isolationnisme-42749.html#

(Artigo só acessível a assinantes)

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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