Da América à Europa, de Trump a Clinton, de Marine Le Pen a Macron, o estado subterrâneo em ação – Texto 3. O que fazer? — por Paul Craig Roberts

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Texto 3. O que fazer? — por Paul Craig Roberts

3 de março de 2017

O que fazer é o título de um livro de Lenine. A sua resposta foi a de criar uma “vanguarda” revolucionária para difundir ideias revolucionárias entre os trabalhadores, a classe económica que Karl Marx tinha declarado ser a classe que iria crescer em força e iria alcançar o poder político. Finalmente então, a democracia, frustrado pelos interesses da classe alta dominante nas suas anteriores manifestações, tornar-se-ia uma realidade. Os trabalhadores iriam governar.

Dada a existência da maldade e das fraquezas humanas, as coisas não funcionaram dessa maneira. Mas a pergunta de Lenin permanece válida. Os americanos cuja vida económica e perspetivas para os seus filhos foram destruídas pela deslocalização da indústria americana e dos postos de trabalho com qualificações profissionais transacionáveis, tais como engenharia de software, responderam àquela pergunta elegendo Donald Trump.

Os americanos, pauperizados pelas grandes multinacionais offshore, elegeram Trump, porque este foi o único candidato na corrida para a Casa Branca que chamou a atenção para o problema e afirmou a sua intenção de o corrigir.

Ao afirmar que iria levantar a América, Trump alienou as empresas globais, os seus executivos e os seus acionistas, os quais beneficiaram por terem andado a roubar a vida económica aos americanos e a enviar a produção para o exterior, onde o custo do trabalho e os custos regulatórios são bem mais baixos. A tralha dos economistas neoliberais descrevem esta opção que reduz o rendimento real da força de trabalho norte-americano, como o trabalho benéfico do livre comércio

Estas empresas multinacionais com as suas deslocalizações não só destruíram as perspetivas económicas de milhões de americanos, mas destruíram também a base de impostos sobre o rendimento da segurança social e do Medicare, e a base fiscal dos governos locais e estaduais, com a consequência de que os numerosos sistemas de pensões estão à beira da falência. O fundo de pensões New York Teamsters Road Carriers Local 707 faliu ainda muito recentemente. Esta falência, prevêem os peritos, é o começo de um tsunami que se irá espalhar para os sistemas de pensões municipais e estaduais.

Se a isto adicionarmos os custos externos dos postos de trabalho deslocalizados que são impostos aos americanos, os custos excedem de longe o valor dos lucros que fluem para os cofres dos um por cento mais ricos da população. Claramente, esta é uma situação intolerável.

O número de americanos espoliados tem vindo sucessivamente a aumentar. Eles ignoraram o que diziam os meios de comunicação prostituídos, ou talvez tenham sido levados a apoiar Trump em virtude da hostilidade dos meios de comunicação. Trump foi eleito pelos americanos espoliados, pela classe trabalhadora.

A classe trabalhadora está fora dos favores da elite liberal/progressista/de esquerda que detesta a classe trabalhadora como racista, misógina, homofóbica, loucos armados que se opõem à criação de casas de banho para transsexuais. Assim, a classe trabalhadora, e o seu escolhido representante, Donald Trump, estão sob o assalto completo levado a cabo pela imprensa prostituída. Trump deve ir embora, é o seu slogan.

E assim poderia ser. Trump, num ataque de estupidez, demitiu o seu Conselheiro para a Segurança Nacional, o general Flynn, porque Flynn fez o que devia ter feito e falou com o embaixador russo, a fim de evitar uma resposta russa à provocação de expulsar diplomatas russos no Natal, feita por Obama.

Os russos têm sido diabolizados e são-lhes atribuídos poderes demoníacos. Se falar com um russo, cai imediatamente sob suspeita e corre o risco de ser considerado traidor do seu país. Esta é a história segundo a CIA, o Partido Democrata, o complexo militar e de segurança e os prostituídos meios de comunicação.

Uma vez que Trump vulnerabilizou Flynn, ele preparou a situação para o sacrifício de outros dos seus nomeados, até terminar em si-mesmo. No momento presente, “a conexão russa” é uma marca negra a funcionar contra o Procurador Geral de Trump, Jefferson Beauregard Sessions.  Se Sessions cair, Trump será o próximo.

Vamos ser claros. Como membro do Comité do Senado das Forças Armadas, Sessions reuniu-se com o embaixador russo, assim como se reuniu com vários embaixadores de outros países. Não há nada de anormal ou surpreendente sobre uma reunião de um senador dos Estados Unidos com os representantes diplomáticos estrangeiros.

Aqueles que acusam Sessions de mentir estão a deturpar os factos. Sessions reuniu com embaixadores na sua qualidade de senador dos Estados Unidos, não na sua qualidade de representante de Trump. Como ex-funcionário do Senado dos EUA, posso atestar que é perfeitamente normal que um senador dos Estados Unidos se reúna com diplomatas. John McCain e Lindsey Graham voaram mesmo até ao Oriente Médio para se reunir com os terroristas.

Apesar dos factos, o Washington Post, New York Times, CNN e todo o resto dos media prostituídos pela CIA estão consciente e intencionalmente a deturpar os factos. Os americanos não precisam de mais provas de que a totalidade dos meios de comunicação norte americanos se mostram totalmente desprovidos de integridade e de respeito pela verdade. Os media norte-americanos são uma coleção de prostitutas que mentem para ganhar a vida. Os media prostituídos são desprezíveis, são a escória da terra.

A verdadeira questão é como é que ter contactos com funcionários do governo russo se tornou crime, como é que é motivo para a eliminação de um Conselheiro de Segurança Nacional ou de um Procurador-Geral, e querendo produzir por isso mesmo uma situação de destituição do Presidente. O Presidente John F. Kennedy teve contatos permanentes com Khrushchev, o chefe do governo soviético, de modo a resolver a crise dos mísseis de Cuba / Turquia sem uma guerra nuclear. O Presidente Nixon teve contato permanente com os russos a fim de alcançar o acordo SALT I e o tratado de mísseis anti-balísticos. O Presidente Carter teve contato permanente com os russos a fim de alcançar o SALT II. O Presidente Reagan trabalhou com o líder russo, a fim de acabar com a Guerra Fria. Eu sei eu estava lá.

Mas se o presidente Trump quer atenuar as tensões extremamente perigosas que os regimes temerários de Clinton, George W. Bush e de Obama ressuscitaram contra um poderoso estado termo-nuclear só quer a paz com os EUA, então o presidente Trump e qualquer um dos membros por si indicados para a Administração que falaram com um russo são impróprios para ocuparem o lugar! Esta loucura é a posição dos idiotas liberal / progressistas /esquerda, da CIA, do Partido Democrata, dos imbecis de direita do Partido Republicano tais como Lindsey Graham e John McCain, e as reles prostitutas que compõem os meios de comunicação ocidentais.

Caro leitor, pergunte a si mesmo, como é que as comunicações com os russos, no interesse da paz e da redução das tensões podem ser consideradas um ato criminoso? Há leis aprovadas que determinem que é proibido pelas autoridades dos EUA falar com as autoridades russas? Será que cada um de nós está tão estupidificado que um meio de informação prostituído, qualquer que ele seja, que nunca, ao longo da nossa vida, nos disse uma só coisa de importante que seja verdade, nos pode agora convencer que aqueles que procuram evitar um conflito entre poderes termo-nucleares são “agentes russos”?

Não tenho dúvidas de que a grande maioria da população ocidental está despreocupada. Mas se não houver inteligência e consciência não importa onde na população, e não havendo seguramente nenhuma nos governos ou nos meios de comunicação ocidentais ou nas políticas identitárias dos liberais/progressistas/de esquerda, então não se espere estar vivo durante muito mais tempo.

Todo o mundo tem sido colocado no fio da navalha da sua existência devido à arrogância, estupidez e ganância dos neoconservadores americanos em quererem impor a hegemonia mundial americana. A ideologia neoconservadora é a cobertura perfeita para os interesses materiais dos militares e dos serviços de segurança do Deep State, o Estado profundo, que está a conduzir o mundo para a sua própria destruição.

Leia o original em http://www.paulcraigroberts.org/2017/03/03/done-paul-craig-roberts/

 

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