Da América à Europa, de Trump a Clinton, de Marine Le Pen a Macron, o estado subterrâneo em ação. Texto 9 – TRUMP e a dialética da Nova Ordem Mundial, por Auran Derien

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Texto 9. TRUMP e a dialética da Nova Ordem Mundial, por Auran Derien, universitário

Publicado por Metamag, em 7 de fevereiro de 2017

Texto 9 TRUMP e a dialética da Nova Ordem Mundial.jpg

Não é certo que Donald Trump tenha entendido para que é que ele serve na fase dialética posta em marcha para instalar a Nova Ordem Mundial (N.O.M.). Se ele for muito pretensioso em imaginar que está melhor equipado para nesta matéria ver mais claramente, dispomos ainda do recuo de um século de manipulações da invasão à escala global. Parece-nos possível capturar alguns dos seus truques. E propomos aqui três pistas:

1 – Trump esconde a extensão do poder dos banqueiros

A César o que é de César. Charles Maurras, em “l’avenir de l’intelligence” tinha antecipado, graças ao seu talento excecional, o futuro dos intelectuais e do pensamento num mundo onde a tirania do dinheiro se instalava. Ele conheceu a passagem da finança toda poderosa mas orientada para a grandeza das nações onde operava, para o mundo financeiro completamente à escala global que financia os intelectuais dos think tanks, as ONG, os media de massa encarregados de propagarem uma religião secular em que o internacionalismo socialista foi agora substituído pelo internacionalismo individualista dos direitos abstratos do Homo sapiens.

A revolução fundamental do século XX, talvez ainda não concluída aos olhos dos que a promovem, é a instalação de um sistema bancário internacional, completamente integrado, capaz de controlar a política ao mesmo nível. Donald Trump está encarregado talvez de completar ou reforçar este dispositivo, dado que deu as chaves financeiras da América à Goldman Sachs. Citemos, sem pretensão de exaustividade, Steven Mnuchin, diretor do Tesouro; Stephen Bannon, conselheiro especial; Gary Cohn, Diretor do Conselho Económico Nacional; Jay Clayton, chefe da Comissão do mercado dos títulos. Outras relações existem, em especial: a esposa de Clayton trabalha no banco G.S.; Joshua Kushner, o genro de Trump, é um excelente amigo do filho de Blankfein, o CEO de G.S; Dina Powell, de G.S., aconselha a filha de Trump, Ivanka; Erin Walsh, um antigo do banco, faz parte da equipa Trump; Anthony Scaramucci, ex-banqueiro de G.S. deslocou-se a Davos, supostamente a título pessoal, mas é um conselheiro pessoal de Trump. Etc.

Como a Goldman Sachs controla o grupo dos bancos centrais (Canadá, Grã-Bretanha, Banco Central Europeu,…), duvida-se que esta máfia deseje ser tida como a responsável de uma crise financeira que se poderia desencadear durante o seu tempo de presença ao lado de Trump. O objetivo supremo será reforçar esta rede de poder mundial que age acima de todo e qualquer Estado e fora de qualquer controlo.

2 – A destruição do cérebro em proveito da crença em verdades reveladas.

A imposição de uma religião secular é aquilo a que se dedica a internacional financeira. Esta pagou a todos os propagandistas do socialismo internacionalista que ela própria gerou, como o explicaram sociólogos como Jules Monnerot, uma epidemia psíquica que afetou todos os pensadores promovidos no Ocidente. É importante notar que a China mantem a sua referência à ideologia marxista e que os pregadores ocidentais, que dependem todos do grande rio de dinheiro que corre vindo da internacional Goldman Sachs e associados, defendem doravante o internacionalismo individualista do direito abstrato através do qual suscitam uma epidemia psíquica igualmente vantajosa à realização da Nova Ordem Mundial sem travões políticos ou intelectuais.

A sequência dialética, rodada durante o século XX está mais do que nunca bem atual:

A tese: o dinheiro é um absoluto, o critério absoluto de todo o sucesso. Permite reunir, sobre um mesmo plano, o mundo do desporto e do espetáculo, os ricos traficantes, os artistas modernos, etc. Todos mergulham no esquecimento os grupos civilizados, cultos, que fundaram a civilização europeia durante séculos.

A antítese: ontem, era o socialismo internacionalista que dava ares de criticar violentamente o capitalismo ao mesmo tempo que traficava imensamente com ele. O mesmo se passa hoje com o internacionalismo do direito do homo sapiens que permite tudo criticar, destruir, deitar abaixo, para vantagem da imunda rede financeira. É necessário manifestar contra Trump, por exemplo, vomitando os slogans fornecidos pelos responsáveis da lavagem ao cérebro, crápulas muito comparáveis aos de 1917.

A síntese: a nova ordem mundial, com, de um lado, todo o poder financeiro entre apenas algumas mãos, e do outro, os palhaços do internacionalismo do direito, homens que são financiados pelos primeiros. Os escroques intelectuais prometem aos ingénuos que os terão em consideração através da carta magna, que repartirão o poder entre os indivíduos eleitores, que os protegerão contra os abusos, unicamente postos à conta do político, nunca dos banqueiros que dominam tudo, etc. Em suma, a ditadura exercida sobre a população reforça-se. A internacional financeira inumana avança à sombra de Trump.

3 – Dos consistórios mediáticos às sociedades de novas tecnologias.

Muitos são os que têm observado o declínio dos boletins paroquiais, estes meios de comunicação social de massa na mão de oligarcas dominados pela internacional financeira Goldman Sachs. Estes boletins tinham começado a promover a mentira, o obscurantismo, a partir da guerra de 1914. Desde aí, a infâmia intelectual era celebrada como um culto religioso. No melhor dos casos, a propaganda permanente e sistemática, reinava sobre o conjunto das informações relevantes, com o apoio de todas as técnicas religiosas bem conhecidas através do estudo da destruição do politeísmo na Europa: falsos testemunhos, inquisição, pedido de eliminação de todas as elites, vontade de denegrir os grupos que não participavam no dogmatismo revelado. O princípio monoteísta é sempre o de recusar o debate erudito dado que em matéria de ciências humanas, estas seitas mentem. Os dogmas dirigem tudo e aqueles que não acreditam nisso são proclamados inimigos da humanidade.

O Pravda bolchevique de depois de 1917 serviu por conseguinte de modelo aos pseudointelectuais controlados pela internacional da finança. A população ocidental, por toda a parte, adotou a mesma atitude que a dos dissidentes do bolchevismo. Depois, eventualmente, os que desejavam poderiam sempre procurar a boa análise ou a realidade escondida. Os oligarcas mediáticos fazem-se então puxar as orelhas pelos seus mestres mais discretos, os da sombra. O que fazer? Transmitir o poder de barafustar, mentir, denegrir, ou seja todos os métodos dos meios de comunicação social de massa, às empresas Internet melhor controladas pois elas não são mais do que cinco e censuram ou denunciam sem que se possa acusar alguém em especial de crime contra os humanos que pensam.

Esta é a terceira função de Trump: permitir esta viragem, fazer entrar os meios de comunicação social alternativos e as redes sociais na grande guerra contra o cérebro, em prol da nova ordem mundial. O início foi grandioso e convém apreciar com que imbecibilidade satisfeita os lacaios da antítese, fazer sonhar sobre o direito dos homo-sapiens, ajudam a internacional financeira a aumentar o seu poder mundial.

Admitir-se-á com tristeza, e com uma grande gargalhada simultaneamente, que os lamentáveis homúnculos e outros Macro da paisagem francesa ainda nada tenham compreendido quanto à metodologia do duplo pensamento que, no entanto, é bem percetível desde o início do século XX. É provável que nulidades tão pegajosas como Hamon e Macron tenham interesse em nada compreender para desempenharem corretamente o seu papel de destruidores em prol dos seus mestres. Eles “não precisam” e decididamente nunca irão pôr em prática os conselhos de G.Orwell, destinados aos animais que teriam compreendido os princípios do duplo pensamento utilizado pela internacional financeira dos porcos da sua exploração agrícola de animais.

Não é necessário copiar a desumanidade da internacional para sairmos do seu controlo porque fazê-lo seria aceitar ficar tão infame quanto eles e o mundo tornar-se-ia o lugar do reino da Torre sombria, a Sauron, para recordar o exemplo do Senhor dos anéis. O essencial é compreender a metodologia, saber seguir-lhe o rasto e não permitir que funcione. Pode-se esperar aquilo das elites asiáticas, a prazo. Não se pode esperar o mesmo das elites europeias.

Leia o original em https://metamag.fr/2017/02/07/trump-et-la-dialectique-du-nouvel-ordre-mondial/

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