Da América à Europa, de Trump a Clinton, de Marine Le Pen a Macron, o estado subterrâneo em ação. Texto 10 – Modernizar os tratados ou pensar de outro modo! O México na incerteza. Por Auran Derien

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Texto 10 – Modernizar os tratados ou pensar de outro modo! O México na incerteza.  Por Auran Derien, universitário 

Publicado por Metamag, em 24 de Janeiro de 2017

Da America a Europa Texto 10 modernizar os tratados ou pensar de outro modo

A posição de vários países da América Latina, face à sugestão emitida por Donald Trump de que seria desejável renegociar voluntariamente diversos tratados – obviamente chamados acordos de livre comércio – é semelhante à que temos descrito para os europeus. Os servos do totalitarismo da invasão global engordam-se através de prebendas, compensações e outras percentagens sobre as vendas da riqueza dos seus países. Eles estão um pouco angustiados pensando que a sua percentagem poderia ser reduzida ou desaparecer. O México propõe de preferência uma “modernização” dos tratados.

México: a modernização do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte)

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, não quer renegociar. Na reunião de líderes dos países que participam no fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), ele afirmou que era conveniente modernizar os laços que ligam o México. Participando numa mesa redonda, sob a égide do Financial Times, disse que o trio Canadá, EUA, México representava um nó logístico e poderia transformar-se numa das regiões mais produtivas e competitivas.

No entanto, o desastre do acordo tripartido Canadá, EUA, México é hoje visível em todos os grupos sociais mexicanos, exceto entre os membros do partido da invasão global. O empobrecimento organizado é agravado pela falta de uma política contra a destruição da juventude pelas drogas e depois pela participação de gestores vadios na venda de recursos energéticos, agrícolas, minas, que são “cedidos” às multinacionais as quais, além disso, controlam a tecnologia e as finanças. Não resta rigorosamente nada para os mexicanos.

Renegociar também o tratado Trans-Pacific

O TTP, o acordo de comércio transpacífico foi alcançado em novembro de 2015. O acordo foi assinado pelo ministro da Economia, sem consultar os representantes do povo (senadores, deputados), nem os das organizações representativas da atividade económica: agricultura, indústria, minas… a metodologia é a mesma na Europa ou no México. A burocracia utiliza os burocratas, engenheiros, técnicos das vendas em lotes. A semi‑inteligentsia dos meios de comunicação, os pequenos burgueses vaidosos constituem por excelência o meio condutor dos slogans que refletem, justificam, utilizam as suas próprias impulsões parasitárias: privatização, direitos humanos, modernidade, todos os termos ocos que estão na moda.

Com 19 capítulos e 900 páginas, o acordo Transpaccífico é um insulto ao povo e à sua criatividade. O caso da tecnologia é particularmente revelador. Todas as patentes ou quase (quase 98%) são de origem estrangeira. Os inventores mexicanos são deixados sozinhos em face do resto do mundo que, este, tem uma política de exploração e proteção através do registo de patentes. As multinacionais saqueiam, através de direitos de reprodução, matam o conhecimento que não lhes interessa. Isto deveria ser renegociado por uma nova elite mexicana cuja renovação será lenta e difícil.

O eterno problema: impedir que o totalitarismo tudo possa destruir

As mudanças, quaisquer que sejam, não vêm automaticamente de uma inteligência puramente teórica. A praxis é responsável pelo preenchimento das lacunas na teoria. Estamos aqui no mundo dos “homens de poder”, cuja principal virtude é o carácter. Em face da crise financeira latente, será que existe uma elite capaz de aproveitar o momento para propor alterações que satisfaçam tanto a inteligência dos quadros patrióticos como a afetividade das pessoas? (Ou o que resta dela?).

Desde a Primeira Guerra Mundial, os EUA conseguiram alienar toda uma franja de negociantes. O seu sucesso cresceu ao mesmo tempo que as guerras que iriam destruir a Europa. Os últimos fogos de artifício foram postos em cena a partir da queda do Muro de Berlim. Através de bancos e multinacionais, de ONGs encarregadas de fazer o bem, apenas o bem, existe uma classe dirigente encrustada na globalização que procura dominar. O material humano necessário para esta tarefa é necessariamente composto por personalidades reunidas numa enorme burocracia de que os tratados de todos os tipos justificam a existência.

Tornaram-se crentes, detentores da fé no paraíso terrestre criado à medida da extensão do negócio, estess burocratas da invasão mundial esperam agora obter os importantes dividendos resultantes da sua imensa fé, alimentada pelas redes de propaganda dos media e do ensino que é feito nas Universidades e Grandes Escolas Comerciais. O messianismo dos tiranos soa como uma prisão para as elites populares.

Até agora, o cérebro da invasão global e o dos EUA pareciam encaixar-se. Havia sido criado uma espécie de identidade entre este projeto e as estruturas do Estado norte-americano. As várias associações de empresários na Europa e na América Latina dependem deste centro. A subordinação é aqui a regra. Talvez o novo presidente norte-americano, queira começar a levar a cabo uma Perestroika, anunciar o desmembramento do Império da desumanidade? Mas o que acontece com as “organizações secretas” como o exército Gladio? O que vai acontecer às organizações clandestinas, ONGs e grupos de reflexão totalmente dedicados à destruição do mundo em favor da revolução imposta pela globalização? É provável que as estruturas centralizadas dos EUA vão se separar das redes mundiais da Global-invasão.

Dever-se-ia assistir ao desenvolvimento de um novo sistema. O pensamento será ele reposto em marcha?

Auran Derien, Revista Metamag, Moderniser les traités ou penser autrement ! Le Mexique dans l’incertitude. Texto disponível em:

https://metamag.fr/2017/01/24/moderniser-les-traites-ou-penser-autrement-le-mexique-dans-lincertitude/

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