VALENTE HEROIS por Luísa Lobão Moniz

E, como todos os anos, lá se comemoraram o Dia da Criança Desaparecida e o Dia Mundial da Criança.

Havia no ar o silêncio das meninas e dos meninos que passo a passo vão tentando chegar ao fim da estrada e encontrar um sítio para viver. Este sonho só se concretizará se eles forem fortes emocionalmente para ultrapassar as adversidades da guerra, de onde fogem, se não morrerem de fome ou de cansaço.

Este sonho faz com que continuem a ter força para serem valentes heróis!

Outros heróis trabalham clandestinamente sem saberem que o trabalho infantil é proibido, é crime.

Outros e outras crianças vão roubando o que podem das mesas das esplanadas dos cafés.

No dia 31 de Maio era assim, no dia 1 de Junho continua a ser assim.

Falou-se muito sobre as Crianças abandonadas, maltratadas, sozinhas. Depois do discurso ouviam-se os aplausos de quem concorda que estas Crianças são filhas de todos nós.

Enquanto durou a cerimónia quantas crianças perderam a vida por baixo de uma parede de uma casa bombardeada, quantas crianças foram raptadas, quantas foram violadas, quantas assistiram a cenas de violência em casa.

As sociedades ditas democráticas estão a deixar morrer aqueles que precisam de carinho e de afecto para transformarem este mundo, estas Crianças são a esperança da mudança.

Assim como todos os meninos e meninas que felizmente não têm estas vivências. Crianças que vão à escola, que podem escolher, sabem criticar o mundo onde vivem e se deixam emocionar com as imagens da guerra…

As famílias estão na linha da frente para saberem lidar com os seus filhos sobre o que acontece a outras crianças que vivem no seu país ou que vivem com o medo de ficar sem pais, sem amigos.

A família está na linha da frente para ensinar a solidariedade, os deveres cívicos.

A Escola tem que deixar de fingir que é democrática e que vive em Cidadania. A Escola não pode servir só para a aquisição de conhecimentos, também tem que viver e ensinar a tolerância, a não-violência, o reconhecimento de todos, o saber explicar os seus comportamentos assim como os comportamentos dos outros.

Fiquei espantada quando li num jornal diário que os Directores dos Agrupamentos iam “punir” os alunos que não entregassem os livros no final do ano! Não me digam que entregam os livros e só no final do ano é que vão ver como é que os alunos tratam os manuais. É assim que querem fazer a mudança? A punição não ensina, cria revolta e vontade de desobedecer…

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