E AGORA? por Luísa Lobão Moniz

Já não se tem a certeza se foi a trovoada  seca ou algum incendiário o responsável pelo início do incêndio de Pedrógão Grande.

Mas nesta altura já não é prioritário saber-se quem, mas porque é que o fogo avançou descontroladamente e o que falhou entre as diversas entidades que estavam no terreno.

Porque é que se deu ordem para os carros se dirigirem para o lado direito da estrada onde as chamas já tinham atravessado a estrada e de seguida envolviam os carros.

Foi uma tragédia que levará muito tempo a sair da memória dos portugueses.

Por todo o lado se dava opiniões sobre o que se deveria ter feito, mas nunca ninguém, durante onze meses do ano, se lembra de alertar a Junta de Freguesia de que é preciso fazer a limpeza dos matos. São privados, são públicos, não importa porque tanto ardem uns como outros.

500 casas foram destruídas pelo fogo, 500 famílias terão ficado traumatizadas pelo que viram acontecer às suas casas, ao seu mundo…

Como será o sentir colectivo de quem se vê privado de tudo o que lhe dava alguma segurança – a casa, o correio, o balcão da CGD, os seus animais, as suas plantações, a suas famílias-.

 É demasiado para quem tem vivido uma vida feita de carências várias.

As crianças tinham exames que foram adiados. As crianças não foram à escola, irão fazê-los em Setembro, mas em Setembro levarão consigo o medo, a tristeza de quem perdeu tanta coisa da vida, da pouca que já tinham.

O medo e a tristeza fazem parte da sua respiração, quem está para as ajudar a ultrapassar o estado de choque em que se encontram?

Que falhou alguma coisa, é verdade, que se percebe que foi a nível das comunicações, é também verdade.

Quem não estava no local, mas acompanhou pela televisão choros, silêncios, inacção, tem imagens de terror que não esquecerá, são carros todos queimados onde se sabe que morreram queimados ou sufocados quem lá estava a tentar fugir…

A solidariedade dos portugueses tem-se revelado imparável, mas é preciso que se apure o que falhou para as populações se sentirem seguras e acompanhadas.

A vida não é deixar passar o tempo até chegar o momento da morte, pelo contrário, a vida é saber trata-la bem,temos tanta coisa boa à nossa volta que só temos que a mimar.

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