SINAIS DE FOGO – CHÁ PARA CARREIRAS – por Soares Novais

Tal como o “botas de Santa Comba”, o Carreiras de Cascais detesta todos aqueles que não lhe dizem “amém”. Para ele, esses, são todos “marxistas e estalinistas”. Por isso, ontem, em Tires, o recandidato teve a seu lado Balsemão, a filha deste, Joana, e Filipa Roseta, filha de Helena, que são reconhecidamente anti-marxistas e anti-estalinistas. Tal qual Pedro Mota Soares, o ex-ministro-lambreta, que aceitou liderar a lista à Assembleia Municipal (AM) e que, graças a Deus Nosso Senhor, é democrata-cristão desde pequenino.

Uma “grande equipa”, no dizer do candidato à liderança da AM de Cascais, que merece a benção do “papa” da Impresa/SIC. De tal forma que aceitou ser mandatário da candidatura e ter a sua filha Joana como número três da lista . Carreiras atribuiu a Roseta o sexto lugar, precisamente o número de vereadores que foram eleitos há quatro anos.

Sobre Joana, para além de ser filha de Balsemão, dizem ser especialista em “assuntos ambientais, doutorada por Oxford, e conselheira da representação de Portugal na União Europeia”, enquanto Filipa Roseta é apresentada como “doutorada pelo Royal College of Arts, de Londres, e professora de Arquitectura na Universidade de Lisboa.”

Isto é, o recandidato e coordenador nacional autárquico do PSD, que concluiu “o Instituto Comercial e Administração de Lisboa em 1987”, segundo a nota biográfica plasmada no sítio da Câmara Municipal de Cascais, parece apostado em demonstrar que a sua gestão está para lá dos “números” e do “betão”. E que também é sensível à arte, à cultura e às questões ambientais. Tanto que, para além de Joana e Filipa, a sua lista ainda integra uma escritora; e aqueloutra que é liderada pelo ex-ministro-lambreta uma ex-jornalista da RTP.

Gente fina já se vê, que não teme o ar de pugilista de Carreiras, lisboeta de nascimento como Belarmino – o lutador de boxe que conheceu a fama efémera e cuja vida Fernando Lopes retratou num documentário (1964) a partir de uma notável entrevista assinada por Armando Baptista-Bastos.

Carlos Carreiras orgulha-se da sua lista, pois, disse-o, tem “alguns dos melhores e mais prestigiados quadros profissionais e políticos, partidários e independentes a querer dar continuidade ao trabalho que está a ser feito em Cascais.”

Um trabalho que, sublinhe-se, tem sido amplamente criticado. Por cidadãos de Cascais e por cidadãos do vizinho Concelho de Oeiras que denunciaram a descarga de cimento de Cascais na Praia da Torre. Apenas para aqui citar dois exemplos de uma gestão marcada pelo “betão” e pelo conflito.

Um conflito que se estende à Iberdola, empresa tutelada pelo ex-marxista-estalinista Joaquim Pina Moura, que mandou cortar a luz a duas escolas de Cascais por falta de pagamento.

Clemente Alves(1), vereador da CDU, denunciou o caso e Carreiras reagiu negando a evidência: “A oposição da esquerda estalinista continua, à falta de argumentos, a fazer política pela mentira, caluniando, ofendendo e acima de tudo a dar tiros nos próprios pés.” A resposta de Clemente não se fez esperar e acusou o executivo de Carreiras de ser de “inspiração fascista e pró-nazi de fachada social-democrata, que se governa na câmara de Cascais a governar os amigos”.

Em Outubro saber-se-á se a Balsemão e a Roseta convidarão este “botas de Cascais” para o “chá das cinco” …

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(1) Após a denúncia pública do corte de luz ditado pela Iberdrola, o vereador da CDU foi preso e o Ministério Público ordenou um inquérito à actuação da polícia.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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