CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – OBSCURANTISMO CONCENTRADO

 

 

Só deve haver duas razão para as coisas correrem bem ou correrem mal no nosso mundo e no nosso dia a dia, é evidente.

Primeira razão, as forças da Natureza (também evidentemente) porque essas – tempestades, tremores de terra, deslizamentos, tsunamis, inundações, incêndios, etc. – terão a ver com ela, com essa mesma Natureza) e a seguir, o Homem.

O habitante máximo (segundo o próprio) e melhor desenvolvido deste planeta.

Vem este meu raciocínio, esta minha reflexão a propósito de há pouco saber de (mais) uma nova e violenta calamidade na Madeira, Funchal, em que um carvalho com mais de 200 anos e em perigo já detectado, se abateu sobre uma data de inocente gente, matando vários e ferindo muitos mais.

Estavam calmamente e felizes numa festa religiosa, adoravam e agradeciam ao seu Deus não sei o quê – talvez o facto de existirem e serem felizes, quem sabe, que sei eu, que de religiosidade sou parco, mesmo nulo – e eis que uma velhíssima árvore se abateu sobre eles, com o terrível e horroroso resultado difundido pelos media.

 

Foi a Natureza? Culpa dos homens?

Afinal a culpa foi (mesmo) dos Homens? Dos Gajos que mandam, que põem e dispõem, dos Gajos que deviam ter previsto uma tragédia destas, dos Gajos que sabiam que aquela árvore era potencialmente perigosa e não deveriam deixar ninguém manifestar-se ali por perto, raios os partam?

Só falta dizer que a culpa foi de Deus.

Mas não foi. E não o foi por duas boas razões: porque, segundo quem Nele acredita e o adora, Deus é infinitamente bom, Deus é justo, Deus é compreensivo, Deus é atento e mais uma data de coisas igualmente óptimas. A segunda e mais óbvia e lógica razão, é a de que ele não existe. Foi inventado. Foi adoptado.

Nem sequer invoco a estafadésima e política explicação de que foram os maus a inventá-lo, para seu próprio benefício e facilidade de explorar os povos, aquela treta (capaz de ser verdade, diga-se) que nós, os ateus, nos habituámos a ouvir.

Não. Ele existe porque as pessoas acreditam que ele existe. O obscurantismo, a ignorância, a cegueira e a permanecente escuridão intelectual mantêm-se imutáveis desde o fundo dos tempos. O Homem fartou-se aparentemente de evoluir numa data de campos e temas, mas continua nesta barbárie e ignoração incompreensíveis, por muito boa e filosófica explicação que me queiram transmitir.

Igual aos homens das cavernas, aos nativos da Papuásia, aos bárbaros da Idade Média. A maior parte das guerras, aliás, tem origem nas religiões, sempre contrárias do progresso definitivo e mental desta pobre humanidade. (*)

A obsessão de Deus é tão incompreensivelmente enorme, que quando do terrível fogo no Funchal no ano passado e tendo sobrado mais ou menos intacto uma santinho qualquer de uma igreja completamente destruída, houve quem dissesse “foi milagre!”.

Nada a fazer.

Se eu acreditasse em Deus, diria que ele é mau, desumano e desinteressado de todos nós, incluindo quem nele acredita – além de estúpido, antiquado e profundamente inculto.

E tecnologicamente um desastre.

Carlos

(*)

A ler: “Porque não sou cristão” (Bertrand Russell) e “Deus não é grande” (Chistopher Hitchens).

Há mais, para além da Bíblia.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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