CRIAÇÃO DE EMPREGO EM ALTA, AUMENTO DO NÍVEL DE ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO EMPREGADA, MAS PRODUTIVIDADE EM BAIXA – por EUGÉNIO ROSA

 

CRIAÇÃO DE EMPREGO EM ALTA, AUMENTO DO NÍVEL DE ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO EMPREGADA, MAS PRODUTIVIDADE EM BAIXA

O INE acabou de divulgar as Contas Nacionais Trimestrais do 2º Trimestre de 2017, com um crescimento de 2,9% do PIB, quando comparado com o trimestre homólogo de 2016, que a generalidade dos media referiram que era o maior crescimento económico trimestral verificado nos últimos 10 anos. O governo aproveitou logo para dizer que os dados do INE confirmavam a justeza da sua política, nomeadamente económica.

No entanto, este facto positivo não nos deve cegar impedindo de ver os problemas que estruturais que continuam a existir no país. Um dos maiores problemas é quebra continuada da produtividade, o que é um indicador revelador que o modelo de “desenvolvimento” baseado em baixos salários continua dominante apesar de se ter verificado uma alteração significativa do nível de escolaridade da população empregada. Para que a direita não se aproprie com exclusividade da questão da produtividade pois, para muitos, ainda está associada ao aumento da exploração apesar de ser uma questão fundamental para o desenvolvimento do país, vamos neste estudo lançar mais uma vez um alerta para reflexão sobre a variação da produtividade por empregado em Portugal.

A CRIAÇÃO DE EMPREGO CONTINUA EM ALTA SEGUNDO O INE

O gráfico 1 mostra a variação trimestral do emprego em Portugal entre 2011 e 2017:

Gráfico 1- A variação do emprego em Portugal segundo o INE

Como mostram os dados do INE, a partir do 1º trimestre de 2011, quando entrou em funções o governo PSD/CDS e a “troika”, iniciou-se uma destruição maciça de emprego em Portugal, tendo essa destruição sido interrompida apenas em 2013, ano em que se iniciou uma tímida recuperação. Esta recuperação acentuou-se com a entrada em funções do atual governo, nomeadamente a partir do início de 2016, em que o emprego total passou, entre o 1º Trim.2016 e o 2º Trim.2017, de 4.600.000 para 4.783.000, ou seja, aumentou em 182.000 (+3,97%), segundo dados divulgados pelo INE. Foi um crescimento que deu emprego a muitos portugueses que estavam no desemprego há muito tempo, embora tenha sido na sua esmagadora maioria empregos de muito baixos salários, consequência do modelo de “desenvolvimento” que persiste em Portugal.

O AUMENTO DO NÍVEL DE ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO EMPREGADA

Como revela o gráfico 2, também construído com dados divulgados pelo INE, da destruição e a criação de emprego resultou uma alteração profunda no nível de escolaridade da população empregada.

Gráfico 2 – População empregada por níveis de escolaridade – Portugal: 2008/2017

 

O gráfico anterior mostra a alteração que se verificou, entre 2008 e 2017, na escolaridade da população empregada. No 4º Trim. 2008, 69,1% da população empregada tinha apenas o 3º ciclo do básico ou menos, 15,4% o ensino secundário e 15,5% o ensino superior. No 2º Trim. 2017, a população empregada com o 3º ciclo do básico ou menos diminui para 47,8%, enquanto a com o ensino secundário era já 26,5%, e com o ensino superior 25,5% do emprego. No 4º Trim. 2008, a população com o ensino secundário e superior  representava apenas 30,9% da população empregada, enquanto no 2º Trim. 2017 já representava 52,2% do total. E isto foi conseguido, não de uma forma natural, mas através da expulsão de 1.301.800 trabalhadores com o ensino básico do mercado de trabalho, a esmagadora maioria despedidos. E isto apesar do emprego ter diminuído não em 1,3 milhões mas em 415.800.

APESAR DO AUMENTO SIGNIFICATIVO DO NÍVEL DE ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO EMPREGADA, A PRODUTIVIDADE DO TRABALHO TEM DIMINUÍDO NO PAÍS

Apesar de ter aumentado a escolaridade da população empregada, ou seja do capital humano e do capital intelectual para empregar termos caros aos ideólogos da burguesia, e de isso ser impulsionador do crescimento económico (Shultz obteve o Nobel da economia em 1979 com a “Teoria do Capital Humano”: mais educação = mais produtividade), o certo é que a produtividade aparente do trabalho está a cair (gráfico 3), apesar da escolaridade média da população empregada ter aumentado muito, o que mostra que a causa é outra e não os trabalhadores, que é necessário investigar e tomar medidas mas que ninguém pensa ou faz.

Gráfico 3 – A Variação da produtividade aparente do Trabalho em Portugal – 2013/2017

A produtividade do 1ºTrim.2017 é inferior à do 1ºTrim.2016 em -0,5%, e a do 2º Trim.2017 é inferior à do 2º Trim.2016 em –0,7% No entanto, se o cálculo for feito com base no VAB, para eliminar o efeito dos impostos e dos subsídios, a queda no 1º e 2º Trimestre de 2017 é de -1% e de -1,2%, e é preocupante.

 

Eugénio Rosa –-7.9.2017 – www.eugeniorosa.com

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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