FRATERNIZAR – Texto FRATERNIZAR 2, Edição 131, Outº 2017 Autárquicas 2017 – E AGORA, DUPLA PP-PC E SEUS CLÉRIGOS CATÓLICOS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Depois destas eleições autárquicas 2017 que varreram definitivamente da cena do poder político a dupla PauloPortas-PassosCoelho (PP-PC), como ficam os bispos residenciais e a generalidade dos clérigos-párocos que gostavam tanto deles e do seu Aníbal? Assunção Cristas, indigitada pelo próprio PP para lhe suceder à frente do CDS-PP, acaba de o engolir vivo, qual jibóia política que depressa veio a revelar-se. Aquela sua máscara permanentemente sorridente revela uma ambição de domínio político do tamanho do catolicismo que a própria faz questão de exibir a propósito de tudo e de nada. Não hesitou em dar um pontapé nos filhos e no marido, ainda que continue oficialmente casada, segundo os cânones da igreja católica que ajudam a encobrir o que de ambição de poder anda dentro daquela sua cabeça. Com os meteóricos resultados que acaba de alcançar em Lisboa, quando, agora, se vê ao espelho, vê-se Macron, travestida de mulher-jibóia. Nem o CDS-PP consegue ter mais mão nela. A partir de agora, tão pouco ela quer saber do humilhado Passos Coelho de quem foi ministra, o qual, para não ser esmagado por um dos muitos barões PSD, já decidiu afastar-se da presidência do partido pelo próprio pé.

Desde que a Geringonça – um título depreciativamente criado por PP, hoje afastado dos holofotes do poder político e todo mergulhado nos negócios, não dos submarinos, mas da Mota-Engil e do petróleo – está ao leme do país, em detrimento das próprias populações politicamente organizadas ao modo dos vasos-comunicantes, até os ventos do Poder financeiro voltaram a soprar mais fortes neste chão à beira mar plantado. Com o agrado das populações que insistem em gostar de sucessivos messias salvadores, sem nunca chegarem a perceber que das bandas do Poder financeiro nunca vem nada de bom. Ainda que possa parecer. Sempre que o sopro dele se instala nas mentes das populações e dos povos, faz delas, deles, gato-sapato. E os frutos estão aí de novo bem à vista: ele é futebol dos milhões a rodos, ele é senhoras-de-fátima e quejandas a rodos, ele é festivais de música até às tantas, com drogas e cerveja a rodos; mas Cultura, Recreação saudável, Poemas, Livros, bibliotecas com autores dentro, zero. E até o pouco que nestas áreas ele promove, anestesia as consciências, mais do que as desperta, e jamais chega a levantar das margens os milhões de caídas, caídos produzidos por ele.

Desde que o Poder financeiro está crescentemente ao comando do mundo, em lugar dos povos, tudo corre a favor de mais e mais Obscurantismo, de mais e mais Egoísmo corporativo. Até as Greves, instrumento de último recurso nas lutas sindicais, é hoje o primeiro a que os Sindicatos – organizações corporativas, enquadrados por partidos políticos, também eles corporativos – deitam mão. Mesmo que, como no caso das greves dos médicos e dos enfermeiros, em Portugal, estejam em jogo milhares de vidas humanas, que, assim, acabam reduzidas a mera moeda de troca para obtenção de privilégios de casta, que não de direitos. Os direitos são universais. Por isso, comuns a todos nós, seres humanos e povos. Já os privilégios são reivindicações desta ou daquela corporação em prol dos seus associados, sem quererem saber das maiorias.

Haja, pois, deontologia profissional, quando se recorre à greve. O egoísmo corporativo é assassino, ainda que, depois, vista aqui e ali de Madre Teresa de Calcutá. Em áreas tão sensíveis como a saúde e a justiça, há meios de luta bem mais eficientes do que a greve. Imaginação e dedicação profissionais precisam-se. Posturas corporativas, à Salazar, só reforçam o Poder financeiro. Contarão certamente com o silêncio cúmplice dos bispos e dos clérigos-párocos da igreja católica, a maior e a pior corporação religiosa do país e do mundo ocidental. Só que o grande imperativo ético que nos cabe como seres humanos e povos, é decapitar o Poder financeiro, mediante a Política praticada. Nunca reforçá-lo.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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