EDITORIAL –  A MAFIA DO FOGO

Não há palavras que consigam descrever a insegurança, a impotência que dominam as pessoas perante a enorme catástrofe dos incêndios que têm dominado Portugal. Mas os episódios políticos dos últimos dias, se para alguns poderão servir de válvula de escape, para os mais atentos comprovam os profundos vícios daquilo que se costuma chamar a classe política, como não ter rebuço em usar o sofrimento das pessoas para atingir metas políticas (a “política” no entendimento mais estrito, de conquista e manutenção do poder), quando até se tem graves responsabilidades em medidas e opções que estão na origem desses sofrimentos.

Mas temos sem dúvida um governo com graves responsabilidades na actual catástrofe dos incêndios. Mas antes dele outros (muitos outros, desde há muito tempo) implementaram políticas que hoje se sente desesperadamente ser necessário rectificar. António Costa e o seu governo falharam no acompanhamento às populações, não previram um dia como o de domingo passado (500 incêndios a deflagrarem no mesmo dia! todos eles no centro do país, ao que conseguimos perceber) e estão a ser muito pouco lestos a pôr em marcha medidas estruturais. Estas últimas levarão com certeza tempo a surtir efeito. Mas até por isso têm de começar a ser aplicadas rapidamente. Entretanto seria também importante que as forças políticas que integraram os governos anteriores assumissem também as suas responsabilidades.

Uma questão contudo parece querer continuar na sombra: a da origem criminosa de um número considerável dos fogos. Parece inquestionável que pelo menos uma parte, uma parte considerável, dos focos de incêndio, tem origem criminosa. Destes, uns terão sido ateados deliberadamente, outros por negligência (estes também constituem crime, é bom recordar). Houve várias notícias sobre prisões de incendiários. Que aconteceu a estes? Havendo tantas notícias sobre vigaristas e corruptos (não achamos mal que assim seja) porque não sobre os incendiários? Seria também vantajoso informar sobre eventuais actuações do Ministério Público e da Polícia  Judiciária (estarão mesmo a actuar?) neste mundo dos incêndios. Claro que de maneira a não dar trunfos aos criminosos. A este respeito, e sobre o relatório da chamada comissão técnica independente sabemos apenas o que veio nos jornais (clicar no segundo link abaixo), mas desde já surpreende-nos  a afirmação de que:

A ideia de que a maior parte dos incêndios florestais tem origem criminosa é “um mito profusamente difundido pela comunicação social” e “inadvertidamente” aproveitado por alguns políticos, o que contribuiu para uma “desresponsabilização da sociedade

Certamente que nem todos os fogos florestais, nem mesmo a maioria (queremos acreditar…), terão origem criminosa, mas há indícios fortes de que uma parte dos que têm ocorrido foi ateada intencionalmente. Casos de focos que surgem separadamente, à mesma hora ou quase, dão inevitavelmente que pensar. Mas até para acalmar os espíritos, é prioritário que os incêndios nas florestas sejam investigados e conclusões tiradas. E que os criminosos sejam neutralizados e punidos. Mesmo o presidente da república, na sua intervenção de anteontem, 17 de Outubro, fez uma referência à justiça. Entretanto, preventivamente, o exército e todas as forças armadas, em complemento da acção da GNR e das outras polícias (incluindo uma renovada Guarda Florestal) deveriam patrulhar as matas e florestas durante todo o ano, com especial reforço nas épocas mais quentes. Se as nossas forças militares podem ir cumprir missões nas várias partes do mundo, porque não também na floresta portuguesa?

Sobre esta matéria propomos que se clique nos links abaixo:

https://www.dn.pt/sociedade/interior/esta-foto-correu-mundo-mas-o-autor-esta-praticamente-isolado-8850562.html?utm_source=Push&utm_medium=Web

https://www.dn.pt/lusa/interior/pontos-essenciais-incendios-relatorio-da-comissao-tecnica-independente-8839000.html

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/marcelo-esperemos-que-a-assembleia-diga-soberanamente-se-quer-ou-nao-manter-este-governo

https://aviagemdosargonautas.net/2017/06/19/editorial-o-fogo-no-verao-do-nosso-descontentamento/

https://www.rtp.pt/noticias/galeria/pais/incendios-vistos-do-espaco_1017445/#

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/other/incêndios-relatório-aponta-falhas-à-proteção-civil-alerta-precoce-teria-evitado-maioria-das-vítimas/ar-AAtmKdM

http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=136887

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    Se fosse possível acusar o PCP – era ouro sobre azul – todos os fogos seriam criminosos mas com a sua responsabilidade tem muito que ver com interesses industriais muito poderosos -dum lado e do outro da fronteira terrestre – e os interesses do santo mercado e dos seus patronos não podem sofrer uma simples beliscadura a agulha da acusação vira-se para o desleixo que, esse, existe mas não basta para dar uma explicação satisfatória. Quinhentos fogos num dia só é possível com uma acto de agressão terrorista executado com deflagrações monitorizadas.. CLV

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