EDITORIAL – O ETERNO RETORNO DA ESTRATÉGIA DA GUERRA FRIA – por João Machado

Parece que Donald Trump está a dar abertamente continuidade às velhas tácticas da administração norte-americana na política internacional. Se a certa altura pareceu querer introduzir algumas inovações percebe-se cada vez mais que na realidade nunca se afastou delas. Durante a campanha eleitoral para a presidência pretendeu convencer-nos de que tencionava entabular conversações com todos os líderes das várias nações e potências das várias partes do mundo, incluindo com o líder da Coreia do Norte. Cliquem no segundo link abaixo, e poderão aceder a notícias sobre uma das suas últimas manifestações nesse sentido, feita, é verdade, entre uma série de outras declarações em tom belicoso. Quanto às relações com a Rússia, também parece não estar disposto a introduzir grandes alterações na estratégia de confrontação leste-oeste, confrontação essa abertamente defendida pela sua adversária Hillary Clinton.

Mas a decisão de pôr em prática a transferência da embaixada americana de Telavive para Jerusalém terá posto ponto final nas ilusões que alguns cultivaram sobre as eventuais intenções do novo presidente, que também tinha chegado a defender a intensificação das negociações para a paz entre Israel e os palestinianos. E os seus efeitos sentir-se-ão não só no Próximo e Médio Oriente. O simbolismo da cidade conquistada por David aos cananeus dez séculos antes de Cristo é inegável, mas não só para o povo judeu. Também tem um grande significado para as restantes religiões monoteístas. Donald Trump agora deu seguimento a uma decisão já aprovada em 1995 pelo congresso norte-americano, que os vários presidentes norte-americanos (Clinton, Bush filho, Obama) evitaram passar à prática, para não tornar ainda mais claro o apoio que os Estados Unidos têm dado a Israel e à sua política expansionista. Assim, de facto, ele mostra pretender levar ainda mais longe a política norte-americana de reforço dos seus aliados. O impacto sobre os povos da região é colossal, e se já poucos acreditavam no sucesso das negociações pretensamente mediadas pelos Estados Unidos, actualmente ninguém prevê que seja ainda possível criar, de modo efectivo, o estado palestiniano. Favorecendo o conflito entre sunitas e xiitas, a intervenção da Arábia Saudita no Iémen, a hostilidade em relação ao Irão, a pressão na Síria, entre outros conflitos e situações de tensão, continua a política seguida pela superpotência na região desde a Segunda Guerra Mundial. Se se tratou de uma cedência de Trump aos lóbis tradicionais, ou se ele já tinha decidido as suas opções anteriormente, talvez no futuro se virá a compreender. Entretanto os povos afectados por essas opções sentem-se com cada vez menos possibilidades de uma existência condigna nos seus próprios países de origem, tal como já sucedeu com os palestinianos. Os efeitos serão cada vez mais graves, e não só no Próximo e Médio Oriente.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

https://ionline.sapo.pt/593670

https://www.publico.pt/2017/11/07/mundo/noticia/trump-faz-sentido-para-a-coreia-do-norte-vir-para-a-mesa-de-negociacoes-1791612

http://honestreporting.com/trump-a-embaixada-americana-e-jerusalem-por-tras-da-histeria/

https://www.congress.gov/104/plaws/publ45/PLAW-104publ45.pdf

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Carlos A.P,M.Leça da Veiga

    Quem te diz que esta Intifada não será com pedras mas com armas? A votação na ONU é muito mais prejudicial ao sionismo que aos EUAN. Pela primeira vez é bastante expressiva a animosidade anti-sionismo.. CLV

    Gostar

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