Não digam à minha mãe!
A carta de hoje, a primeira deste ano, é um exercício de corta e cose, baseado em algumas frases de escritores, filósofos, politólogos, comentadores, jornalistas e de um maduro que até exerce funções de político!
São todas de 2017 e dão uma imagem com interpretações diversas, deste mundo ocidental onde nos vamos consumindo na esperança, aparentemente infundada, de um novo e melhor ano, mas…
…afirma Fernando Savater, todos nascemos rodeados por males e vamos morrer rodeados de males. Só podemos aspirar que os males do final não sejam iguais aos males do princípio. É a única coisa que se pode esperar! garante o filósofo e escritor.
Mark Leonard, Director do Conselho Europeu de Relações Exteriores, diz da ilusão do poder e liberdade de cada um, por ver realizados alguns dos desejos mais íntimos, mas, na realidade, a vida e a informação que consome são mesmo determinadas por algoritmos e plataformas controladas por governos e elites corporativas que nunca têm de prestar contas!
O constitucionalista António Rovira, usa outras palavras para reforçar a ideia, ao afirmar que a comunicação é um produto de entretenimento e consumo massivo, um obséquio da globalização, que criou assim uma nova maneira de informar, destinada fundamentalmente à emoção!
A politóloga Wendy Brown vai mais longe, salientando que a democracia se equipara hoje à existência de mercados abertos, livres e desregulados, pois igualdade quer dizer apenas o direito de cada um competir com os outros, num mundo de ganhadores e perdedores.
Um panorama, que o escritor e filósofo Rüdiger Safranski, especialista em Goethe e Nietzsche explica desta maneira – é como se estivéssemos em cima de um vulcão com tudo em movimento e assim também aparece o populismo, autodefinido como uma democracia de base, de Twitter!
É essa a lógica do Twitter! confirma Almudena Grandes, escritora e jornalista, não importa o pensamento! O facto triunfa, a máquina manda na inteligência e o êxito imediato tem mais valor que o fundamentado na solidez e na continuidade! Interessa apenas o número de likes que se conseguirem obter!
Uma espécie de modernidade líquida! dizia Zygmunt Bauman, pois todas as medidas tomadas em nome do resgate da economia, serviram apenas, como se tocadas por uma varinha mágica, para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres! A vida social, acrescentava o filósofo, também se transformou num viver electrónico, numa cibervida!
Em contraciclo e nos últimos dias do ano, um pernil maduro sobrevoou o pedaço! Gastou-se muita letra e tinta com o coiso, mas ninguém o quis atirar ao pára-brisas da geringonça!
Ainda poderia trazer para aqui alguma das muitas reflexões saídas na imprensa sobre as trumpadas…
…mas troco-as, a terminar este contraciclo, por mais uma frase recolhida em 2017 e atribuída a Tom Wolfe, um dos inovadores do jornalismo – Não digam à minha mãe que sou jornalista, ela pensa que sou pianista num bordel!
Bom e Feliz 2018 para todos os que por aqui pararem um pouco!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor



Obrigada por mais esta “Carta de Braga”.
Como sempre, gosto do seu jeito de nos dizer “coisas”importantes.
Eu, que sou tão chãzinha, depois de tudo lido tenho pra mim que “incomodar é preciso!”
Um abraço enorme de muita Amizade.
Maria Mamede
Meu amigo, mais uma vez, PARABÉNS!!
cURIOSA ESTA FORMA DE NOS FAZER SOBREVOAR OS PENSAMENTOS E REFLEXÕES DE OUTREM, dizendo, em pouco, o que deveria abalar muito…
Obrigada por nos ajudar a pensar…Um graaande abraço!
CL