AS VIOLÊNCIAS AUMENTAM por Luísa Lobão Moniz

Todos os Anos desejamos aos nossos amigos e familiares momentos de muita alegria e prazer para os próximos 365 dias.

Todos os anos dizemos que temos esperança, e queremos transmiti-la, que a Humanidade lute efectivamente pela Paz, e pelos Direitos Humanos, que é o mesmo que dizer que haja cada vez mais pessoas a viver com dignidade.

Fazem-se manifestações com centenas ou até milhares de pessoas nas ruas lutando pela justiça política e social. A Polícia investe contra os manifestantes distribuindo bastonadas, arrastando, seja quem for, pelo chão e no auge da contestação vão voando algumas balas que são sempre de borracha, mas matam.

Com o avanço da tecnologia todas estas manifestações são vistas em directo pelas televisões e pelo o youtube.

E pensamos “ não foi isto que eu desejei no ano passado…”.

Bem, mas como estamos num País sem guerra e sem manifestações reprimidas e violentas, olhamos para o lado e com um certo alívio comentamos “ aqueles são terríveis”, mas poucos são os que sabem o porquê daquela violência ou daquela necessidade de se fazer ouvir…

Se recuarmos até aos anos sessenta, durante a guerra colonial, lembramo-nos bem das balas que matam, das bastonadas nas costas, das prisões aleatórias com lugar a tortura nas instalações da PIDE.

Assim se vê que, na realidade, a Humanidade não quer viver com qualquer sistema político, que a Humanidade procura o seu bem-estar, nem que para isso tenha que pôr a sua vida em risco.

Ai, quantas vidas se foram por lutarem pela dignidade dos povos?

As populações avançam e organizam-se para protestar, chamar a atenção do mundo para alguns países em que as Liberdades não existem. E vêm-me à memória a organização e a adesão dos Portugueses a favor do Povo de Timor Leste.

Acabámos de desejar um Mundo Melhor, mas ainda não aprendemos que as faltas de Liberdade são um modo de defesa para uma classe social que se julga impune (e tem-no sido, na verdade).

O que faz essa classe social ser impune? Porque é ela quem decide as nossas vidas, se vivemos em barracas (Loures) ou em prédios? Se vamos trabalhar na cozinha de um Hotel ou na recepção? Se a comida, o vestuário são dados pela segurança social ou por paróquias, ou ainda por Ongs? se temos emprego ou se vamos para o desemprego, se aqueles que conseguiram estudar nas faculdades o fazem por reconhecem o valor do conhecimento ou apenas para ter prestígio e ser Dr. ou Engenheiro?

Como se articulam todas estas forças pelo mundo?

As organizações sociais e políticas têm que se fundar nos Direitos Humanos.

Estas organizações não são abstracções, são reais e formadas por homens e por mulheres.

A guerra é uma forma de legitimar a violência. Quem detém o Poder tem armas e dinheiro, o povo tem a necessidade de ter também Poder.

A Humanidade tem crescido sempre com guerras. A Violência, no ser humano, é um estado latente até se revelar com grandes dimensões ou dentro de cada um de nós tomando várias formas e intenções: violência no seio das famílias, violência contra mulheres, crianças e idosos, violência contra os que são diferentes da maioria.

As maiorias contêm em si diferenças, as maiorias não são homogéneas e são, também elas, o motor de certas violências.

Quando desejamos um mundo melhor para 2018 estamos a desejar não só as tréguas entre os países, assim como uma atenção séria aos homens e às mulheres como seres individuais, mas semelhantes na gestão das suas emoções.

As violências aumentam e todos os anos desejamos Paz!

 

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