FRATERNIZAR – Agora, mulheres e homens “dão missa” aos domingos! – SERÁ QUE JÁ NEM FREI BENTO DOMINGUES SE APROVEITA?- por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Constato que Frei Bento Domingues, meu amigo, anda muito preocupado com a não existência na igreja católica de mulheres sacerdotes (cf. PÚBLICO 14JAN2018). Por mim, duvido que, neste terceiro milénio, ainda haja mulheres que queiram semelhante castração clerical-sacerdotal, quando é manifesto que já nem os homens querem ser clérigos ordenados. O papel que lhes continua a ser atribuído na sociedade é tão caricato e estéril que não é mais uma ocupação que se recomende a ninguém, muito menos a mulheres que se prezem da sua condição feminina e da sua vida erótica sexual genital, da qual pode resultar uma gravidez ou várias, sempre bem-vindas, se desejadas e programadas. Esta postura pública do meu amigo dominicano leva-me a perguntar com humor teológico, Será que já nem Frei Bento Domingues se aproveita na igreja católica?

Preocupa-me sobretudo que ele se não tenha ainda libertado, nem um bocadinho, da Cristologia em que foi formado, pior, formatado em universidades católicas no estrangeiro, logo nos primeiros anos após a sua ordenação de presbítero, não de sacerdote. Digo “formatado”, porque como ele próprio hoje sabe, porventura, melhor do que eu, muita e variada tem sido, nestes últimos 30-40 anos, a investigação histórico-científica sobre Jesus histórico, o de antes do Cristianismo e sobre as origens deste, no início, uma corrente mais, dentro do Judaísmo oficial do século I, chamada Judeo-cristianismo, e só mais tarde, totalmente independente dele e até abertamente contra ele.

Sabemos, de fonte segura, que Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria (Mc 6,3), nunca foi sacerdote e acaba condenado à morte pelos sumos-sacerdotes do país e executado, em Abril do ano 30, na cruz do império romano, como maldito segundo a Bíblia, a exigências dos mesmos, junto de Pôncio Pilatos. Sabemos também que Jesus sempre recusa ser cristão/cristo e que o judeo-cristianismo aparece só depois da sua morte na cruz. Fundado na sala de Cima do cenáculo do Templo de Jerusalém por Simão Pedro, o chefe dos Doze, e por Tiago, um dos irmãos de Jesus (At 1, 12-14). Só que Pedro é o mesmo a quem Jesus histórico garantidamente chama “Satanás” ou seu Opositor-mor (Mc 8, 33; Mt 16, 22-23) e o mesmo que, por fim, renega Jesus três vezes (Mc 14, 66-72; Mt 26, 69-75; Lc 22, 54-61; Jo 18, 15-18.25-27).Por sua vez, Tiago é o mesmo que nunca acompanha Jesus histórico, chega tê-lo, até, por “louco” e quer a todo o custo “ter mão nele”, isto é, prendê-lo (Mc 3, 21.31-35).

A sobrevivência desta corrente judeo-cristã, anti-Jesus Nazaré, fica a dever-se sobretudo a Saulo, um judeu fariseu nascido na diáspora, cidade de Tarso, e cidadão romano, que começa por persegui-la e acaba por lhe dar a sua adesão, ao ponto de se tornar um fanático difusor dela nas principais cidades gregas do império romano e, por fim, em Roma, onde é muito mal recebido e abandonado (At 28, 16-29). Até que no século IV, já liberto do judaísmo, o cristianismo é convertido em religião oficial e única do império romano por Constantino, o mesmo que convoca os concílios de Niceia e Constantinopla, nos quais faz aprovar o Credo imposto a ferro e fogo até ao presente, ao ponto de ainda hoje ser recitado nas liturgias. E do qual só o mítico Cristo davídico ou Jesuscristo, guindado à categoria de sumo-sacerdote e de divino todo-poderoso é lá referido, não Jesus Nazaré, o alfa e o ómega da Humanidade, porque o Ser humano pleno e integral!

Felizmente, somos hoje sociedades pós-cristãs. E o que ainda resta do catolicismo constantiniano e tridentino, já nem clérigos sacerdotes suficientes tem que dêem-vendam missa aos domingos. À falta deles, já há mulheres e homens que, sem saberem o que fazem, aceitam “dar missa”! O trágico em tudo isto é que, 2 000 anos depois, continuamos sem conhecer Jesus histórico e sem conhecer-praticar o seu Projecto político maiêutico!

www.jornalfraternizar.pt

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. António Campos

    Dr. Mário Oliveira (não sei se ainda é padre), na Diocese de Bragança-Miranda há mulheres que Celebram a Palavra de Cristo, há mulheres Ministras Extraordinárias da Comunhão e há até a esposa de um Diácono que o acompanha nas Celebrações pelas aldeias que lhe estão destinadas, rege o coro, um grupo que leva com ela da cidade de Bragança, faz leituras e canta os Salmos e ainda dá catequese. É a “dona daquilo tudo”! Aquilo parece uma empresa familiar, em que a “diaconiza”, já sessentona, se apresenta de mini-saia. Por Bragança-Miranda há mulheres ridículas a querer ser sacerdotizas. Ahahah!

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