DIÁSPORA. CORONEL VARELA GOMES: UN HÉROE EN LA MEMORIA, por Moisés Cayetano Rosado

 

Recuerdo una vez más que cuando estaba estudiando la Revolução dos Cravos para el libro que escribimos mi hijo Moisés y yo (publicado por la Fundación de Investigaciones Marxistas en 1999 bajo el título de Abril 25: el sueño domesticado),  me encontré con un texto del coronel João Varela Gomes, publicado por la Revista Expresso el 30 de abril de 1994, del que entresaco los siguientes párrafos: Segundo explicam os lumminares da clase política, revolução, para eles, foi a conquista da liberdadee da democracia formal. Com pouco se contentam, en 20 anos, esses façanhudos socialistas de 74/75. Pessoalmente estão saciados. Tachos não faltaram. Viver à custa do Orçamento é uma alegría. No fundo era a única revolução que lhes interessava. Y más adelante: Portugal: qué Futuro?/…/mendigando ajudas, subsídios, compreensão para o caso específico. Isto em quanto o espírito reaccionário e contra-revolucionario dominar a mentalidade e a vida pública portuguesa.

Este héroe de la Revolução, fue el comandante militar en el histórico asalto al Cuartel de Beja en la noche del 31 de diciembre al 1 de enero de 1962, contra la dictadura salazarista, entusiasmado por la esperanza de que el general Humberto Delgado pudiera alzarse con el poder en Portugal. Allí fue gravemente herido y, tras recuperarse,  sufrió una durísima represión, que se extendió a su familia, especialmente a su mujer, Maria Eugénia, “mãe coragem do antifascismo”, siempre activa en la lucha social, que murió hace año y medio.

En la Revolução dos Cravos volvería a tener un papel relevante, fundamentalmente al mando de la 5ª Divisão do Estado Maior  General das Forças Armadas, una división que había sido creada para organizar la información y propaganda del Movimiento de las Fuerzas Armadas (MFA) durante el PREC  (Processo Revolucionário em Curso), en 1975. Y el 25 de noviembre de 1975 fue un elemento activo en el intento de evitar el giro reaccionario que se estaba tomando en el país, teniendo que exiliarse tras el nuevo revés sufrido en su lucha por mantener las conquistas populares que se perdían.

Su compañero y entrañable amigo (con cuya amistad también me precio) el Capitão de Abril, coronel Manuel Durán Clemente, ha glosado frecuentemente su figura en magníficos textos que recuerdan la grandiosa figura de quien fue su superior jerárquico en la 5ª División, compañero y amigo, cuyo destino de exilio también sufrió tras ese Golpe del 25 de noviembre, donde destacan en la posición enfrentada y triunfante las figuras del entonces teniente coronel Ramalho Eanes (enseguida ascendido a general, y después Presidente de la República y mariscal) y el coronel Jaime Neves (jefe del Regimiento de Comandos, más tarde promovido a mayor-general por los… méritos contraídos en la operación del 25 de noviembre).

De los escritos publicados por Durán Clemente he obtenido el siguiente emotivo testimonio, que reproduzco aquí por completo, y que es un documento extraordinario para acercarnos al sufrimiento de los más vulnerables: los pequeños, los hijos de los que lucharon y luchan por un mundo mejor. Sirva como reconocimiento y homenaje a este hombre ejemplar ahora que sentimos su fallecimiento, a los 93 años de edad, el 26 de febrero pasado:

Na manhã do dia 1 de Janeiro de 1962, eu, o meu irmão e as minhas duas irmãs fomos acordados, não pelo meu pai ou a minha mãe como era costume, mas por um tio e uma tia. Mandaram-nos vestir um roupão sobre os pijamas e acompanhá-los. Atravessámos a curta distância que separava da casa do meu avô materno a casa onde vivíamos, e à qual nunca mais voltei. Durante semanas só nos disseram coisas vagas. As empregadas do meu avô calavam-se de repente quando passávamos. Soubemos depois que a família não tinha a certeza que o meu pai sobrevivesse aos ferimentos de bala que sofrera no ataque ao quartel de Beja na madrugada daquele dia 1. A minha mãe estava presa. Voltou para casa um ano e meio depois. Ele, ao fim de seis anos. Lembro-me: a minha mãe, a quem não deixaram abraçar os filhos pequenos, encharcando com lágrimas os punhos cerrados de fúria com que agarrava as grades do parlatório de Caxias. O nosso terror. O meu pai, numa cela da Penitenciária de Lisboa, entubado, magríssimo, a voz quase apagada, um fantasma desvanecido contra a luz da janela, aquele homem que eu recordava grande, alegre, garboso na sua farda. Desapareceu de vez a infatigável alegria do meu irmão, um miúdo palrador e de olhos cheios de luz. Ganhou dificuldades de fala e endureceu. Nunca mais encontrou a paz. Por mim, fui adolescente a querer ser homem sem ter para isso pai. Não foi fácil e não se tornou menos difícil depois. As minhas irmãs, eu sei lá, nunca falamos disso. A família juntou-se para nos acolher e ajudar, houve amigos que estiveram à altura da ocasião, mas vivíamos com alguma dificuldade. Quando a minha mãe foi libertada, tinha perdido a profissão que a PIDE a impediu de retomar. Arranjou os empregos possíveis. Dormia pouquíssimo, trabalhava loucamente e aguentou tudo. Só perdeu a juventude e a saúde.

Quando visitávamos os meus pais em Caxias, em Peniche, encontrámos pessoas que sofreram muito mais que nós e estavam muito mais desamparadas. Especialmente os familiares de militantes do PCP, gente heróica sem bravata. Aprendemos que, para além dos nossos pais e dos que, com eles, foram a Beja (alguns, com menos sorte e resistência física que o meu pai, para lá morrerem), havia em Portugal muitas pessoas rectas que, ao fazerem o que era necessário fazer, causaram danos colaterais como aqueles que a minha família sofreu. Aprendemos que é mesmo assim, que nada se consegue sem danos colaterais. Aprendemos também, todavia, que a maioria das pessoas não suporta esta ideia e quer somente paz e sossego. É a vida, mas felizmente haverá sempre aqueles que são maiores que a vida. Se os não houvera, a iniquidade venceria necesariamente.

Este impresionante recuerdo -autobiográfico, familiar, social e histórico- tiene como autor a Paulo Varela Gomes, hijo de João Varela Gomes, extraordinario investigador, historiador de arquitectura y novelista, desgraciadamente fallecido hace dos años. Su publicación podemos encontrarla también en: http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com.es/2014/01/e-bom-nao-esquecer.html?spref=fb y https://www.publico.pt/2012/01/07/jornal/aquilo-que-e-necessarios-23714297.

A luta continua!, dicen los incansables activistas portugueses que aún no han perdido la ilusión y siguen acariciando la utopía. En los Varela Gomes tienen un referente difícilmente superable. João, ¡todos los suyos!, supieron ver cómo otros aprovecharon las conquistas para vivir a costa de ellas, lo que denunció en el texto que referencio al principio de forma contundente.

En este año de la muerte del coronel, por mucho llamados “primeiro capitão de Abril” -por adelantarse en 13 años al Golpe de los Capitães del 25 de abril de 1974-, bueno será que revisemos una vez más las actuaciones políticas, militares, sociales, de desenvolvimiento y procesos económicos que se han ido desarrollando en Portugal. Colocar a cada uno en su lugar: personas, organizaciones, instituciones. No vaya a ser que “saquen pecho”, atribuyéndose méritos, los que tanto tienen que callar.

About moisescayetanorosado

Maestro de Primera Enseñanza. Licenciado en Filosofía y Ciencias de la Eduación. Licenciado y doctor en Geografía e Historia. Investigador de migraciones humanas y relaciones transfronterizas hispano-lusas. http://moisescayetanorosado.blogspot.com/

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