ESTAMOS DESCONTENTES por Luísa Lobão Moniz

Estamos descontentes, desiludidos, incrédulos com tudo o que se passa à nossa volta.

Todos os dias sabemos de mais mulheres maltratadas ou assassinadas, de crianças violentadas, de idosos abandonados pelas famílias, de sem abrigo que têm medo do desconhecido e do estar só se acontecer alguma coisa…

Todos os dias sabemos de homens que matam pessoas com cada vez mais violência: dezassete facadas, tortura e pistolas.

Todos os dias vemos crianças, que poderiam estar no aconchego das suas famílias, no colo de suas mães ou a brincar com os irmãos e vizinhos, já sem força para chorar, ao colo de pessoas que não conhecem, vão ao colo com o corpo ferido pelos bombardeamentos que pode ser na Síria ou noutro sítio em que há guerra.

Hipocritamente os Russos querem o cessar fogo, de cinco horas por dia, sim cinco horas por dia, para abrirem um corredor humanitário.

Humanitário? Há aqui alguma confusão. Por este corredor os capacetes brancos poderiam levar alimentos, ir buscar os feridos para serem tratados em hospitais.

E, depois destas cinco horas podem fazer mais feridos, que alguém usará o corredor humanitário para os ir buscar, levar medicamentos e alimentos.

E assim sucessivamente até não haver mais ninguém entre mortos e feridos.

Vão levar alimentos? Sabem o que pode acontecer a quem não come há dias?

Cinco horas sem bombardeamentos, sabem da angústia de quem está à espera de ser escolhido para sair do inferno da guerra?

E levanto os olhos e vejo o bebe loirinho, sorridente e feliz a fazer um anúncio de uns flocos…e vejo a Europa coberta de neve como nunca se viu… e vejo aldeias portuguesas sem electricidade e sem comunicações, e soube de um professor do Gana que não se conformou com o facto de os alunos não terem computadores e desenhou no quadro preto a página do Microsoft Word para habituar os seus alunos àquela página.

Pôs no facebook e imensas pessoas mandaram computadores para aquela escola. E o que fez o professor? Ofereceu alguns a outras escolas!

Com imaginação, conhecimento e verdadeiro sentido de cidadania as dificuldades que parecem inultrapassáveis vão sendo atenuadas. E as diferenças vão sendo reconhecidas e respeitadas porque os conhecimentos se entrecruzam.

Como é possível que a humanidade se tenha desenvolvido de maneiras tão diversas?

Nestas escolas seria impossível um massacre como o da escola da Flórida, e porquê?

A preocupação é o castigo e não o estudar comportamentos destrutivos. Era fácil se os castigos ensinassem…

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