NESTE DIA, 3 de MARÇO de 1828… nasceu BULHÃO PATO, por Carlos Loures.

Raimundo António de Bulhão Pato nasceu no país Basco, em Bilbau, no dia 3 de Março de 1828 – um sábado como hoje, e morreu no Monte da Caparica em 24 de Agosto de 1912, Bulhão Pato era filho de Francisco de Bulhão Pato, poeta e aristocrata português, e de uma senhora espanhola, María de la Piedad Brandy. A morte de Fernando VII em 1833 abriu um período de conflitos pela sucessão no trono de Espanha entre os partidários do infante Carlos, irmão do monarca, e os de sua filha Isabel (que viria a ser Isabel II). Durante a Primeira Guerra Carlista, entre 1835 e 1837, Bilbau esteve cercada em 1837 e o pai de Raimundo resolveu trazer a sua família para Portugal. Raimundo de Bulhão Pato, notável poeta, ensaísta e memorialista, membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, é conhecido do grande público pelas suas receitas de culinária, ficando para a posteridade particularmente pelas amêijoas cozinhadas segundo a sua prescrição.

A sua obra mais conhecida é talvez o poema narrativo Paquita, sucessivamente reeditado de 1866 a 1894 e que o tornou célebre, parecendo já prenunciar um realismo que ainda não se firmara na literatura portuguesa. Aderiu à corrente ultra-romântica recorrendo a elementos folclóricos e descrições de cenas e tipos populares, usando uma linguagem viva e coloquial. Contudo, em contraste com esse folclorismo, a sua poesia satírica reflecte motivações sociais ainda pouco comuns.

Em 1850 publicara o seu primeiro livro, Poesias de Raimundo António de Bulhão Pato; em 1862 surgiu o segundo, Versos de Bulhão Pato, e, então, em 1866, o poema Paquita. Publicou depois, em 1867 as Canções da Tarde; em 1870 as Flôres agrestes; em 1871 as Paizagens, em prosa; em 1873 os Canticos e satyras; em 1881 o Mercador de Veneza; em 1879 Hamlet, traduções das tragédias de William Shakespeare e do Ruy Blas de Victor Hugo. Em 1881 seguindo-se outras Canções e Idyllios; o Livro do Monte, em 1896. Nas Memórias (1804-1907), perpassa uma nostalgia cuja autenticidade só está ao alcance dos bons escritores. informações biográficas e históricas, retratando o ambiente intelectual português da última metade do século XIX.

A literatura não o sustentou, pois ganhou a vida como 2.º oficial da 1.ª repartição da Direcção-Geral do Comércio e Indústria. Amigo de intelectuais, como Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho, Mendes Leal, Rebelo da Silva e Gomes de Amorim, com outras personalidades importantes da sociedade portuguesa da época, forneceu receitas para a obra O cozinheiro dos cozinheiros, editada em 1870 por Paul Plantier.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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