Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 1. Os ETFs (Exchange Traded Funds – fundos de índices cotados em bolsa ) ou rastreadores (1ª parte). Por Fimarkets

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 1. Os ETFs (Exchange Traded Funds – fundos de índices cotados em bolsa [1]) ou rastreadores (1ª parte)

Por Trickle down Parte II texto 1 em 24 de maio de 2012

 

Índice de matérias

Princípio

Definição

Replicação física

Criação

Papel da arbitragem e dos criadores de mercado

Mercado secundário

Replicação sintética

ETF alavancado

O mercado dos ETF

Outras ligações na web

 

 

Princípio

O princípio subjacente à existência de ETFs (fundos de índices cotados em bolsa) é o da gestão de índices, que postula que todas as informações disponíveis no mercado já estão incorporadas nos preços. Portanto, é impossível para um investidor, por muito sábio que seja, poder vencer o índice a longo prazo por escolhas de investimento (embora isso seja possível a curto ou médio prazo). A gestão de índices consiste, portanto, em replicar, tão fielmente quanto possível, um índice de ações. É também chamado de “gestão passiva” por oposição à gestão dita ativa, onde o gestor de portfólio vai se esforçar por vencer o índice por escolhas muito criteriosas de valores (“stock-picking”)

Os ETFs nasceram, assim, da necessidade de permitir aos investidores um acesso simples, direto e barato ao investimento na totalidade do índice de ações. Eles também são chamados de “rastreadores” porque eles têm a função de seguir fielmente o seu índice de referência.

 

Definição

Um ETF (Exchange Traded Fund – fundo de índice cotado em bolsa) é um instrumento financeiro híbrido que reúne as características de dois instrumentos:

  • Um fundo: tal como um SICAV (sociedade de investimento de capital variável) ou um FCP (fundos comuns de aplicações), um ETF recebe as poupanças de investidores e emite ações. Contudo, ao contrário dos OICVM (organismos de investimento coletivo em valores mobiliários) onde cada subscrição (compra) dá origem à emissão (destruição) de uma ou mais ações, as ações de um ETF são criadas antes de qualquer compra pelos investidores finais.
  • Uma ação: tal como uma ação clássica, um ETF é um título negociável em bolsa, cujo preço de negociação depende da oferta e da procura. Para comprar ou vender um ETF basta colocar uma ordem em bolsa. O investimento num fundo constitui uma subscrição e envolve custos mais importantes, porque a transação é administrativamente mais pesada.

O valor de um ETF é um pouco peculiar, de facto:

  •  Uma vez que o ETF tem como função replicar um índice de referência do mercado, os seus ativos são constituídos pelos valores que compõem o índice, nas mesmas proporções (pelo menos se for réplica física, veja-se mais abaixo). Por conseguinte, uma ação ETF tem um valor de ativo (NAV-net asset value, o valor líquido do inventário dos ativos), igual à avaliação ponderada dos valores que compõem os seus ativos, divididos pelo número de ações, como qualquer fundo.
  •  No entanto, uma vez que o ETF é também um ativo cotado no mercado, também tem um preço que varia de acordo com a oferta e a procura do mercado.

Como é que essas duas avaliações permanecem alinhadas? Isto é o que veremos estudando um pouco mais sobre como é que o ETF é emitido e qual o papel dos corretores no seu funcionamento.

 

Replicação física

Criação

Para criar um ETF, o emitente começará por reunir, comprar ou pedindo emprestado, as ações que vão constituir os ativos do fundo, nas quantidades correspondentes às proporções necessárias para replicar o índice de referência. Note-se que o emitente procede de forma totalmente inversa ao de um gestor de fundos convencional, que primeiro constitui o seu passivo (através de subscrição dos investidores) antes de investir em ativos.

Feito isto, o emitente constituirá partes ou “unidades de criação”, cada uma das quais representa uma quantidade fixa relativamente grande de ETFs para serem vendidas na bolsa de valores, e estas unidades vão ser vendidas aos criadores de mercado, os intermediários financeiros. Estes irão depois vender os ETF no mercado primário.

Trickle down Parte II Texto 1 2

 

Depois disso, o papel do emitente limita-se a ajustamentos pontuais de composição da carteira, à gestão administrativa do stock de valores mobiliários e à gestão de emissões e resgates de partes.

 

Papel da arbitragem e dos criadores de mercado

O desenho acima ilustra a forma como o ETF é considerado um fundo ou um OICVM segundo a terminologia francesa. Os ETFs, ditos também rastreadores em França, que são emitidos no mercado francês têm a estrutura jurídica de um OICVM.

É possível a um investidor profissional autorizado interagir com o fundo de duas maneiras (fonte: Investopedia):

  • Seja comprando no mercado os valores (ações) que constituem o cesto do índice replicado num valor equivalente ao de uma parte ou “unidade de criação”. O fundo, em seguida, cria uma nova parte e distribui ao investidor a quantidade equivalente de ETFs. Este último pode então vendê-los [os ETF] no mercado. O investidor recorre a este método se deteta que os ETFs estão sobrevalorizados em relação ao índice subjacente.
  • Seja comprando no mercado ETFs suficientes para reconstituir uma parte ou criação de unidade e trazê-la para o fundo. O fundo irá então trocá-lo por uma quantia equivalente de ações do índice que o investidor pode vender no mercado. Ele usará este método se detetar que os ETFs estão subvalorizados em comparação com o índice subjacente.

O montante de uma parte (ou unidade de criação) é suficientemente alta para que este tipo de operação seja reservado para os profissionais. Como podemos ver, a sua intervenção ajuda a manter a cotação do ETF num nível próximo ao do seu valor líquido teórico. Os investidores individuais vão comprar e vender ETFs no mercado regulamentado uma vez que eles são cotados e negociáveis como as ações clássicas.

Mercado secundário

Para os investidores finais, os ETFs combinam as vantagens dos instrumentos com que estão relacionados:

  • Custos de transação reduzidos, alta flexibilidade e uma melhor liquidez graças à negociação no mercado organizado.
  • Redução da tributação: uma vez que a carteira não é gerida ativamente, a ação ETF gera poucas mais valias, pequenos ganhos de capital; pelo contrário, os dividendos coletados nas ações subjacentes revertem para os detentores de partes ou unidades de criação.
  • A possibilidade de diversificar a sua carteira investindo no conjunto de um índice setorial, geográfico, etc. Existem ETFs para quase todos os índices de mercado de ações.
  • Os valores mobiliários que constituem a carteira ETF podem ter sido pedidos emprestados pelo emitente como se viu acima, mas também podem ser concedidos de empréstimo, o que gera receitas suplementares para os portadores das ações ETF.

No mercado ETF, como em todos os outros mercados de instrumentos negociáveis, a maioria das negociações são realizadas por profissionais. Além disso, as possibilidades oferecidas pela arbitragem geram um grande volume de negociação eletrónica. Os ETFs também podem ser vendidos a descoberto e servirem de ativo subjacente a operações de crédito-empréstimo de títulos.

A maioria dos ETFs estão cotados nos mercados dos EUA e da Europa, mas replicam índices de todo o mundo, Ásia, mercados emergentes e assim por diante. O investidor individual tem acesso à cotação do ETF no mercado secundário e também ao valor patrimonial líquido do portfólio subjacente, devendo ambos os valores manter-se próximos. Uma parte da diferença (o “erro de rastreamento” ou «tracking error») é justificada pelas diferenças entre o preço dos ativos subjacentes e o preço do ETF e, em princípio, deve ser preenchida rapidamente pela ação dos corretores. Outra fonte da diferença é atribuível a taxas de gestão de fundos que são baixas mas não nulas.

Além disso, os criadores de mercado são responsáveis por manter permanentemente os preços de compra e venda, a fim de garantir a liquidez do mercado.

(continua)

Texto original disponível em  https://www.fimarkets.com/pages/etf_exchange_traded_funds.php

 

Nota

[1]  Designação adotada por Meilleurs Brokers.com (vd. https://www.meilleursbrokers.com/definition/etf.html). Os ETFs são também designados de fundos de investimento abertos negociados em bolsa (vd. https://www.linguee.pt/ingles-portugues/traducao/exchange+traded+funds.html). Sobre fundos de investimento aberto vd. também https://www.investopedia.com/exam-guide/cfa-level-1/alternative-investments/open-closed-end-funds.asp

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