NESTE DIA, 9 de MARÇO de 1916, PORTUGAL ENTROU FORMALMENTE NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL – por CARLOS LOURES

 

 

Neste dia, 9 de Março, mas de 1916, o Governo da República e a Alemanha entraram formalmente em guerra. No dia 11, o Império Austro-Húngaro declara guerra a Portugal. O nosso País ficou assim envolvido no conflito que desde 1914 flagelava o Mundo, dilacerando particularmente a Europa. O facto de serem os governos alemão e austro-húngaro a declararem e estado de guerra com Portugal não deve fazer-nos esquecer que, em termos práticos, Portugal desencadeara o processo quando, entre Fevereiro e Junho de 1916, respeitando o velho tratado de Windsor com Inglaterra, apreendera 70 navios alemães e austro-húngaros ancorados em portos portugueses.

Por outro lado, a cobiça germânica pelo Império Colonial Português e as incursões militares germânicas em territórios coloniais portugueses contribuíram para a tomada de decisão portuguesa. Não foi, contudo, sem reacção hostil à entrada no conflito que as coisas decorreram – em 13 de Dezembro de 1916, Machado Santos, o herói da Rotunda (que acabaria assassinado às mãos da Carbonária na trágica Noite Sangrenta de 1921) desencadeou uma revolta militar, apoiado em tropas aquarteladas em Tomar, contra a preparação do CEP (Corpo Expedicionário Português) que estava a ser levada a cabo em Tancos.

Muitas teses são defendidas quanto ao facto de Portugal ter entrado na Grande Guerra sem que os nossos aliados ingleses o tenham exigido (pelo contrário – a Grã-Bretanha parece ter movido influências para que Portugal não se envolvesse). Segundo uma dessas explicações, terá sido a maneira de evitar a invasão do nosso País por parte de contra-revolucionários vindos de Espanha – os monárquicos comandados por Paiva Couceiro e voluntários do Estado espanhol em cuja organização estaria empenhado o próprio monarca, Afonso XIII. Outra, talvez mais plausível, é a de que, na nova divisão dos territórios coloniais, que se seguiria inevitavelmente ao termo da guerra, Portugal, como nação não beligerante, perderia o direito ao seu imenso império colonial.

Na realidade, é difícil vislumbrar vantagens, para um pequeno País, pobre em meios e com uma situação política interna que se podia considerar caótica, consumir meios e vidas num conflito desencadeado pelo sentimento de perda dos alemães (particularmente dos prussianos) que se sentiam subalternizados por uma França que haviam batido na guerra Franco-Prussiana e por uma Grã-Bretanha que se considerava dona do planeta. Por isso, uma terceira explicação o para o nosso envolvimento é a de o Partido Democrático, de Afonso Costa, ter querido demonstrar força e poder e retirar os problemas nacionais do centro da querela política, Porém, nada de positivo nos adveio na participação na Grande Guerra – dez mil mortos, milhares de ex-soldados que ficaram a padecer de sequelas de enfermidades contraídas (os «gaseados», por exemplo). Mal equipados, mal alimentados, com um apoio logístico deficiente, os portugueses portaram-se honrosamente,  No cemitério militar português de Richebourg (Pas-de-Calais), estão sepultados cerca de dois mil corpos dos nossos soldados.

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

%d bloggers like this: