AINDA SOBRE A ESCALADA DA GUERRA FRIA, UMA NOVA SÉRIE DE TEXTOS – TEXTO 1. ANDREW BACEVICH, UM MEMORANDO PARA O EDITOR DO NEW YORK TIMES

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.

Andrew Bacevich, um memorando para o editor do New York Times

120612-N-LE393-170 NEWPORT, R.I. (June 12, 2012) Andrew Bacevich, from Boston University, speaks during a panel discussion that was part of the 2012 Current Strategy Forum at the U.S. Naval War College. This year’s forum explores global trends and the implications they have on national policy and maritime forces. (U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 2nd Class Eric Dietrich/Released)

Andrew Bacevich, Tomgram: Andrew Bacevich, A Memo to the Publisher of the New York Times

Tomdispatch.com, em 20 de Março de 2018

Quando a Rússia se mobilizou para a Ucrânia e capturou a Crimeia em 2014, recebeu bem mais do que a sua parcela de (má) cobertura dos media nos Estados Unidos, como aconteceu quando interveio na Síria no ano seguinte. Então, imaginem que tipo de cobertura o país favorito de Vladimir Putin estaria a receber se, quase 17 anos após o lançamento da “Guerra Global ao Terrorismo”, as tropas russas, as suas forças de operações especiais, aviões e drones ainda estivessem em ação em pelo menos oito países em todo o Grande Médio Oriente assim como em partes de África: Afeganistão, Iraque, Líbia, Níger, Paquistão, Somália, Síria, Iémen (e, se o leitor se sentir de bom humor, pode até adicionar as Filipinas, na Ásia, para uma melhor medida da dimensão da presença de tropas).

Imagine a ultrajante primeira página e as principais notícias que receberíamos mais de uma década e meia depois, quando se tratasse daquela interminável guerra global russa e dos destroços, do caos, dos mortos e dos deslocados que se continuariam a criar. Haveria enormes e aguerridas discussões sobre o que significava uma das superpotências do planeta prosseguir tais guerras sem fim. Na Washington oficial, os protestos seriam selvagens, a linguagem dura, para lá da nossa imaginação, as críticas seriam inflexíveis e ferozes. Haveria análises devastadoras sobre essa nação, uma vez que continuava a prosseguir estas guerras tão desintegradoras em vastas extensões do planeta, sem a menor indicação de que o seu fim estivesse, em qualquer lugar, à vista.

O que é estranho, como sugere Andrew Bacevich, autor de A Guerra da América para o Grande Médio Oriente: Uma História Militar, é que na imprensa, no resto dos meios de comunicação, e em Washington, tais visões gerais, tais críticas, tais análises, estejam quase completamente ausentes, apesar de tudo o que acima se descreveu permanecer sob mira – exceto, é claro, o nome do país que está a prosseguir aquela guerra global de forma tão implacável e desastrosa.

Tom.

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Vendo o conjunto das guerras em que a América esteve ou está envolvida

Seis perguntas a A.G. Sulzberger, do New York Times

Por Andrew J. Bacevich , em 20 de março de 2018

 

Caro Sr. Sulzberger:

Parabéns por assumir as rédeas desta publicação de tão grande influência – e, possivelmente, a publicação mais influente do mundo. É um negócio de família, é claro, daí que a sua nomeação para suceder ao seu pai não seja exatamente uma surpresa. Mesmo assim, a responsabilidade de orientar os destinos de uma grande instituição deve-lhe pesar muito sobre os ombros, especialmente quando a paisagem dos meios de comunicação está a mudar tão rápida e radicalmente.

Sem dúvida, já estará a receber muitos conselhos sobre como levar a cabo esta sua tarefa, provavelmente mais do que deseja ou precisa. Ainda assim, contando com a sua compreensão, gostaria de oferecer uma perspetiva, de fora, sobre “as notícias que são dignas de ser impressas”. O famoso lema do Times insiste que o jornal está empenhado em publicar “todas” essas notícias – uma admirável aspiração mesmo que se trate de uma impossibilidade. Na prática, o que os leitores como eu recebem diariamente é “todas as notícias que os editores do Times consideram dignas de serem impressas”.

É claro que, dentro desse universo um pouco mais restritivo de notícias, nem todas as histórias são iguais. Algumas aparecem em destaque na primeira página. Outras são remetidas para a página A17 no sábado de manhã.

E alguns tópicos recebem mais atenção do que outros. Nos últimos anos, a cobertura abrangente de questões que abordam a diversidade, a sexualidade e o estatuto das mulheres tornou-se um traço distintivo do New York Times. Quando se trata de Donald Trump, a palavra “abrangente” não faz justiça à atenção que ele recebe. No New York Times (e mais do que em alguns outros meios de comunicação), ele induziu uma espécie de mania, com a sua efusão diária de provocações, insultos, afirmações disparatadas, falsas acusações, e as decisões tomadas, logo em seguida renegadas, tudo isto relatado com múltiplos detalhes masoquistas. Lançados em revelações picantes do passado colorido de Trump e com fugas sobre a investigação em curso de Mueller sobre a sua campanha [n.t. antigo diretor do FBI encarregue da investigação sobre a interferência russa na eleições presidenciais de 2016], o nosso 45º presidente tornou-se para o New York Times algo semelhante a uma grande baleia branca, embora com um penteado a esconder a careca e uma preferência por fatos largas

Enquanto isso, outras questões de igual ou maior importância – eu colocaria as mudanças climáticas nesta categoria – não recebem mais do que uma cobertura esporádica ou irregular. E, é claro, alguns tópicos simplesmente não são relevantes, como quase qualquer coisa que não seja um tiroteio na escola e que pode ter acontecido naquela vasta extensão a oeste do Hudson que Saul Steinberg anos atrás retratou tão memoravelmente para o New Yorker.

A questão fundamental deste memorando, reconhecidamente não solicitado, não é querer exortar o Times a abrir uma agência em Terre Haute ou no Ártico que rapidamente se está a derreter. Também não estou a insinuar que o jornal deva atenuar os seus esforços para desmantelar a ordem heteronormativa, para dar mais força às mulheres e promover a igualdade para as pessoas transexuais. No entanto, quero sugerir que, obcecado com a bobagem estupenda desta administração, o Times esquece uma questão específica que antecede e transcende o momento Trump. Essa questão é a normalização do conflito armado, com os seus escritores, editores e conselho editorial a aceitarem que, para os Estados Unidos, a guerra se tornou uma condição permanente.

Deixe-me especificar que o Times faz um número impressionante de colunas de jornal para a miríade de atividades militares dos EUA em todo o planeta. Histórias sobre missões, tiroteios, ataques aéreos, cercos e baixas são abundantes. Os leitores podem contar com o Times para transmitir os últimos pronunciamentos da Casa Branca ou do Pentágono sobre um flash de luz visível durante um curtíssimo período de tempo e no final de algum túnel muito longo. E aspetos que descrevem o sofrimento dos veteranos regressados da zona de guerra também aparecem com frequência apropriada e louvável.

Portanto, quem ler o Times durante uma semana ou um mês terá absorvido os factos essenciais do caso, incluindo o seguinte:

  • Mais de 6.000 dias após o início, a guerra dos EUA no Afeganistão continua, com os correspondentes do NYTimes a publicarem atualizações regulares e regularmente repetitivas;

  • Na longa guerra civil de sete anos que envolve a Síria, o número de beligerantes sempre em mudança inclui agora pelo menos 2.000 (algumas fontes dizem 4.000) operadores especiais dos EUA, em que a justificação para a sua presença muda de semana para semana, mesmo quando começam a ganhar forma planos para a manutenção por tempo indeterminado de tropas americanas na Síria;

  • No Iraque, agora liberto do ISIS, ele próprio um subproduto da invasão e ocupação dos EUA, as tropas dos EUA estão agora prontas para permanecer, mais ou menos como o fizeram na Alemanha Ocidental em 1945 e na Coreia do Sul depois de 1953;

  • Na Península Arábica, as forças dos EUA fizeram uma parceria com o príncipe herdeiro saudita Mohammad Bin Salman Al Saud na brutalização do Iémen, criando assim um vasto desastre humanitário, apesar da ausência de interesses discerníveis dos EUA em jogo;

  • No equivalente militar de matar as ervas daninhas que nós semeámos, os drones americanos atacam rotineiramente grupos militantes líbios que devem a sua existência ao caos criado em 2011, quando os Estados Unidos participaram impulsivamente no derrube de Muammar Gaddafi;

  • Mais de um quarto de século depois das tropas americanas terem entrado na Somália para alimentar os famintos, a missão militar dos EUA continua, atualmente na forma de ataques aéreos recorrentes;

  • Noutros lugares da África, o mais recente teatro a oferecer oportunidades para testar as mais recentes técnicas de contraterrorismo, a pegada militar dos EUA está em forte e rápida expansão, praticamente desprovida de supervisão do Congresso (ou possivelmente de qualquer outro tipo).

  • Do Levante ao Sul da Ásia, uma enxurrada de armamentos fabricados nos EUA continua a fluir sem cessar, para deleite do complexo militar-industrial, mas com poucas evidências de que as armas que vendemos ou doamos contribuem para a paz e a estabilidade nestas regiões.

  • No meio desta interminável espiral de guerras e conflitos americanos não declarados, o Congresso mantém-se passivo, despertando-se apenas quando necessário para se apropriar de dinheiro que garanta a continuação sem obstáculos de todos os itens acima;

  • Enquanto isso, o presidente Trump, embora avalie toda essa hiperatividade militar como algo que foi mal concebido e que é para esquecer – “Sete milhões de milhões de dólares. Que erro.”- está efetivamente a perpetuá-la e até a intensificar as políticas iniciadas pelos seus predecessores.

Este conglomerado de circunstâncias, afirmo, chama a atenção para diversas perguntas de primeira ordem, às quais o Times parece teimosamente alheio. Essas perguntas não são de forma alguma originais para mim. Na verdade, o Sr. Sulzberger (posso chamá-lo de A.G.?), se tem acompanhado o sítio TomDispatch – se você não o fez, então, digo-lhe, deveria fazê-lo – terá já aí encontrado várias delas. No entanto, nos níveis mais altos do jornalismo tradicional, elas permanecem tristemente negligenciadas, com implicações práticas e morais desastrosas.

A questão central é que, quando se trata de recentes guerras americanas, o Times oferece cobertura sem apresentar ao leitor qualquer perspetiva. “Todas as notícias” são superficiais e redundantes. Muitos pontos, poucas conexões.

Por outras palavras, o que está a faltar é um qualquer tipo de Big Picture, de enquadramento geral. O Times nunca descreveria ações militares russas na Crimeia, no leste da Ucrânia e na Síria, juntamente com as suas provocações cibernéticas, como não estando de algum modo relacionadas entre si. No entanto, dedica notavelmente pouca atenção para identificar qualquer ligação entre o que as forças militares americanas hoje estão a fazer no Níger e o que estão a fazer no Afeganistão; entre os ataques de drones dos EUA que visam esse grupo de “terroristas” e aqueles que visam algum outro grupo; ou, mais fundamentalmente, entre o que pensávamos estar a fazer desde os anos 80, quando Washington apoiou Saddam Hussein e o que imaginamos que estamos a fazer hoje nas várias nações de maioria muçulmana em que a América militarmente está presente, seja ela bem-vindo ou não.

De maneira direta, a questão central, não somente sem resposta mas que também não é formulada é então a seguinte: mas que diabo, o que é que está a acontecer? Permita-me desconstruir isso de maneira a que possa ressoar junto dos correspondentes do New York Times:

O que é que exatamente devemos chamar ao que as forças militares americanas têm andado a fazer, envolvidas durante todos estes anos? O termo que George W. Bush apresentou em 2001, “Guerra Global ao Terrorismo”, caiu em desgraça há muito tempo. Nada apareceu para o substituir. Um projeto que hoje encontra as forças americanas atoladas em hostilidades abertas numa ampla extensão de nações de maioria muçulmana deve, sugiro eu, merecer um nome, mesmo se o comandante-em-chefe do país considera muitos daqueles países como países de merda. Há já algum tempo eu propus chamar a isto “A guerra pelo Grande Médio Oriente“, mas isso não pegou. Certamente, o presidente ou talvez um dos seus muitos generais poderia vir com algo de melhor, alguma frase que transmita uma sensação de finalidade, de horizonte, de participação ou de localização. O documento de registo deve insistir que, seja lá o que as tropas por lá estejam a fazer, os seus esforços devem ter um nome descritivo.

Qual é o nosso objetivo geral em travar essa guerra sem nome? Após 9/11, George W. Bush prometeu por várias vezes eliminar o terrorismo, libertar os oprimidos, espalhar a liberdade e a democracia, promover a causa dos direitos das mulheres em todo o mundo islâmico, e até mesmo acabar com o próprio mal. Hoje, esses objetivos parecem outras tantas fantasias. Então, o que estamos a tentar fazer? Com o que é que nós nos iremos satisfazer? Sem um objetivo facilmente identificável, como é que alguém saberá quando se irá levantar a bandeira “Missão Cumprida” (novamente) e deixar as tropas voltarem para casa?

Por extensão, qual é exatamente a estratégia para levar a que a nossa guerra sem nome venha a ter uma conclusão bem-sucedida? Uma estratégia é uma espécie de roteiro que visa identificar recursos, definir inimigos (bem como amigos), e uma sequência de passos que nos leve a alguma aproximação da vitória. Deve oferecer-nos uma visão que nos leve de onde estamos para onde desejamos estar. No entanto, quando se trata de travar a sua guerra sem nome, Washington não tem hoje uma estratégia digna desse nome. Esse facto devia ofender o povo americano e constranger o sistema de segurança nacional. Também devia atrair a curiosidade do New York Times.

Grosso modo, em que ano, década ou século poderá essa guerra acabar? Mesmo que apenas aproximadamente, ajudaria a saber – e o povo americano merece saber – quando é que a primeira página do Times poderia possivelmente conter uma manchete com a frase “A Paz assegurada” ou ” Fim das Hostilidades” ou simplesmente “Acabou”. Por outro lado, se é irrealista esperar que a guerra sem nome, sempre em expansão e em constante expansão, termine, então que haja alguém a dizer-nos isso, permitindo que os cidadãos vejam as implicações dessa perspetiva? Quem melhor para revelar esse segredo escondido à vista do que o jornal a que preside?

O que podemos esperar que a guerra sem nome nos acarrete? Embora a estimativa do presidente de despesas num total de US $ 7 milhões de milhões de dólares, possa ser um pouco prematura, não está errada. Pode até acabar por ficar do lado de baixo. O que esse dinheiro poderia ter pago de outra forma – incluindo infraestruturas, educação, investigação científica e médica e, possivelmente, compensando todos os estragos causados pelos nossos esforços militares mal considerados – certamente merece uma discussão detalhada. Aqui está uma maneira de começar essa discussão: imagine o somatório dos irrecuperáveis custos acumulados e projetados na primeira página do Times todas as manhãs. Apenas dois números: o primeiro, um quadro com o que Pentágono já gastou com todas as intervenções militares americanas, grandes e pequenas, desde o 11 de setembro; o segundo, uma projeção sobre o que poderá ser a conta final de décadas futuras a partir de agora até que o último dos veteranos da guerra desta geração morra.

Por último, quais são as implicações da sobrecarga financeira destes custos sobre as gerações futuras? Com a única exceção da breve guerra do Golfo de 1990-1991, a guerra sem nome é o único conflito armado substancial na história americana, onde a geração em nome de quem foi travada resolutamente se recusou a pagar por ela – na verdade, os cortes de impostos foram aceites com muita satisfação quando o que deveria haver seriam, isso sim, seriam aumentos de impostos. Com espantosas exceções, os políticos assumiram e aprovaram este acordo fiscal da Administração Trump. Poder-se-ia pensar que os jornalistas empreendedores iriam querer investigar os vários fatores que fomentam uma tal irresponsabilidade.

Então este é o meu ponto de vista. Tenho a certeza, AG, que os jornalistas no seu emprego poderiam afinar melhor as minhas perguntas e inventar algumas mais. Mas aqui está uma pequena proposta: apenas por um só e único dia, confine Donald Trump na página A17 e dê a esta nossa guerra sem nome a atenção que o New York Times normalmente reserva para o Presidente que detesta.

Eu não sou jornalista, mas lembro-me desse maravilhoso filme de 1940 do Hitchcock, Correspondente Estrangeiro. Eu espero que o senhor o tenha visto. A Europa está a cambalear para a guerra e o Sr. Powers, chefe da fictícia New York Globe, está cansado de ouvir sempre as mesmas histórias das pessoas que ocupam o cenário. “Eu não quero mais economistas, sábios ou oráculos a bombardearem os nossos telexes”, grita ele, enfurecido. “Quero um repórter, alguém que não conhece a diferença entre um ismo e um canguru”.

Este seu discurso exige que o decifremos. O que Powers quer é alguém com a combinação de coragem e de ingenuidade para colocar questões que os jornalistas mais experientes presos numa narrativa defeituosa de sua própria criação simplesmente negligenciam.

Então ele retira o decididamente inexperiente e espetacularmente desinformado John Jones da sua tarefa que é a de fazer a cobertura policial, passa a chamar-lhe Huntley Haverstock, o seu pseudónimo a partir daí, abre-lhe uma conta para despesas, e envia-o para a Europa para transmitir uma visão mais lúcida do que se passa no Velho Continente. Haverstock desenterra as grandes verdades face às quais os seus colegas mais sofisticados se tinham tornado cegos. Quase sozinho, ele alertou o povo americano para os perigos que estavam à sua frente – e ele também arranja uma namorada. Um filme fantástico (mesmo que, dados os maus tratos bem documentados de Hitchcock para com as mulheres, isto possa ser politicamente incorreto dizer-se.).

De qualquer forma, A.G., todos nós precisamos que o senhor faça algo parecido com o que o Sr. Powers fez, mas na vida real. Boa sorte. Eu estou do seu lado.

Texto original em: http://www.tomdispatch.com/blog/176400/tomgram%3A_andrew_bacevich%2C_a_memo_to_the_publisher_of_the_new_york_times/

Andrew J. Bacevich, colaborador regular de TomDispatch, é o autor de America’s War for the Greater Middle East: A Military History e de outros livros. Historiador, especialista em relações internacionais, segurança e política externa americana. Professor emérito de Relações Internacionais e História na Universidade de Boston. Coronel retirado da Armada dos Estados Unidos.

Ver o texto original também em:

http://www.tomdispatch.com/post/176400/tomgram%3A_andrew_bacevich%2C_a_memo_to_the_publisher_of_the_new_york_times/

 

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