Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 32. Estranhas histórias neste mês de fevereiro em que me senti um pouco mais velho. Em conclusão da série “Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção?” três textos de Tyler Durden em torno da turbulência dos mercados de capitais

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 32. Estranhas histórias neste mês de fevereiro em que me senti um pouco mais velho. Em conclusão da série “Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção?” três textos de Tyler Durden em torno da turbulência dos mercados de capitais

 

Bridgewater vai desde gozar os investidores com liquidez até avisá-los de que “vem aí uma grande turbulência”

Por Tyler Durden

zero hedge logo em 11 de fevereiro de 2018

 

A realidade – ou melhor, as perdas- aparece muito rapidamente, em especial se ouvirem os conselhos de investimento do gestor de fundos [hedge fund] Bridgewater.

Ocorreu há apenas duas semanas, com o S&P o tempo todo em alta, que Ray Dalio [fundador e presidente de Bridgewater] disse a um público bajulador em Davos para investirem tudo em ações: “Estamos agora num período dourado para investir. A inflação não é um problema. O crescimento é bom, tudo vai muito bem com uma grande descarga de estímulos proveniente de mudanças nas leis fiscais. Se os investidores têm o dinheiro em líquido e não o investem agora então é certo que se vão sentir depois muito estúpidos.”

Duas semanas depois, se o leitor manteve o seu dinheiro em líquido, seguramente ter-se-á sentido muito inteligente depois do maior acidente na história do índice Dow Jones e em que o VIX atingiu o seu valor máximo de sempre.

Claro, no período intermédio ficámos a saber que, longe de estar a aumentar as suas posições em investimentos sobre ações, Bridgewater, o maior fundo de cobertura do mundo estava a aumentar ativamente as suas apostas a descoberto e Bloomberg informou na sexta-feira, que Bridgewater tem agora  pelo menos US $ 13,1 milhares de milhões de vendas a descoberto em ações da União Europeia, quadruplicando os  US $ 3,2 milhares milhões da semana passada e mais de 18 vezes mais que a posição original do fundo em outubro passado.

Avançando rapidamente até hoje, quando o otimismo de Dalio é já uma recordação distante e de acordo com uma entrevista do Financial Times com Bob Prince, subdiretor de investimentos na Bridgewater, a turbulência do mercado verificada na semana passada, que ajudou a desencadear a saída de fluxos massivos dos fundos globais de ações, está para continuar.

Tem havido muita complacência acumulada nos mercados desde há muito tempo, pelo que não pensamos que este enorme abanão dos mercados acabe numa questão de dias“, disse Prince, que administra os 160 mil milhões de investimentos da Bridgewater juntamente com o fundador do fundo, Ray Dalio. “Provavelmente iremos ter um tremor muitíssimo maior.”

Mas, mas … apenas há duas semanas atrás, o chefe de Bob insistia fortemente em se apostar sobre a complacência, ou arriscar-se-iam a “sentirem-se muito estúpidos”.

Deixando a ironia de lado, vejamos em síntese que mais disse Prince ao Financial Times: “No ano passado, os mercados de capitais tiveram o caminho livre. Mas este ano estamos a passar da situação em que víamos os bancos centrais a contemplarem a política monetária restritiva para uma situação em que estão na verdade a praticá-la.”, disse Prince. “Teremos mais volatilidade ao entrarmos num novo ambiente macroeconómico.”

Seja qual for a razão que está por detrás do que se passou na semana passada quanto ao desenrolar da volatilidade de curto prazo, Prince previu que “o contexto económico mais amplo estava a preparar o terreno para mais turbulência mais tarde, ainda este ano.

Embora Prince duvide que a inflação se venha a tornar um problema real, ele espera que os bancos centrais comecem a drenar da economia global alguns dos muitos milhões de milhões de dólares que os próprios bancos centrais bombearam para o sistema financeiro nos últimos anos — desafiando ainda mais os mercados em alta na situação de pós-crise.

Temos curiosidade em saber quais os princípios de Ray Dalio para recomendar hoje uma coisa para apenas uns dias depois dar a volta e lançar exatamente o oposto dessa coisa.

 

Texto original em https://www.zerohedge.com/news/2018-02-11/bridgewater-goes-mocking-cash-holders-warning-bigger-shakeout-coming

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Dalio aposta a descoberto cerca de $13 milhões: Bridgewater revela a sua maior posição a descoberto de sempre.

Por Tyler Durden

zero hedge logo em 9 de fevereiro de 2018

Em outubro passado, o governo da Itália ficou furioso quando o maior fundo de cobertura do mundo, o Bridgewater de Ray Dalio, revelou que acumulou US $ 713 milhões de posições a descoberto contra as ações financeiras italianas, a sua maior aposta à baixa na Europa.

Trickle down Parte II Texto 32 1

Então, na semana passada, e apenas um mês antes das eleições italianas de 4 de março – que o mercado global se recusa obstinadamente a reconhecer que sejam um fator de risco – Bridgewater triplicou as suas apostas à baixa contra bancos e seguradoras italianas, tornando esta sua posição a descoberto a maior aposta a descoberta aquele que é o maior fundo de cobertura do mundo, o Bridgewater.

Como relatámos na quinta-feira passada, a Bridgewater impulsionou as suas apostas à baixa contra as empresas italianas para US $ 3 mil milhões e 18 empresas, quatro vezes mais do que os US $ 713 milhões no início de outubro, o que enfureceu ainda mais as autoridades italianas. Como Bloomberg acrescentou, as apostas à baixa de Bridgewater contra as empresas europeias como um todo totalizaram US $ 3,3 mil milhões, distribuídas estas entre 20 nomes. Além de sua exposição negativa anterior, Dalio divulgou uma posição a descoberto sobre Atlantia, fornecedora de infraestruturas de transportes e adicionada à sua maior aposta a descoberto, contra o banco Intesa Sanpaolo SpA.

O crescimento das suas apostas a descoberto ocorre poucos dias depois de Dalio ter dito em Davos que “ter dinheiro líquido em carteira agora é estúpido” … e isto, literalmente, dias antes do maior despenhamento do mercado desde Lehman.

Avançando rapidamente para hoje, quando o fascínio de Dalio pela baixa dos títulos está a começar a levantar alguma preocupação porque, de acordo com o último resumo da Bloomberg, Bridgewater agora tem pelo menos US $ 13,1 mil milhões a descoberto em ações europeias, quadruplicando os US $ 3,2 mil milhões a partir da semana passada e mais de 18 vezes mais do que a posição original do fundo em outubro passado.

Na semana passada, a Bridgewater colocou mais de US $ 1 milhar de milhões numa aposta contra o gigante petrolífero Total SA – tornando-se a maior posição a descoberto da empresa na Europa.

Como observa a Bloomberg, o gigante da energia da Europa teve a maior queda na indústria no espeço de uma geração, vendendo ativos e cortando nas despesas. O fundo de cobertura também iniciou uma posição à baixa contra Airbus SE, investindo cerca de US $ 381 milhões contra o fabricante de aeronaves. Entre outras posições a descoberto, são divulgadas apostas contra o BNP Paribas SA, ING Groep NV e Banco Santander SA.

Curiosamente, desde que os registos regulatórios de 8 de fevereiro foram divulgados, a Total caiu 1% à medida que os mercados caíram, enquanto as outras apostas a descoberto de Dalio, Airbus, BNP Paribas, ING Groep e Banco Santander se afundaram cerca de 2%.

Uma lista das 10 posições a descoberto mais importantes da Bridgewater é apresentada abaixo:

Trickle down Parte II Texto 32 2

Correndo o risco de nos repetirmos – o que pensamos que nestas circunstâncias vale a pena – lembraremos aos leitores que, no dia 24 de janeiro, Dalio contou a uma audiência de Davos, ingénua e aduladora, que:

Estamos agora num período dourado para investir. A inflação não é um problema. O crescimento é bom, tudo vai muito bem com uma grande descarga de estímulos proveniente de mudanças nas leis fiscais da Administração. Se os investidores têm o dinheiro em líquido e não o investem agora então é certo que se vão sentir depois muito estúpidos.

Trickle down Parte II Texto 32 3

Ray Dalio

 

E enquanto Dalio estava a dissimular, ele estava silenciosamente a montar os para a maior aposta à baixa de sempre da Bridgewater na história do seu fundo.

Sim, se o leitor manteve o seu dinheiro líquido em carteira, poderá eventualmente ter-se sentido estúpido, mas não depois da última semana em que os mercados mergulharam a pique repentinamente; contudo, sentir-se-ia muito mais estúpido se tivesse seguido os conselhos de Dalio.

 

Texto original em https://www.zerohedge.com/news/2018-02-09/dalios-13-billion-short-bridgewater-unveils-its-biggest-ever-short-position

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A capitulação chocante do Goldman: a era de compra na queda de preços (mercados à alta) morreu, “Esta é uma genuína mudança de regime”

Por Tyler Durden

zero hedge logo em 12 de fevereiro de 2018

Hoje de manhã, tivemos o prazer de relatar que após a maior explosão de volatilidade na história, o maior fundo de cobertura do mundo, Bridgewater, passou de incentivar os traders a investirem em tudo como o fez recentemente em 23 de janeiro, para advertir para a hipótese de que “um grande abalo nos mercados está para acontecer.”

Acontece que Ray Dalio não era o único fundo a exortar o seu mais vasto universo de clientes – e toda e qualquer pessoa que tivesse a preocupação de o ouvir -para fazer uma coisa, enquanto dizia a um seleto grupo de clientes para fazer exatamente o oposto. Como referimos no sábado, no seu último Kickstat semanal publicado na sexta-feira, o estratega-chefe de capital do Goldman, David Kostin, disse aos clientes essencialmente para se estarem nas tintas e para comprarem na baixa (“BTFD, buy the fuck dip”), sugerindo que a correção estava provavelmente quase no fim, com base nas tendências históricas.

Enquanto isso, precisamente na mesma sexta-feira, Brian Levine – co-chefe da negociação global de ações no banco Goldman Sachs – enviou um e-mail para os maiores clientes do banco de investimentos, no qual ele fez uma previsão deslumbrante: o regime Buy the Dip já acabou, está morto.

No e-mail, divulgado pela primeira vez pelo Financial Times, Levine escreve que “Historicamente, os choques desta magnitude encontram os seus sorvedouros na venda de títulos ao desbarato, em situação pânico” e, no entanto, “fiquei espantado com quão poucas foram as ” vendas de capitulação” que vimos sobre a mesa. A mentalidade de “comprar em baixa” precisa de ser completamente punida antes de se alcançar o fundo”.

E, mais chocantemente, a pessoa à frente do mais importante operador de mercado financeiro à escala mundial também disse que “no longo prazo, penso que esta é uma genuína mudança de regime, onde cada investidor vai vender nas recuperações do mercado à baixa mais do que comprar nas quebras do mercado em alta [one where you sell-the-rallies rather than buy-the-dips].”

Vd. texto completo da carta de Brian Levine aqui (parte II-texto 30 da presente série).

Texto original em https://www.zerohedge.com/news/2018-02-11/goldmans-shocking-capitulation-buy-dip-era-dead-genuine-regime-change

 

O autor: de acordo com Will Martin do Business Insider UK (vd. http://uk.businessinsider.com/the-men-behind-zero-hedge-have-been-unmasked-2016-4), Tyler Burden é o pseudónimo de três especialistas que escrevem no blog Zero Hedge: Daniel Ivandjiiski, un antigo analista de hedge fund (trabalhou no Wexford Capital até 2008), Tim Backshall, um estratega de derivados de crédito, e Colin Lokey, licenciado em ciência política (este último terá já saído de Zero Hedge, segundo o El Mundo de 2/05/2016, vd. http://www.elmundo.es/economia/2016/05/02/57276eaa468aeb995f8b457f.html ).

 

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