FRATERNIZAR – Tudo o que é politicamente decisivo para os povos passa-lhes ao lado – COM QUE SE OCUPAM OS BISPOS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Chega a meter dó, quando abrimos a agência Ecclesia e vemos os títulos das notícias que nos remetem para as principais actividades dos bispos, a começar pelo de Roma, o papa Francisco. De cada vez que o faço, por dever de ofício, cai-me o coração aos pés. A julgar pelos títulos das notícias, os bispos da igreja são os mais frustrados dos filhos de mulher. Vivem na história, mas é como se não vivessem. Tudo o que é politicamente decisivo para os povos de cada uma das nações e do mundo no seu todo passa-lhes completamente ao lado. A eles e aos seus clérigos párocos, carregados de paróquias, nenhum tempo para as pessoas, nem sequer para eles próprios; nenhum tempo para a escuta dos sinais dos tempos e da mensagem de que eles andam grávidos; nenhum tempo para o silêncio e para a fecunda contemplação; nenhum tempo para a Ruah ou Sopro de Liberdade que nos faz plena e integralmente humanos, nos antípodas dos funcionários-mercenários que todos eles são.

E quando calha de os bispos serem notícia noutros media é pelas piores razões. Esta semana, por exemplo, o cardeal patriarca de Lisboa e presidente da CEP é notícia, porque vai presidir à mais do que deprimente e alienadora festa do senhor santo cristo dos açores, assim mesmo, em minúsculas, como minúscula é a importância do evento. Onde a única coisa que conta é o escandaloso tesouro em ouro, a contrastar com a pobreza das populações. São tradições populares, eu sei. Mas até a origem desta festa, perdida nos séculos, é uma vergonha, pelo menos para quem hoje já é terceiro milénio. Um bispo como o da igreja que está em Lisboa e, para cúmulo, Presidente da CEP, deveria perturbar-se perante tradições deste jaez. Não canonizá-las. Ninguém é ordenado bispo da igreja movimento de Jesus para alimentar tradições, nomeadamente, quando estas são manifestamente incompatíveis com o Evangelho de Jesus. E se há evento mais incompatível com a Fé, a Teologia e o Evangelho de Jesus, é esta festa do senhor santo cristo dos açores. O culto do ouro. Do dinheiro. Do sofrimento. Da autoflagelação.

Outro bispo que aparece com bastante frequência nas notícias é o de Bragança-Miranda. E sempre pelas piores razões. Tudo em D. José Cordeiro é oco, encenação. A sua formação em Liturgia poderia-deveria fazer dele um despertador junto das populações de Bragança-Miranda para as causas da Cultura, da Arte e também da Escuta das profundas dores, fomes e sedes das maiorias empobrecidas daquele distrito. Mas não é o que se vê. O que mais brilha no bispo que veio de Roma e vive manifestamente casado com os senhores do avental e do poder do distrito, é o ouro com que se apresenta perante os seus súbditos, mascarado de anel, cruz peitoral, báculo, mitra e pesada capa bordada. O que deixa as populações empobrecidas ainda mais ofuscadas e encandeadas, em lugar de olhos da mente abertos e politicamente activas. Semelhante agir episcopal constitui um crime de lesa-humanidade, engana-povos-tira-lhes tudo, até o pouco que têm. Só não vê quem não queira ver.

Pela mesma via está a ir o novo bispo do Porto. Os seus primeiros dias na diocese são de visita às entidades do distrito, numa retribuição dos cumprimentos recebidos no dia da sua entrada solene no Porto. É bem o bispo do Porto. Não o Bispo da igreja movimento de Jesus que está no Porto. Não pensem que são sinónimos. São antónimos. E o mais trágico é que, para o serem, todas estas entidades eclesiásticas, chamadas bispos residenciais, têm de renegar da sua humana condição de filhos de mulher, quando aceitam a função por nomeação papal. A partir daí deixam de ser filhos de mulher, para serem filhos da puta, que são, teologicamente, todos os agentes do Poder. É por isso que o quotidiano dos povos das nações nunca mais lhes interessa. Só o meramente eclesiástico – espaços sagrados, ritos religiosos, missas, rituais, tudo coisa nenhuma!

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7 Comments

  1. Que padre frustrado o padre Mário se tem revelado! Nem o Cardeal Patriarca escapa à sua mania da perseguição. Trata-se. Os que lhe fizeram mal, se é que fizeram, já cá não estão para serem ouvidos e punidos.

  2. Bem-vinda, Ana Sousa. Mesmo que me agrida, não deixo de lhe agradecer e de a acolher e às suas palavras. Saiba que o pior que podemos fazer é adjectivar as vítimas dos agentes dos sistemas de Poder e canonizarmos quantos as fabricam. Se conhecer o tesouro do senhor santo cristo dos Açores, verá quão meigo sou com o Bispo de Lisboa, Cardeal patriarca, D. Manuel III. O meu beijo de irmão.

  3. Ana Sousa, você revela uma total ignorância dos factos. Vê-se que, ou não conhece o tesouro do senhor Santo Cristo dos Açores ou, se conhece, desconhece que é contrário aos ensinamentos de Jesus. Também parece desconhecer totalmente o que foi vilmente feito ao padre Mário Oliveira pela igreja católica, mas fique sabendo que foi noticiado pela comunicação social. Sugiro que leia o livro «Evangelho no Pretório», da autoria do Pe Mário Oliveira, Seda Publicações, onde ele relata o que lhe aconteceu e como a “santa igreja” o ostracizou e ostraciza por ele ser defensor da VERDADE e dos mais pobres e oprimidos. O livro foi publicado em março 2018 e, até à data a sua “santa igreja” ainda não saiu a público a desmentir uma única palavra!

  4. Ana Sousa, analise, se tiver capacidade intelectual para isso, o vídeo sobre o tesouro do santo cristo de pau
    e veja lá se tem isto alguma coisa a ver com o que Jesus ensinou ou se é, ou não, idolatria ao ouro, às jóias, ao poder.

  5. O levita de Bragança-Miranda faz qualquer coisa para ser notícia e aparecer. Ele também defende as causas culturais e até criou uma pastoral para o efeito e arranjou uma diretora à medida para dar a cara por ela. Uma linda menina que, segundo dizem tem uma especial predilecção por marcas de grife internacional. Mas a pastoral cultural do bispo só pastoreia cultura igrejeira, sem grande interesse uma vez que a Cultura deve ser abrangente, sem fronteiras sejam elas quais forem. Acontece que a pastorinha da cultura teve que ser afastada do cargo porque, segundo dizem as beatas, ter-se-á perdido de amores por um sacerdote e tê-lo-á desviado do caminho litúrgico. Dizem… Quanto a mim, a ser verdade, a menina fez uma boa acção e devia ser canonizada viva. Quanto cultura do bispo ela condiz muito com a do santo cristo dos milagres, é só lembrar uma exposição que vaidosamente apadrinhou e esteve patente ao público no Museu do Abade de Baçal em Bragança e depois também no Museu da Cidadela em Cascais. Já se esqueceram d’O Brilho da Fé? Era esse o nome da exposição e vendo-a, deparávamo-nos com peças em ouro, prata, pedras preciosas, madeiras preciosas e marfim. É esse o brilho da fé deste bispo, o levita de Bragança-Miranda que, contrariamente aos levitas originais, faz adoração de ídolos pois que isso mais não são todas aquelas estátuas de nossas senhoras, santos e santas, todos de pau ou metal, que ele tanto idolatra, bafeja de incenso e borrifa de H2O nas suas inúmeras missas solenes em que vai mudando de fatiotas bordadas, missas muito encenadas e cheias de nada, como todas elas são.
    Lupus pilum mutat, non mentem.

  6. Ana Sousa nem imagina como estudar um pouco, em vez de dar o seu cérebro para que outros pensem por si, lhe faria tão bem!
    Em resposta áquilo que escreveu, aqui deixo um provérbio:
    Bonis nocet qui malis parcet.

  7. Estou surpreendido. Um Texto tão teologicamente inofensivo como o que aqui partilho esta semana e os comentários que suscita. O comentário de Ana Sousa, mais do que o meu Texto, deu o mote. E aqui está uma leitora que, certamente, com Humor e Amor se nos apresenta de Maria Maluca, mas de maluca não tem nada, a tentar esclarecer quem, certamente, já se tem por esclarecida. E por isso é tão determinada no que afirma contra mim. Não discute o conteúdo do meu Texto. Agride-me. Sem se aperceber que a agressão só dá razão ao autor do Texto. Agradeço a “publicidade” que Maria Maluca faz ao meu Livro 48. E reforço o apelo dela no sentido de que Ana Sousa o leia. Esclareço, a propósito, que o semanário da diocese do Porto, Voz Portucalense, já lhe fez uma longa referência, na pessoa do seu Director. Só que o Livro está aí precisamente para impedir que algum dia o Sistema eclesiástico tente tirar proveito comigo, como costuma fazer com quantos o incomodam. Primeiro, mata-os, simbolicamente que seja, e depois de morrerem, canoniza-os. Comigo não podem fazer isso, a menos que queimem todos os meus livros e particularmente este, mais autobiográfico.
    Quanto a Luís Pereira, rendo-me às suas oportunas observações sobre o bispo-vaidade de Bragança. Vejo que é profundo conhecedor do que se passa. E deixa-nos perante alusões muito concretas que certamente a Nunciatura em Lisboa não deixará de ter em conta. Apesar de toda a protecção cardinalícia que D. José Cordeiro, tem na Cúria romana. Vou esperar para ver.
    Finalmente, volto a surpreender-me com mais dois provérbios latinos, oportunamente aplicados aos destinatários. Será que Luís Pereira é clérigo de Bragança? Isto de latim é coisa de clérigo. Aqui estou a traduzir um e outro. O referente ao bispo diz: “O lobo muda de pêlo, não de carácter ou maneira de ser”. O referente a Ana Sousa diz: “Ofende os bons quem poupa os maus”. Alerta, pois, bispo José Cordeiro, meu irmão. Alerta, pois, Ana Sousa, minha irmã. Prossigamos como peregrinos da Luz.

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