A Galiza celebra duas festas de caráter nacional, assim festivas, reivindicativas e patrióticas.
A primeira e mais antiga é a patronal, que o calendário marca desde antigo no dia do Apóstolo Santiago, e que o galeguismo nacionalista referendou como própria nas primeiras décadas do século XX, o 25 de julho, de cada ano. Festa que desde os últimos anos do franquismo, reúne e celebra em Compostela as diferentes sensibilidades e programas do galeguismo.
O também patrão da Espanha (não esqueçam que a Galiza já era Espanha quando os galegos ainda não tomáramos Guimarães, Samora, Toledo, Córdoba, Sevilha e até Granada, pelas armas e com astúcias, e que até a Constituição de Cadis todas as paróquias e igrejas dos reinos da Castela espanhola e americana, pagavam dízimo à Sé de Compostela) convoca autoridades civis, religiosas e militares, arredor do chefe do Estado ou do seu delegado dentro da Catedral; e fora e arredor uma enorme malta festiva e reivindicativa que protesta, celebra e reivindica a Galiza como nação.
A segunda é hoje, 17 de maio: o festivo que celebra o pacto dos galegos e galegas com a língua. Data escolhida a iniciativa de Fernández del Riego pela Academia Galega em 1963, e que consistia em homenagear um escritor ou escritora dos que tendo escrito em língua galega levaram já algum tempo morto, por não quitar mérito os vivos.
A primeira homenageada foi Rosalia de Castro, dado que a data celebrava o centenário da publicação dos Cantares Gallegos, big-bang da Literatura e da língua galega moderna. O livro pacto, por sua vez homenageava a data de nascimento de Manuel Murguia, o companheiro, par e cúmplice intelectual nesse projeto auroral da construção de uma literatura nacional, da restauração da Língua e por lógica da nação.
A festa do 17 de maio, também reivindicativa na defesa da língua, foi-se convertendo com os anos numa grande celebração ritual com um marcado caráter lúdico, popular e cultural. Sendo fundamental para a divulgação e homenagem coletiva de alguma das grandes figuras, ou por vezes dos mais desconhecidos escritores, das letras da Galiza.
Neste ano, a malta invade Compostela, mais uma vez reivindicando a língua da Galiza, e celebrando o mundo cultural um caso de incorporação canônica bem interessante: a escritora María Victoria Moreno Márquez, que por destino, obra e escolha decidiu ser mais uma escritora em língua galega.

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