Não seria correcto, tanto mais que não saio do campo dos títulos da comunicação social, aqueles a que a net me vai concedendo o acesso, porque muitos dos outros até os rejeito eu.
Seguindo essa estratégia, lembro que o organizador de uma cimeira de ‘telemóveis’ realizada cá no Eucaliptal há umas semanas, permitiu-se convidar uma senhora bem conhecida por virar sempre num só sentido, tentando passar o ónus desse convite para a governação do pedaço, uma governação já com poderes limitados no domínio daquelas plantas.
Mas, na semana passada e numa instituição de ensino superior do Porto, realizou-se uma outra cimeira, desta vez de ‘guarda-sóis’ e ‘guarda-chuvas’, a ver pelas anomalias do clima e para a qual tais plantas até contribuem e muito, mas destinada a negar essas irregularidades, se calhar relegando-as para a vontade de uns deuses só deles.
E como se diz num dos órgãos de comunicação falados ao princípio desta Carta, tal cimeira foi organizada por um grupo assumidamente negacionista, Independent Committee on Geoethics, que tem como objectivo expresso, como se lê no site daquela instituição de ensino superior do Porto, ‘(des)construir algumas ideias sobre alterações climáticas’.
Uma desconstrução baseada na ideia de que o aquecimento global é causado pelas emissões de CO2, devido à utilização humana dos combustíveis fósseis que não é, para o Independent Committee, questão para a gente se preocupar! (a exclamação é da minha autoria).
Aliás, a ver pelo relatório da ONU, referindo os últimos trinta anos, acentuou-se brutalmente a relação entre o aquecimento global e os gases com efeitos de estufa, como refere o “El País” do dia 7 deste mês (com números que os especialistas saberão converter em linguagem normal, mas dá para termos a noção do que o tal grupo quer negar!).
E diz assim – ‘mesmo sabendo que estamos talvez frente ao maior desafio que alguma vez a humanidade enfrentou, o nosso comportamento continua a ser o de um viciado: saltámos de uma produção de 22,2 gigatoneladas (Gt) de CO2 em 1990, para 335,8 em 2016. Estes dados da ONU pressupõe quase 70% das emissões totais de gases com efeitos de estufa (GEI) já que outras actividades como a agricultura ou a deflorestação, fazem aumentar a emissão até ao equivalente a 51,9 Gt de CO2’.
Curiosamente e ao mesmo tempo, é visível o crescimento dos casados, torras, salvinis, órbans, dudas e outros, todos no rasto de um inenarrável trump, também negacionista, mentiroso e patético, que levou um outro órgão de informação a pôr na primeira página, ‘alarde de ultras na Europa: algo mais que algazarra’.
Afirma mesmo esse periódico ‘o verão esteve carregado de bravatas ultradireitistas na Europa, para escândalo dos sectores mais sensíveis da população’.
Diz uma amiga minha, que os filhos têm dificuldade em perceber que ela ainda é do tempo do último episódio, pois o sistema hoje é o das soluções na hora e do curto prazo, que não se coaduna com os problemas do clima, nem com as mentalidades daqueles fulanos.
Assim, é mais fácil passar tudo para as próximas gerações, se ainda houver Terra para elas, pois as soluções só serão possíveis em comum, por afectarem efectivamente todas as áreas da vida humana, mas essa gente tem-se mostrado incapaz de ver um palmo para lá do próprio umbigo.
E quer queiram quer não, estão a remeter-nos para o último episódio, aquele em que outros como eles, acreditavam ser os salvadores de todas as pátrias!
E a nós, os do último episódio, cujas memórias o sistema também se tem encarregado de apagar ou destruir, cabe-nos pelo menos ir desmontando tudo isto, apesar de podermos ser assinalados e marcados como ‘os tremendistasdas teorias da conspiração!’
Tremendismo – corrente estética que advoga, na expressão da realidade pela literatura e artes plásticas, o exagero dos aspectos mais crus da vida, “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
É lamentável não saber distinguir causas determinantes de causas predisponentes, condicionantes, favorecedoras e concorrentes. Emporcalhar o planeta não é o mesmo que alterar o clima. Haja proporções.CLV
É lamentável não saber distinguir causas determinantes de causas predisponentes, condicionantes, favorecedoras e concorrentes. Emporcalhar o planeta não é o mesmo que alterar o clima. Haja proporções.CLV
Concordo consigo meu Amigo.
Grande abraço.