De setembro de 2008 a setembro de 2018, uma década perdida, uma década que se quer esquecida – Narrativas sobre a incapacidade, a recusa e a desonestidade intelectual dos nossos dirigentes face aos mecanismos que levaram à crise – 6. Convidando à próxima crise financeira. Por Conselho Editorial do New York Times

3 set20082018 VENDEDOR BA BANHA DA COBRA

Uma série que tomo a liberdade de dedicar ao meu amigo jornalista João Marques que tanto tem denunciado a financeirização das economias a que temos estado a assistir e que neste momento passa por uma situação de saúde bem delicada.

Júlio Marques Mota, 17 de setembro de 2018

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Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

6. Convidando à próxima crise financeira

Por Conselho Editorial do New York Times

Publicado por New York Times em 25 de agosto de 2018

 

É enfurecedor que as autoridades tenham colocado em risco o bem-estar da maioria dos americanos para enriquecer os mais ricos

6 Convidando à proxima crise financeira 1

 de Cristóbal Schmal

 

A economia percorreu um longo caminho desde os dias sombrios de 2008, quando o colapso do Lehman Brothers e o resgate de grandes bancos levaram a desastres económicos à escala mundial. Durante grande parte da última década, a economia tem crescido e o mercado de ações tem vindo a aumentar. Mas esta escalada constante está a incitar os banqueiros, legisladores e reguladores a repetirem os erros que contribuíram para essa crise e que custou a milhões de pessoas os seus empregos, as suas casas e as suas poupanças.

O sistema financeiro e a economia estão claramente em terreno muito mais firme do que há uma década atrás. Os salários seguem com alguma dificuldade a inflação, mas a taxa de desemprego, que subiu então tão alto quanto 10 por cento, caiu para 3,9 por cento. O mercado imobiliário, outrora paralisado pelas execuções hipotecárias, voltou a subir de novo, com os preços das casas a atingirem novos recordes de preços em muitas zonas do país. Os bancos, que antes dependiam dos dólares dos contribuintes para manterem as suas portas abertas, estão agora a arrecadar bons lucros.

Muito do crédito desta recuperação pertence à resposta rápida da administração de Obama, da Reserva Federal e do Congresso. Os legisladores e o Presidente Barack Obama trabalharam para estimular a economia com estímulos no valor de um milhão de milhões de dólares. O FED bombeou vida para o sistema financeiro reduzindo as taxas de juros, comprando títulos e resgatando instituições como a AIG que tinha segurado financeiramente bancos comprometidos com maus títulos. O Congresso aprovou a Lei Dodd-Frank, impondo regulamentos mais rigorosos sobre as instituições financeiras e limitando a sua capacidade de assumir altos riscos com dinheiro emprestado. A lei ajudou a incutir confiança em bancos que tinham perdido a sua credibilidade gastando milhares de milhões em investimentos duvidosamente projetados que poucos compreendiam e que muito menos poderiam ser explicados em bom inglês. Também criou a Agência de Proteção Financeira ao Consumidor, que defendia os consumidores em face de empresas predatórias. E o Congresso e o Presidente Obama estenderam o seguro de saúde para 20 milhões de pessoas com o Programa Obamacare, protegendo famílias vulneráveis de serem esmagadas com despesas de saúde.

No entanto, a economia ainda não recuperou totalmente. Segundo um recente estudo publicado pelo Federal Reserve de S. Francisco o produto interno bruto per capita dos Estados Unidos é aproximadamente $70000 menor em relação ao tempo de médio de vida da pessoa do que teria sido se a economia permanecesse na trajetória que tinha antes da crise, Os autores desse relatório – Regis Barnichon, Christian Matthes e Alexander Ziegenbein – concluem que a economia tem “poucas possibilidades de recuperar” o terreno perdido, um reconhecimento impressionante dos custos permanentes e significativos de crises financeiras evitáveis.

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Nota: a escala é logarítmica para mostrar as mudanças de percentagens comparáveis. As estimativas do PIB são feitas pelo Gabinete do Orçamento do Congresso. Fonte: Federal Reserve de São Francisco. NYT

 

 

 

N.T. A riqueza de informações do texto acima citado leva-nos a que reproduzamos aqui um longo excerto:

Se a história é um guia fiável, académicos e formuladores de políticas estão legitimamente preocupados e temem, com razão, que a produção não possa voltar para o nível implícito pela sua tendência de pré-crise (tracejado a preto no gráfico abaixo). A magnitude da diferença é evidente neste gráfico. Este mostra a série de revisões à baixa que o Gabinete do Orçamento do Congresso (Congressional Budget Office-CBO) tem feito sobre a sua estimação do PIB potencial -o nível de longo prazo do PIB que deverá prevalecer uma vez que os efeitos transitórios dos fatores cíclicos se tenham dissipado. As revisões nos últimos 10 anos implicam que o PIB efetivo dos EUA (linha azul a cheio) em 2017 convergiu para um novo nível de PIB potencial (tracejado a linha verde), que foi de cerca de 12 pontos percentuais abaixo do nível implícito pela sua tendência de pré-crise (baseado em dados do PIB divulgados anteriormente à atualização global feita pelo Instituto de Análise Económica (Bureau of Economic Analysis) em julho de 2018). As revisões do PIB potencial feitas por outros modelos de estimação, incluindo o FED de São Francisco apresentam diferenças relativamente ao PIB potencial semelhantes.

 Figura 1 – O PIB efetivo e o PIB potencial antes e depois da crise financeira de 2007–2008

6 Convidando à proxima crise financeira 2

Nota: as linhas a tracejado mostram o PIB potencial estimado pelo CBO em anos diferentes, medidos em termos de log naturais, com a estimativa de 2007 do PIB potencial normalizada para zero em 1998, de modo que as alterações subsequentes são medidas em termos fracionários. As barras cinzentas refletem as datas de recessão publicados pelo National Bureau of Economic Research (NBER).

 

O CBO atribui uma grande parte do défice à sua reavaliação das tendências que estavam em curso antes da recessão (CBO 2014). Em contrapartida, o nosso texto apresenta os nossos resultados publicados num texto recente. (Barnichon, Matthes, e Ziegenbein 2018) em que se estuda em que medida a crise financeira provocou a redução do PIB potencial. Constatamos que uma grande parte da diferença entre o PIB atual, dito o PIB efetivo, e o seu nível de tendência de pré-crise, dito PIB potencial ou implícito, está associada à crise financeira de 2007-2008, e concluímos que é pouco provável que o PIB volte a atingir o seu nível potencial, expresso pela sua tendência antes da crise.

 

Condições financeiras e económicas: sofrimento mas sem ganhos?

Muitos estudos têm investigado o impacto das perturbações do mercado financeiro sobre a atividade económica, mas os resultados não são evidentes para todos. Por um lado, estudos de crises financeiras anteriores acham que as disrupções do mercado financeiro são geralmente seguidas por um grande e persistente declínio na produção (por exemplo, Romer e Romer 2017). Por outro lado, estudos que utilizam variações de surpresa nas condições financeiras para explorar se a causa pode ser atribuída a disrupções financeiras apresentam efeitos ligeiros e transitórios sobre a atividade económica (por exemplo, Gilchrist e Zakrajsek 2012).

Uma maneira de conciliar estas visões em conflito quanto aos efeitos dos mercados financeiros na economia é reconhecer a possibilidade de que a relação é assimétrica. Quando a economia está a ir bem, um choque financeiro adverso – uma perturbação que limita a capacidade do setor financeiro para lidar com o risco – é suscetível de restringir a atividade económica, ao condicionar em algumas empresas o financiamento de oportunidades de investimento rentável. Mas o inverso não é necessariamente verdadeiro: quando a economia está a andar mal ou numa recessão, as condições financeiras favoráveis não levam necessariamente a estimular a atividade económica se não houver oportunidades de investimento. Como tal, as condições financeiras podem arrefecer uma economia quente, em expansão, mas podem não aquecer uma economia em recessão.

(…)

 

O PIB dos EUA desde a crise financeira

 (…)

No ensaio estatístico que fizemos, a recessão leve implicaria que, no final de 2017, a diferença entre o PIB efetivo, dito também PIB atual, e a estimativa do PIB potencial feita por CBO em 2007 (linha a preto e a tracejado) seria apenas de cerca de 5 pontos percentuais em vez dos 12 pontos percentuais observados hoje. Isto significa que, de acordo com as nossas estimativas, a crise financeira 2007-2008 diminuiu de forma persistente a produção de aproximadamente 7 pontos percentuais. Este é um número enorme: em termos de dólares, representa uma perda de rendimento ao longo da vida em valor atualizado de cerca de $70000 para cada americano. Este simples cálculo toma como base o valor do PIB per capita em 2007 (aproximadamente $50000) e assume uma taxa anual de desconto de 5%.

(…)

 

Conclusão

Neste texto, avaliamos o efeito da crise financeira de 2007-2008 sobre o PIB dos EUA 10 anos depois. Constatamos que uma grande parte da diferença entre o PIB atual e o PIB potencial na sua tendência de pré-crise está associada com os grandes choques financeiros de 2007-2008. As nossas estimativas sugerem que é improvável que a economia possa recuperar esta grande perda de produção e é improvável que o PIB reverta para o seu nível de tendência anterior. As disrupções do mercado financeiro podem ter enormes custos em termos de bem-estar social, causando perdas persistentes ao nível do PIB. Isto sugere que encontrar formas de prevenir ou conter futuras crises financeiras é uma importante prioridade na investigação e na política.”

 

Regis Barnichon, Christian Matthes, and Alexander Ziegenbein, The Financial Crisis at 10: Will We Ever Recover? SF Fed-FEDERAL RESERVE BANK OF SAN FRANCISCO. Texto disponível em https://www.frbsf.org/economic-research/publications/economic-letter/2018/august/financial-crisis-at-10-years-will-we-ever-recover/

 

 

Claro, as médias obscurecem muito as coisas. Os americanos não partilharam equitativamente os prejuízos havidos com a crise. As famílias de meios modestos têm muito poucos ativos ou, em muitos casos, não têm mesmo nada de ativos. Eles podem ter perdido as suas casas e as suas economias. Segundo o Pew Research Center uma família média de três rendimentos em casa ganhando menos de $42500 ao ano viu o seu valor líquido reduzido em quase metade, passando de 18.500 dólares em 2007 a $10800 em 2016. A riqueza das famílias que ganham de $42500 a $127600 caiu de quase um terço, para $110100. No entanto, a riqueza de famílias abastadas que ganham mais de $127600 aumentou cerca de 10 por cento, para $810800.

 

N.T. A riqueza de informações do texto agora citado leva-nos a que reproduzamos aqui um longo excerto:

“(…) 5. As diferenças de riqueza entre as famílias de rendimento elevado e as famílias de baixa e médio rendimento estão nos níveis mais altos já registados. Embora as famílias de baixa e médio rendimento tenham experimentado ganhos de riqueza nos últimos anos, estes não são suficientemente grandes para compensar as perdas que essas famílias suportaram durante a Grande Recessão. Assim, em 2016, a riqueza mediana de famílias de baixo rendimento era 42% menor do que em 2007 e a riqueza mediana de famílias de rendimento médio era 33% menor. Na verdade, o património líquido dessas famílias em 2016 – $10800 para famílias de baixo rendimento e $110100 para famílias de rendimento médio – era comparável aos níveis de 1989.

A experiência das famílias de alto rendimento é muito diferente. As suas perdas durante a recessão foram menores e a sua recuperação foi mais forte. Em 2016, as famílias de alto rendimento tinham uma riqueza mediana de $810.800, ou seja, 10% mais do que antes da recessão de 2007. Além disso, a riqueza mediana das famílias de alto rendimento está ao seu nível mais elevado desde que a Reserva Federal começou a recolher estes dados em 1983. Como resultado, a recessão impulsionou a desigualdade de riqueza entre famílias de alto rendimento e famílias de baixa e médio rendimento para os níveis mais altos alguma vez registados. Em 2016, a riqueza mediana de famílias de alto rendimento era sete vezes superior à das famílias de rendimento média, uma proporção que duplicou desde 1983. As famílias de alto rendimento também têm 75 vezes o valor da riqueza de famílias de baixa rendimento em 2016, em comparação com 28 vezes a riqueza correspondente em 1983.

(…)”

RAKESH KOCHHAR AND ANTHONY CILLUFFO, How wealth inequality has changed in the U.S. since the Great Recession, by race, ethnicity and income. Pew Rsearch Center. Disponível em: http://www.pewresearch.org/fact-tank/2017/11/01/how-wealth-inequality-has-changed-in-the-u-s-since-the-great-recession-by-race-ethnicity-and-income/

 

 

A crise e a resposta que lhe foi dada pelo governo pioraram as tendências de longo prazo que fizeram com que os salários estagnassem para a maioria das famílias enquanto saíram recompensadas as famílias do grupo dos 1 por cento mais ricos com uma fatia ainda maior do rendimento criado. A Administração Obama e o Congresso cometeram claramente um grande erro no início da recessão centrando-se mais intensivamente em resgatar os bancos –isto é, banqueiros e acionistas – e preocuparam-se muito menos em ajudar diretamente famílias que enfrentavam execuções de hipotecas e despedimentos. Mais tarde, na retoma da economia, a decisão dos líderes republicanos no Congresso de se oporem a qualquer proposta de Obama impediu o governo de fazer grande coisa para ajudar as pessoas a recuperarem o que tinham perdido ou para fortalecer a retoma da economia, até aí muito fraca, com despesas em infraestruturas e outras medidas de estímulo.

Antes da crise, a parcela da produção económica obtida pelos trabalhadores tinha estado constantemente a cair desde o início de 2001, quando esta atingia 64 por cento. Após a crise, caiu para cerca de 56 por cento, de acordo com o Bureau of Labor Statistics, subindo apenas um pouco nos últimos anos.

Isto acontece porque como os rendimentos dos trabalhadores têm estagnado, os lucros das empresas dispararam, especialmente para um pequeno número de empresas a que alguns especialistas chamam de “empresas Superstar”, incluindo gigantes da tecnologia como a Apple, a Alphabet, que possui Google, e Facebook.

Como algumas grandes empresas com relativamente poucos funcionários detêm um maior poder de mercado e lucros, menos rendimento é deixado para os trabalhadores, segundo um trabalho de 2017 de economistas do MIT, Harvard e da Universidade de Zurique.

Como candidato, Donald Trump falou que iria ser duro para com Wall Street, que iria lutar contra a consolidação de empresas e que iria defender “os homens e as mulheres esquecidas “ – retórica que lhe rendeu o apoio de alguns eleitores da classe trabalhadora que tinham antes apoiado Barack Obama. Mas ele e os seus colegas republicanos no Congresso têm governado como os conservadores convencionais da extrema-direita- tornando a vida mais fácil a Wall Street, fazendo pouco sobre a consolidação empresarial e reforçando os lucros das empresas e eliminando uma série de proteções para “os homens e as mulheres esquecidas. “

No ano passado, os republicanos reivindicaram a sua maior vitória legislativa da era Trump, reduzindo a receita federal em 1,5 milhões de milhões ao longo de 10 anos, cortando impostos sobre as empresas e sobre as famílias ricas. A legislação proporciona cortes fiscais generosos e permanentes para as pessoas ricas na classe de investidores, incluindo estrangeiros que possuem títulos das empresas americanas. As famílias de classe trabalhadora, pelo contrário, receberam pequenas economias que pela legislação Trump irão desaparecer automaticamente após 2025. A lei tributária ampliará a desigualdade de rendimento e incentivará os excessos financeiros estimulando uma economia que já está há nove anos em recuperação.

Considere o mercado de ações, que disparou após o corte de impostos ter sido promulgado; o índice de ações do S.&P. 500 fechou em nova alta na sexta-feira. Muitos analistas argumentam que o mercado não está sobrevalorizado e tem ainda espaço para subir -comentários estranhamente semelhantes ao que os vendedores de Wall Street andaram a dizer em 2007 e 2008. No entanto, o mercado parece estar mais sobrevalorizado agora do que estava antes da crise, de acordo com um indicador criado por Robert Shiller, o economista de Yale que ganhou um prémio Nobel pelo seu trabalho sobre bolhas nos mercados de ações e nos mercados imobiliários. Os seus dados mostram que o índice de ações S.&P. 500 tem um rácio cotação/lucro por título ajustado de 32,29, o que indica que os investidores estão dispostos a pagar $32.29 para $1 de lucros das empresas. Em 2007 e 2008, essa proporção nunca alcançou o valor 28.

Os legisladores e a Administração, e até mesmo a Reserva Federal, que deveria sabê-lo melhor, também têm estado a semear as sementes para outra crise, desmantelando os regulamentos financeiros postos em prática nos últimos 10 anos. Em maio, o Congresso votou a reversão de partes da Lei Dodd-Frank, isentando os bancos com ativos entre $50 mil milhões e $250 mil milhões de uma supervisão federal mais rigorosa. Isso foi supostamente feito para ajudar os bancos comunitários que são de pequena dimensão, mas a mudança foi tão abrangente que deixaria menos de 10 grandes bancos sujeitos a uma supervisão mais rigorosa que muitos especialistas independentes concluíram ser necessária após a crise.

Além disso, os altos funcionários do FED e de outras agências governamentais propuseram relaxar a regra Volcker, do nome do ex-presidente do FED Paul Volcker, que restringe os grandes bancos de especularem com o dinheiro dos seus depositantes em investimentos de alto risco. Os reguladores também querem facilitar os requisitos de capital próprio para os bancos, o que irá aumentar os lucros para satisfação do Citigroup e de JPMorgan Chase, deixando-os operar com mais dinheiro emprestado, em vez de capital obtido junto dos acionistas. No ano passado, os reguladores federais decidiram que o A.I.G. já não é uma instituição financeira sistemicamente importante, libertando-a do escrutínio governamental mais rigoroso aplicado às empresas cujo colapso poderia desencadear uma reação em cadeia de falências. Se bem que A.I.G. seja mais pequeno do que era em 2008, quando quase fez cair muitos dos grandes bancos, ainda é um dominó muito grande no sistema financeiro.

Espere, ainda há mais. O Presidente Trump efetivamente neutralizou o Departamento de Proteção Financeira do Consumidor ao entregar temporariamente o seu controlo ao seu chefe do orçamento, Mick Mulvaney, que esteve às ordens dos grandes bancos como burocrata e quando era membro da Câmara dos Representantes. Ele pôs um fim às novas investigações promovidas pelo Departamento de Proteção do Consumidor e baixou o nível de penalizações contra os credores acusados de abusarem e prejudicarem os mutuários, a tal ponto que as penalizações deixaram de ter sentido. Recentemente, Trump nomeou Kathy Kraninger, que tem pouca experiência em créditos ao consumidor, como Diretor permanente do Departamento de Proteção do Consumidor.

A rapidez com que os funcionários se estão a movimentar para desmantelar as regulações financeiras é impressionante, na opinião dos economistas que têm um bom conhecimento da história do capitalismo americano. “A última vez que regulámos em profundidade, na década de 1930, foram necessários 30 ou 40 anos para desmantelar essa regulação”, disse Raghuram Rajan, um economista da Universidade de Chicago e ex-governador do Federal Reserve da Índia. “Desta vez vamos fazê-lo em 10 anos.”

E as regulamentações que foram desmanteladas e revogadas poderiam ter ajudado a impedir ou reduzir a severidade da última Grande Crise. Raghuram Rajan, que estava de sobreaviso relativamente à última crise, disse que é imprudente estar agora a desregulamentar porque as empresas e os indivíduos têm contraído fortes empréstimos nos últimos anos tanto nos Estados Unidos como noutros países, o que aumenta fortemente os riscos de graves problemas económicos no futuro.

Com os investidores a fazerem subir os preços das ações e a despejarem milhares de milhões nas empresas ditas start-up como se nada possa vir a correr mal, é ainda mais assustador e desesperante que as autoridades tenham posto de lado tão rapidamente as lições da última crise. Ao tornar a vida faustosa para os americanos mais ricos, o governo está a colocar em grande risco as perspetivas económicas de todos nós.

 

Inviting the Next Financial Crisis – New York Times The Editorial Board. Texto disponível  em https://www.nytimes.com/2018/08/25/opinion/economy-financial-crisis.html

 

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