CARTA DE BRAGA – “de viveres e mastins” – por ANTÓNIO OLIVEIRA

Não quero hoje falar dos bolsonarossalvinistrumpas e afins, por já me ser penoso, mesmo antes de eles chegarem porque, como afirmou Lluis Bassets e aqui deixei há uns dias atrás, com a soberania das urnas tudo é possível, incluindo liquidar liberdades e limitar direitos, até chegar à ditadura’.

E não estaremos já numa ditadura, mesmo global, quando mais de 700 milhões de pessoas em todo o mundo, vivem hoje com menos de 1,6 euros cada dia?

Quem pode chamar a isto viver? Os mesmos que acusaram toda a gente de ter vivido cima das suas possibilidades, mas nunca criticaram os bancos pelas facilidades concedidas para sacar receita mesmo onde não a havia? Mas foi essa gente que lhes pagou os resgates, apenas porque ‘aguenta, aguenta’ como disse um figurão qualquer!

E temo porque Colin Powell, o secretário de estado de Bush, afirmou há dias que lá, tinham passado já, daquele ‘nós o povo’ que encabeça a constituição norte-americana, para o ‘eu o presidente’!

Percebe-se, no mundo inteiro e a ver pelos media e crescimento selvagem das fontes de fake news, uma forte reacção contra as democracias representativas onde, em princípio, devia predominar o debate e a polémica mas, acima de tudo, o respeito pelo adversário!

Temo que tudo isto não passe já de um wishful thinking, a saber pelo que vemos, ouvimos e lemos, cada hora que passa e com os intérpretes mais espantosos!

E temo também porque ao ler as aventuras de um príncipe das arábias e do azar de um jornalista mal-aventurado, me lembrei de um ditado inglês a merecer ser bem interiorizado, ‘o senhor açula os mastins contra os aldeãos e se eles se vão queixar ao rei, o senhor para se fazer perdoar, manda matar os mastins’.

Diz a imprensa toda que o homem de confiança do tal príncipe das arábias terá morrido num desastre, depois de voltar do encontro com o mal-aventurado jornalista num consulado do país comum, em Istambul, na Turquia.

O ditado inglês foi-me ensinado pelo mesmo amigo que me aconselhou ‘em caso de dúvidas, tenta não morrer!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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