Sobre o texto de Domenico Mario Nuti e a propósito de um comentário do Professor Marques Mendes (parte 2/2). Por Júlio Marques Mota

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Sobre o texto de Domenico Mario Nuti e a propósito de um comentário do Professor Marques Mendes (parte 2/2)

julio-marques-mota Por Júlio Marques Mota

em 24 de dezembro de 2018

 

(conclusão)

Curiosamente o Professor Marques Mendes irá ler o texto sobre socialismo apenas para perceber o mistério do encantamento de certas pessoas, como Nuti, como eu, como os que trabalharam no texto, como muitos outros universitários, como muitos milhões de outras pessoas, por ideias que ele considera sem sentido e de resultados comprovadamente errados. Não vai lê-lo, é o que se infere, para procurar saber se as linhas de análise propostas por Nuti podem ser um elemento de referência para descortinar políticas mais justas e mais adequadas à situação de crise que atravessamos. Esta hipótese, ele recusa-a liminarmente.  Não, vai lê-lo para esclarecer o mistério, o mistério de gente de interesse se interessar por coisas sem interesse.

Mas curiosamente se os sistemas socialistas presentes ou futuros não têm interesse como objeto de estudo, para Marques Mendes, por considerar serem sistemas que desembocaram e desembocarão sempre em maus resultados, o que hoje se torna também indiscutível é que o sistema que ele não critica, o capitalismo avançado, parece estar a entrar perigosamente em degenerescência. Então, na mesma lógica, não mereceria ser estudado, mas se assim é, o que é que ficaria para estudo, o que é que ficaria para ensinarmos aos nossos estudantes? Nada então.

Contrariamente a posições como esta de Marques Mendes, Nuti interessa-se sobre o futuro do Socialismo, e tal como Nuti há já também muitos intelectuais que se interrogam, hoje, sobre o futuro dos capitalismos, partindo da profunda degenerescência do modelo capitalista atual.  

Na linha desta temática, acabo de ler um texto de dois analistas dos mercados financeiros, sobretudo dos mercados americanos, onde nos deparamos com uma problemática semelhante à questionada por Nuti, onde os dois autores questionam a realidade presente nos Estados Unidos que, segundo eles, está à beira do colapso total. E, por aqui, pelas suas intervenções, passa o respeito pelos antigos modelos, pelo que representam de válido, pelo que representam de inválido, pela forma como se poderá sair deste capitalismo selvagem, onde o dinheiro é rei, onde o dinheiro é o leite materno da política. Desta entrevista, de um ao outro diria eu, de Chris Martenson a Charles Hugh Smith e vice-versa [2], aqui vos deixo um longo excerto de reflexão sobre a necessidade de repensar e rapidamente o modo de funcionamento do capitalismo. Uma posição também ela nas antípodas da posição de Marques Mendes, posição esta que se pode inferir do seu comentário feito sobre a publicação das reflexões de Nuti sobre o socialismo, sobre o futuro do socialismo.

Vejamos, pois, o que nos dizem Chris Martenson e Charles Hugh Smith:

“Chris Martenson: Então, quando olho bem para este nosso sistema, na minha opinião, temos um exemplo perfeito do que está a falar. Quanto ao bem comum, diria que queremos ter um sistema que, em última análise, seja justo e equitativo e que as pessoas mereçam ter acesso a cuidados de saúde quando deles necessitam, cuidados de saúde de qualidade e tudo o mais. Mas nós não temos nada disso, pois não?

Charles Hugh Smith: Não, não temos. O meu amigo está absolutamente certo. Esse é um excelente exemplo. E antes mencionou os media. E, é claro, novamente, essa intensa concentração de poder nas mãos de um qualquer pequeno grupo também é aí bem visível. Seis empresas de media controlam a maior parte dos media nos EUA. Costumavam ser seis bancos, mas agora acho que são três ou quatro, a controlarem a maior parte do sistema financeiro. E vemos que isso é assim, setor atrás de setor. O Facebook domina os media sociais. O Google domina nos motores de busca e dos anúncios e assim sucessivamente. E isso faz todo o sentido no sistema que temos agora.

Por outras palavras, bem, isso é realmente eficiente, e é muito lucrativo. Se o meu amigo pode estabelecer um cartel ou um monopólio ou um quase-monopólio, então pode simplesmente aumentar os seus preços, e as pessoas têm de pagar e é lucrativo. Toda a gente ganha, certo? Os acionistas ganham. Os gestores ganham. O público, bem, eh, esse, não tem escolha.

E assim, penso que os cuidados de saúde é um exemplo perfeito, como acabou de dizer, porque todos esses chamados interesses concorrentes o que fazem, é basicamente tirar o dinheiro onde quer que ele exista. E prestar cuidados de saúde reais, bem, isso é secundário, na melhor das hipóteses.

Chris Martenson: Bem, isso diz-nos muito sobre a ideia do que significa não haver um bem comum fundado sobre coisas simples como o que é justo, o que é decente, o que é honroso, sobre o que é integro, o que é importante para as próximas gerações, coisas assim. Quando nos questionamos em torno deste tema, parece-me que o bem comum nos Estados Unidos é o dinheiro. E se você pode ganhar dinheiro com isso, é uma espécie de laissez-faire, de Oeste selvagem, se você pode ganhar dinheiro com isso, então tudo é permitido. Oh, você está a criar algo que mata insetos indiscriminadamente? Você está a ganhar dinheiro com isso? Então, vá em frente. Oh, você faz bombas de fragmentação mesmo que essas sejam proibidas em todos os lugares, mas pode vendê-las através de alguns canais ilegais? Então, vá em frente. O que quer que seja, tudo parece estar bem.

Praticamente em todos os textos religiosos se fala sobre como é que o amor ao dinheiro é a raiz de todo os males. Quero dizer, isso talvez haja um elemento comum em tudo isto? Isso é apenas dinheiro e poder a correr para a sua natural conclusão românica?

Charles Hugh Smith: Bem, eu acho que tem razão, no sentido de que esse era um dos tópicos que eu estive a tentar explorar no livro, ou seja a querer explicar quais são as condições iniciais de um sistema – nós chamamos a isso teleologia. É com estas que se cria o próprio sistema. Então se você criar um sistema com as necessárias condições de base que tem aqui nos EUA, como você diz, em que o dinheiro é tudo, é o árbitro de todo o valor, então você vai ter um certo resultado. E você não será capaz de mudar esse resultado a menos que você mude as condições iniciais.

Mas eu quero rejeitar uma ideia que me parece ter sido degradada ao longo das duas últimas gerações, digamos, ao longo destes últimos quarenta anos. Quando éramos mais jovens, a nação parecia unir-se em torno da ideia de proteger o ar e a água. E até mesmo um presidente conservador como Richard Nixon se sentiu comovido pelo sentimento geral do bem comum. E foi assim que as leis foram aprovadas e os ganhos em termos de eficiência foram alcançados. E, como resultado, duas gerações depois, a qualidade do ar e da água nos EUA é consideravelmente melhor do que há quarenta anos atrás.

Mas parece que perdemos essa capacidade de nos unirmos em torno de algo que obviamente faz parte do bem comum. E, como você diz, o impacto sobre os insetos, que tem um enorme custo financeiro, como todos sabemos, por meio da polinização e não só, e mesmo se não tem nenhum efeito, tem mesmo assim um enorme impacto financeiro. Mas será que perdemos a capacidade cultural de concordar em qualquer coisa relativamente a um bem comum?

Chris Martenson: (…) Eu pensaria, se há alguma coisa que tem muita força, é a educação das crianças pois este é um tema que parece ter sempre muito poder por detrás dele. Quando se trata de algo tão óbvio como garantir que as próximas gerações sejam devidamente educadas, parece que, nos Estados Unidos, perdemos a capacidade de ter o que eu consideraria ser uma conversa razoável. É equivalente a dizer que não há nenhum inseto a bater no meu para-brisas. Isto é um problema. Vamos precisar de ter alguma energia em torno desse tópico para dizer: “uau, os Estados Unidos estão já muito atrás de todas as outras nações industrializadas, em termos de todos os resultados mensuráveis de testes e tudo o mais. Talvez tenhamos que fazer alguma coisa a esse respeito”.

Quase não sinto nenhum efeito em nenhuma dessas coisas. Há duas coisas que acontecem. Primeiro, as pessoas apenas encolhem os ombros como quem diz: o que é que se pode fazer? A segunda coisa é que existem defensores do sistema tal como este existe. Eles gostam das coisas assim. E você tinha, escrito no seu blog um texto em que dizia : “Porque é que as nossas elites políticas e financeiras se apegarão ao seu poder centralizado, fazendo cada vez mais do que já se provou estar errado mesmo se a sociedade civil se desfaz.” Isso é também o que se passa mais ou menos ao nível do ensino superior. Mas as pessoas que defendem o sistema escolar, produzindo estudantes abaixo do padrão de referência expresso por todas as medidas internacionais, porque é que essas pessoas se apegam a coisas sobre as quais se pode muito bem afirmar não estão a funcionar bem?

Charles Hugh Smith: Eu acho que você realmente está a pôr o dedo na ferida, quando fala de interesses entrincheirados que procuram satisfazer os seus próprios interesses. E é realmente disso que estamos aqui a falar. Como você disse, todos nós entendemos a natureza humana, não é verdade? Há muitas partes móveis na natureza humana; podemos ser compassivos, podemos ser empáticos. Não somos simplesmente máquinas económicas racionais que passam por cima de tudo para maximizar os nossos lucros, embora seja assim que o nosso sistema financeiro e económico é estabelecido. Não há nada de tão constante na natureza humana, como a necessidade imperiosa de maximizar o ganho pessoal por quaisquer meios disponíveis a qualquer custo. Nós não nos importamos. É sobre este tipo de comportamento que está configurado o nosso sistema.

Mas, como disse, politicamente havia travões e contrapoderes sobre esse tipo de comportamento de rapina e parece-nos que perdemos, como disse, tudo isso. Pessoalmente, acho que a diferença estrutural chave é que quando você centraliza impiedosamente o poder em monopólios e em estruturas de tipo de cartel estatal, onde há um pequeno grupo de atores que controla todo o sistema, então está a eliminar o próprio ecossistema. Ao perder tudo isto fez-se o equivalente a plantar uma monocultura e depois pulverizá-la com Roundup para que aí não haja insetos. E assim tem-se uma grande colheita durante alguns ciclos de produção. Mas, claro, esteve-se a destruir o solo, a destruir o ecossistema à sua volta, a criar alimentos que já não são nutritivos e assim sucessivamente.

E assim criámos uma economia de monocultura e um sistema político, se assim preferir. E a solução para isso, penso eu, é uma descentralização massiva do poder e do capital. E isso exigiria reconstruir a sociedade, as narrativas culturais e a economia a partir do zero. Porque, neste momento, qualquer coisa que tente descentralizar a riqueza, o poder e o capital é pura e simplesmente eliminada.

Chris Martenson: Exatamente. E estamos discutindo o livro Pathfinding Our Destiny com Charles Hughes Smith. E Charles, você não escreveu este livro como um outro livro de definição de problemas porque eu vou me voltar agora para o subtítulo que é Prevenir a Queda Final da Nossa República Democrática. Parece que o subtítulo, estarei eu errado, está a sugerir que nem tudo está ainda perdido?

Charles Hugh Smith: Certo. Acho que estamos agora na fase final do colapso, como temos discutido, o que significa que não temos décadas para o poder reformar. Já queimámos as décadas em que poderíamos ter reformado o sistema. Agora estamos reduzidos, penso eu, a uma questão de anos. E agora estamos – eu usei o termo- na fase da queda final. E eu acho que a minha escolha do termo pathfinding, a minha ideia aqui foi, ah, olhe, temos que explorar uma série de soluções diferentes. Não é como se pudéssemos simplesmente voltar aos mesmos modelos antigos de 1940 ou de 1840 ou a qualquer outra coisa parecida como: voltar ao capitalismo puro, voltar ao comunismo ou ainda voltar ao socialismo como foi definido em 1870.

Penso que não podemos confiar unicamente nestes antigos modelos. Penso que o mundo agora está muito hiperligado e que as coisas avançaram muito para além de onde esses modelos do século XIX, basicamente, podem ser aplicados e muito para além de onde nós podemos esperar ou assumir que vão funcionar.”

Poder-me-ão objetar que se trata apenas de um quadro negro pintado por dois analistas americanos a sofrerem de uma “depressão dos mercados” e que isso será estar a forçar a argumentação contra a argumentação de Marques Mendes. Poderão pensá-lo, mas contra essa hipotética argumentação vejamos um quadro da situação atual no capitalismo globalizado que nos é pintado, mais uma vez por um insuspeito meio de comunicação, a revista The Economist [3], onde se pode ler:

“As empresas familiares de gestão patrimonial (family offices) através dos quais os 0,001% mais ricos do mundo investem são uma nova força nas finanças globais de que poucos ouviram até agora falar.

As finanças globais estão a ser transformadas à medida que os multimilionários enriquecem e eliminam os intermediários, criando as suas próprias “empresas de gestão de património”, empresas de investimento pessoal que funcionam nos mercados globais à procura de oportunidades de investimento. Em grande parte desconhecidos, estas empresas familiares de gestão patrimonial tornaram-se uma força poderosa em termos de investimento, com até $4 milhões de milhões de ativos – mais do que os fundos de cobertura, os hedge funds, e equivalentes a 6% do valor das bolsas de valores do mundo. À medida que se tornam cada vez maiores e numa época de populismo, os family offices estão destinados a enfrentar questões desconfortáveis sobre como estão a concentrar poder e a alimentar o alargamento das desigualdades.

Cada boom de investimento reflete a sociedade que o gerou. O simples fundo mútuo atingiu a maioridade na década de 1970, após duas décadas de prosperidade da classe média nos Estados Unidos. A ascensão dos family offices reflete uma crescente desigualdade. Desde 1980, a parcela da riqueza mundial detida pelos 0,01% principais aumentou de 3% para 8%.

É pouco provável que estas tendências desapareçam. O número de multimilionários ainda continua a crescer – os 199 novatos do grupo vieram aumentar a série no ano passado. No mundo dos países ditos emergentes, os empreendedores mais velhos que criaram empresas nos anos de boom depois dos anos de 1990 estão-se a preparar para sacar dinheiro, enquanto nos Estados Unidos e na China, os empreendedores mais jovens das empresas ditas de tecnologia podem em breve abrir as suas empresas à entrada de capital, criando uma nova onda de dinheiro para reinvestimento. O peso das empresas familiares de gestão patrimonial no sistema financeiro, portanto, parece provável que aumente ainda mais. Com isso, a objeção levantada contra elas aumentará exponencialmente. A mais óbvia delas é a menos convincente – que os family offices criaram desigualdade. Estes family offices são uma consequência da desigualdade criada, não a sua causa. No entanto, há preocupações – e há uma em particular que deve ser levada a sério: que os family offices possam ter acesso privilegiado a informações, negócios e esquemas fiscais, permitindo-lhes ultrapassar o desempenho dos investidores comuns. Até agora, há poucas provas disso. O family office médio apresentou rendimentos na ordem dos 16% em 2017 e de 7% em 2016, de acordo com a Campden Wealth, uma empresa de pesquisa, ligeiramente atrás dos mercados de ações à escala mundial.

No entanto, os magnatas estão bem conectados. Os family offices estão-se a tornar cada vez mais complexos – um terço deles tem pelo menos dois ramos – e tornam mais fácil as evasões fiscais. Corretores e bancos famintos estão a lançar-lhes o tapete vermelho e a desencadearem negócios com empresas não cotadas em bolsa que não estão disponíveis para os investidores comuns. Se tudo isso leva a uma vantagem injusta e sustentada nos mercados, o efeito, quando acumulado ao longo de décadas, tornaria a desigualdade na distribuição da riqueza criada ainda desastrosamente pior.”

E a concluir, confirmando os textos acima citados, vejamos alguns dados relativamente à situação dos Estados Unidos, todos eles tomando como referência documentos oficiais.

  1. Evolução da repartição da riqueza patrimonial dos 1% relativamente à média das famílias americanas

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A América encaminha-se para um nível de desigualdade de rendimento que não se observa desde 1928, mas os residentes mais ricos de cinco estados e 30 cidades já ultrapassaram esse limiar, segundo um novo estudo.

O crescimento desigual do rendimento desde a década de 1970 tem impulsionado o aumento do património dos 1% dos que mais rendimentos ganham, ampliando a desigualdade de rendimento em todos os estados, segundo o estudo do Economic Policy Institute (EPI). Em todo o país, as famílias que mais ganham obtiveram  22% de toda o rendimento gerado  em 2015, o último ano para o qual o IRS tem dados. Isso é apenas 1,9 pontos percentuais inferior à participação recorde de 23,9% do rendimento  em 1928.

Mas esse pico de 1928 foi já ultrapassado em Nova York, Flórida, Connecticut, Nevada e Wyoming, segundo EPI. As regiões metropolitanas que ultrapassaram o registo histórico de 1928 incluem Jackson, Wyoming – onde está a cidade turística de Jackson Hole – e Nápoles, Flórida, um popular local de reformados.

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A tendência muito provavelmente continuará, diz Mark Price, economista no Keystone Research Center, co-autor do estudo com Estelle Sommeiller, uma economista social no Institute for Research in Economic and Social Sciences em França.

” Os 1% do topo está a capturar uma fatia cada vez maior do rendimento”, diz Price. “Isso levanta a questão de a voz que é ouvida é frequentemente determinada pelo acesso ao dinheiro”. E acrescenta: “A nossa preocupação é que uma economia mais saudável é aquela em que o rendimento cresce muito mais rapidamente nos rendimentos da base do que o faz atualmente”.

(vd. https://www.cbsnews.com/news/in-5-states-richest-americans-live-in-a-new-gilded-age/, https://www.epi.org/publication/income-inequality-in-the-us/ e http://projects.marketwatch.com/2017/the-state-of-the-american-wallet/ )

 

  1. Endividamento

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“O crash imobiliário e a recessão de 2008 viram milhões de americanos a incumprirem os seus empréstimos hipotecários e a perderem as suas casas por execução da hipoteca. Atualmente há menos dívida com a habitação, mas outros tipos de dívida cresceram rapidamente. A dívida por empréstimos a estudantes atingiu um nível de crise — $1,4 milhões de milhões — com mais de 4 milhões de devedores em incumprimento no ano passado [2016]. Os americanos têm agora a dívida em cartão de crédito mais elevada da história — $1,021 milhões de milhões. Isso supera o pico da era da recessão, embora o valor per capita ainda esteja abaixo do registo recorde de 2008. A dívida por empréstimos para automóveis está a crescer e, cada vez mais, os automóveis estão a ser confiscados.”

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(vd. The State of the American Wallet, por Leslie Albrecht e Katie Marriner, Market Watch em 15/08/2017)

 

  1. Capacidade de resposta a uma despesa inesperada

Apenas 4 em cada 10 americanos têm poupanças sobre as quais podem contar para responder a necessidades inesperadas.

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(vd. Bankrate, 22/01/2017, https://www.bankrate.com/finance/consumer-index/money-pulse-0117.aspx )

 

  1. Rendimentos familiares, bem-estar e despesas em saúde:

Conforme nos diz Market Watch, um terço dos americanos não tem dinheiro suficiente para pagar a comida, abrigo e saúde.

Mais de um terço das famílias americanas lutam contra dificuldades como a falta de alimentos, de acordo com um novo inquérito às famílias do Consumer Financial Protection Bureau.

Quase metade dos americanos tem dificuldade em pagar as suas contas, e mais de um terço já enfrentou dificuldades como ficar sem comida, não conseguir pagar um local para morar ou não ter dinheiro suficiente para pagar um tratamento médico.

Estes são alguns dos sombrios resultados da primeira pesquisa federal do Consumer Financial Protection Bureau sobre bem-estar financeiro, divulgada em 26 de setembro de 2017.

Os cuidados de saúde para uma família custam atualmente US$ 28 mil – cerca de metade do rendimento médio que é de US$ 60 mil.

O custo anual dos cuidados de saúde de uma família americana típica – dois pais e dois filhos cobertos por uma organização de cuidados de saúde – é de US$ 28.166, de acordo com o Miliman Medical Index de 2018, divulgado na terça-feira.

Os custos de saúde têm aumentado anualmente, desde que Miliman começou a rastreá-los em 2001, mas a taxa de aumento tem caído nos últimos anos. Mesmo assim, o aumento relativamente pequeno de 4,5 por cento em 2018 traduz-se num aumento de mais de US$ 1.200 ao ano.

(…)

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(vd. Health Care Costs for Typical American Family Hit Record High em The Fiscal Times, 23/05/2018)

  1. Estado Providência e mal-estar social

A expectativa de vida nos EUA diminuiu em 2017 na  medida em que mais americanos morreram de overdoses de drogas e por suicídio, impulsionando uma tendência preocupante de diminuição da esperança de vida, o que não se verificava desde há um século, informa o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) num relatório divulgado em Novembro de 2018.

A esperança de vida era de 78,6 anos em 2017, contra 78,7 anos em 2016, disse o CDC.

A expectativa de vida também havia diminuído em 2015 e permanecido estável em 2016, tornando este o primeiro período de três anos de declínio geral desde o final da década de 1910. Esse declínio ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial e devido a uma epidemia de gripe generalizada – e antes, portanto de muitos e importantes progressos na medicina.

O CDC considera que a mudança se deve ao aumento de overdoses de drogas e de suicídios, que atingiram novos máximos em 2017.

Em 2017, a taxa de mortes por overdose de drogas foi 9,6% maior do que em 2016, com 70.237 pessoas a morrerem por overdose de drogas, muitas delas devido à epidemia de abuso de opiáceos.

Por outro lado, a taxa de suicídio aumentou massivamente em 33 por cento desde 1999, disse o CDC. Existem agora 14 suicídios por 100 mil pessoas, contra 10,5 em 1999.

Os últimos dados do CDC mostram que a expectativa de vida nos EUA diminuiu nos últimos anos. Tragicamente, essa tendência preocupante é em grande parte impulsionada pelas mortes por overdose de drogas e de suicídio”, disse o diretor do CDC, Robert Redfield.

A esperança de vida dá-nos um retrato da saúde geral da Nação e essas estatísticas sombrias são um alerta de que estamos a perder muitos americanos, muito cedo e muito frequentemente, tendo como causa condições que são evitáveis”, acrescentou”.

(dados retirados dos relatórios do CDC divulgados em novembro de 2018)

 

E para terminar a nossa análise vejamos o que nos disse Michael Snyder, sobre a semana de 17 a 21 de dezembro de 2018, ou seja sobre a semana que antecede as férias de Natal:

“Por toda a semana a carnificina foi absolutamente colossal. Vejamos como é que a CNBC resumiu o que aconteceu…

 O Dow e o S&P 500, que estão ambos em correções, estão no bom caminho para o seu pior desempenho de dezembro desde a Grande Depressão de 1931, abaixo de mais de 12 por cento cada um deles neste mês.

Tanto o Dow como o S&P 500 estão agora no vermelho para 2018 em pelo menos 9 por cento.”

Desde 1984, houve apenas oito dias em que foi transacionado uma maior proporção de ações, segundo a Sundial Capital Research. Dois deles foram em 1987 – durante o famoso crash da Black Monday, quando o Dow Jones Industrial Average perdeu num só dia, e novamente durante a sessão seguinte. O resto foi no rescaldo do colapso do Lehman Brothers em outubro e novembro de 2008.

E não são apenas as ações que estão ficando marteladas.  De facto, neste momento, 93 por cento de todas as classes de ativos estão em baixa em termos anuais.

Como muitos já disseram, 2018 é um ano em que literalmente nada está a sair bem.

Uma coisa semelhante está a acontecer na Europa, onde as ações estão no ritmo do seu pior ano desde 2008.  Estamos a assistir a um verdadeiro colapso global, e milhões de milhões de dólares de riqueza em ativos estão a ser levados pela água abaixo.

(…)

Então, o que é que virá a seguir?

Por agora, haverá uma pausa. O mercado de ações será fechado para o fim de semana, e será então aberto por um meio dia de transações na segunda-feira, e depois fechado para o Natal, na terça-feira.

Esperemos que este “período de reflexão” ajude as coisas a ficarem muito mais calmas quando os mercados abrirem na quarta-feira.

Mas mesmo que as coisas se acalmem durante as férias, a verdade é que esta crise está longe de ter terminado.

A maior bolha financeira da história dos EUA está a começar a estourar, e um enorme sofrimento está para vir.”

Este é um relato de Michael Snyder, um reconhecido analista dos mercados financeiros, confirmando os receios dos autores acima referidos.

E em forma de conclusão ao nosso texto e relativamente ao texto de Domenico Mario Nuti e ao comentário do Professor Marques Mendes, creio ter deixado claro que é importante a leitura do texto de Nuti, uma profunda reflexão sobre a ascensão, a queda e o futuro do socialismo, seja face aos “socialismos” de agora, seja face ao neoliberalismo selvagem que tem estado a minar profundamente as democracias ocidentais.

Notas

[2] Charles Hugh Smith: Preventing The Final Fall Of Our Democratic Republic, Fighting against the obscene concentration of wealth & power.

[3] INVESTING AND THE SUPER-RICH: HOW THE 0.001% INVEST / THE ECONOMIST de 15 de Dezembro de 2018.

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